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O dia em que um avião quase derrubou prédio-símbolo de Nova York

O Incidente Avião Empire State Building: Um Dia Inesquecível na História de Nova York O Incidente Avião Empire State Building, ocorrido em 28 de julho de 1945, representa um dos eventos mais singulares e dramáticos na história da aviação e da arquitetura moderna. Embora o choque não tenha sido intencional, o impacto de um bombardeiro … Ler mais

O Incidente Avião Empire State Building: Um Dia Inesquecível na História de Nova York

O Incidente Avião Empire State Building, ocorrido em 28 de julho de 1945, representa um dos eventos mais singulares e dramáticos na história