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Queda das Sessões 3D Leva Cinemas a Investir em Imax

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A queda das sessões 3D tem remodelado a estratégia dos cinemas, que buscam em tecnologias como o Imax e outras experiências imersivas o novo atrativo para o público. Em 2006, o Brasil vivenciou um marco com a inauguração da primeira sala digital com projeção 3D no Cinemark do shopping Eldorado, em São Paulo, durante uma exibição lotada de “A Casa Monstro”. Naquele período, a inovação tecnológica se sobressaía ao próprio enredo, prometendo uma nova era para a experiência cinematográfica.

A tecnologia tridimensional, que confere às imagens a ilusão de saltarem da tela, tem raízes no século 19, com o surgimento dos primeiros óculos de lentes azuis e vermelhas. Contudo, foi no início da década de 2010 que ela alcançou seu apogeu, impulsionada pelo aprimoramento de James Cameron. Seu filme “Avatar”, lançado em 2009, arrecadou notáveis US$ 2,9 bilhões, estabelecendo-se como a maior bilheteria da história do cinema até hoje e consolidando o formato 3D como um fenômeno global.

Queda das Sessões 3D Leva Cinemas a Investir em Imax

Duas décadas após a ascensão do 3D, a cena mudou drasticamente. Atualmente, receber óculos 3D ao entrar nas salas de cinema, tanto no Brasil quanto internacionalmente, já não é uma prática tão comum. Um comparativo notável é o filme “Rogue One: Uma História Star Wars”, de 2016, que estreou com quase 70% de suas exibições nacionais em formato 3D. Em contrapartida, em maio deste ano, menos de 40% das sessões de “O Mandaloriano e Grogu” em grandes capitais, como São Paulo, optaram pelo formato.

O mais recente longa da franquia “Star Wars” figura entre os poucos lançamentos de 2025 que ainda investem na tecnologia 3D. Outros exemplos incluem animações como “Toy Story 5”, com aproximadamente 25% de suas sessões neste formato, e o terror “Socorro!”, que teve 19% de suas exibições em 3D. Este último, inclusive, foi concebido pelo diretor Sam Raimi com o intuito de projetar cenas de sangue e vômito para fora da tela, aproveitando o efeito tridimensional.

Dados do portal especializado Filme B indicam uma clara retração: em 2025, apenas 2,6% dos 416 filmes lançados no país foram oferecidos em 3D, e somente 9% da bilheteria total derivou dessas sessões. Diante deste panorama, James Cameron se mantém como um dos poucos diretores que persistem na utilização e no aprimoramento da tecnologia. O terceiro filme da saga “Avatar” foi lançado com uma vasta maioria de sessões em 3D, conquistando cerca de US$ 1,5 bilhão e figurando entre os grandes sucessos de 2025. Recentemente, seu registro de um show de Billie Eilish estreou com 70% das exibições no país com suporte ao formato tridimensional.

O Pioneirismo de James Cameron e a Essência do 3D

A cineasta Priscilla Durand destaca que o êxito da técnica nas mãos de Cameron decorre de seu pioneirismo e rigor técnico. O primeiro “Avatar”, por exemplo, demandou o desenvolvimento de duas novas câmeras: uma para filmagens estereoscópicas, que replicam a profundidade do olhar humano, e outra para simular ações de personagens digitais. Fundadora da Durand Creator, empresa focada em narrativas de realidade virtual, ela distingue entre diretores que encaram o 3D como uma linguagem intrínseca, moldando desde a gravação até a fase de finalização, e aqueles que meramente adaptam materiais já existentes com o intuito de elevar o preço dos ingressos. No Brasil, uma sessão 3D pode custar até 15% a mais para o espectador.

“‘Avatar’ foi, igualmente, um dos projetos mais caros e lucrativos de Hollywood”, ressalta Durand. “Diante dos altos preços, as pessoas só deixam suas casas para ver conteúdos relevantes. Para isso, os filmes precisam ser pensados especialmente para esses formatos. Converter filmes e animações comuns na tentativa de encher as salas é o que deixa a tecnologia obsoleta.” A visão de Durand reforça que a simples conversão de conteúdo não garante o engajamento do público nem a longevidade da tecnologia.

A Relevância do 3D no Passado e os Desafios Atuais

A partir de 2010, diversos cineastas adotaram a técnica para intensificar a conexão da plateia com suas narrativas. Em “A Invenção de Hugo Cabret” (2011), Martin Scorsese explorou as diversas camadas de uma estação ferroviária e homenageou os experimentos do ilusionista George Meliés nos primórdios do cinema. No mesmo ano, David Yates, em “Harry Potter”, fez o vilão Voldemort explodir em pedacinhos que pareciam flutuar até os assentos, uma decisão criativa que, apesar do impacto visual, gerou controvérsia entre os fãs mais puristas dos livros. Três anos depois, Alfonso Cuarón transportou os espectadores ao espaço com o imersivo “Gravidade”, filme que conquistou sete estatuetas do Oscar, incluindo a de melhores efeitos especiais, e proporcionou a muitos a sensação de estar em órbita da Terra.

No segmento documental, o diretor alemão Werner Herzog utilizou a tecnologia 3D em “A Caverna dos Sonhos Esquecidos” para realçar as pinturas rupestres na caverna de Chauvet. Até mesmo Jean-Luc Godard, ícone da Nouvelle Vague e crítico das fórmulas comerciais, ousou com imagens sobrepostas em “Adeus à Linguagem” (2014), proporcionando uma experiência desafiadora para o público. Durand também evoca “Disque M para Matar”, lançado em 1954 por Alfred Hitchcock, como um exemplo histórico de uso eficaz do 3D. “Assim como Cameron, ele não se contentou com as limitações de seu tempo”, explica ela. “Hitchcock criou um telefone gigante para ampliar a imersão na cena em que o vilão telefona para o seu comparsa.”

Produzido pela Warner Bros., o clássico de Hitchcock foi rodado em 3D para combater a crescente popularização dos televisores na época. Atualmente, o avanço do streaming durante a pandemia, que reduziu as janelas de exclusividade dos cinemas, é outro fator que contribui para a diminuição da ida do público às salas. Enquanto o mercado cinematográfico se esforça para se reerguer – o Cinemark, por exemplo, superou as expectativas no primeiro trimestre do ano, mas 2025 registrou a pior queda para os cinemas desde 2022 –, o gerente de programação da Cinesystem, Valdinei Strapasson, aponta que os elevados preços do 3D afastam espectadores de cidades menores. “Recentemente, nenhuma evolução cinematográfica contemplou o 3D”, afirma ele. “As telas cresceram absurdamente, projetores alcançaram o 8K, sistemas de som ficaram mais imersivos, mas o 3D permaneceu o mesmo.”

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Imagem: www1.folha.uol.com.br

Para revitalizar o formato, Strapasson menciona a necessidade de concretizar um dos grandes anseios de James Cameron: o “3D sem óculos”, um conceito amplamente debatido, que se esperava ser introduzido no segundo filme de “Avatar”, mas que hoje não tem previsão de se tornar realidade. A indústria de cinema enfrenta o desafio de inovar para se manter relevante. Mais informações sobre o mercado audiovisual brasileiro podem ser encontradas em relatórios da Agência Nacional do Cinema (Ancine).

A Busca por Experiências Premium e o Fenômeno Imax

Diante da estagnação do 3D e da falta de grandes inovações, a Barco, líder mundial em projeção a laser para cinemas, enfatiza que o público anseia por “experiências premium”. “Espectadores precisam sentir que estão sendo premiados”, declara Gisele Freitas, gerente de vendas da empresa, que aprimora a qualidade visual nas salas. “Eles podem não entender que certo projetor traz mais cores ou maior contraste entre luz e sombra, mas lembram quais salas se destacam.” Strapasson cita telas maiores que a média e sessões VIP, com poltronas reclináveis e serviço de garçons, como alternativas que têm ganhado destaque. “Precisamos mostrar que a ida às salas é única”, afirma. “Disputamos com restaurantes, boliches, teatros. Em circuitos mais populares, até pelo dinheiro que vai para o ‘tigrinho’. Hoje, o espectador tem que sentir que terá uma experiência completa.”

As salas desenvolvidas pela Imax, famosas por suas telas gigantescas e imersão superior, são um exemplo de sucesso notável. Nos últimos anos, filmes produzidos especialmente para este formato, como “Oppenheimer” (2023) e “Duna: Parte 2” (2024), tornaram-se algumas das maiores bilheterias de seus respectivos anos e foram premiados com estatuetas do Oscar. No caso de “Oppenheimer”, de Christopher Nolan, o formato 3D foi completamente dispensado. São inúmeros também os relançamentos que têm ocupado o formato Imax, abrangendo desde filmes-concerto, como o do grupo Talking Heads, até clássicos do Studio Ghibli, restaurados para serem exibidos em telonas. A Imax encerrou 2025 com a maior arrecadação de sua história, totalizando US$ 1,28 bilhão (aproximadamente R$ 6,2 bilhões). A empresa chegou a surpreender a Disney ao firmar um acordo exclusivo para o terceiro “Duna”, previsto para dezembro, levando o estúdio a investir em um formato próprio, o Infinity Vision, para acomodar o novo “Vingadores” no mesmo fim de semana do blockbuster de Denis Villeneuve.

O Futuro das Telas Imersivas e a Interatividade

Ainda não há um consenso sobre como o formato prevalecerá em meio a uma crescente variedade de opções, como salas com cadeiras que se movimentam e telas laterais que oferecem 720 graus de imagens, todas buscando proporcionar experiências imersivas cada vez mais intensas. Nas redes sociais, a subversão do campo de visão em 180 graus já rende frutos, como o curta “Pearl”, indicado ao Oscar. Este projeto foi desenvolvido para reprodução em óculos de realidade virtual, que têm sido apresentados em seleções paralelas de mostras nacionais, como o Festival de Gramado, e em festivais globais, como Cannes.

Para Rachid El Guerrab, produtor de “Pearl”, os cinemas competem com tecnologias cada vez mais acessíveis e precisam se reinventar, pensando como parques de diversões. “O cinema deve ser um lugar de descoberta e encantamento. As pessoas não saem de casa só para ver um filme, mas para mergulhar em outro mundo”, explica. Enquanto James Cameron explora novas abordagens para aproximar o público de seus personagens azuis, Priscilla Durand sugere que o futuro pode residir nas narrativas interativas, um conceito comum em games e que já foi explorado em séries como “Black Mirror”, da Netflix, que permitiu ao espectador decidir os rumos do protagonista em um episódio. A questão que paira é: “Será que, um dia, o espectador mudará um filme com suas reações?”

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A transição do 3D para formatos premium como o Imax e o surgimento de novas tecnologias interativas demonstram a constante evolução do setor cinematográfico em busca de manter a magia da tela grande. Para entender mais sobre as tendências e análises do mercado, continue explorando nossas matérias sobre Análises e outros temas relevantes para o cenário atual.

Crédito da Imagem: Divulgação / Pete Souza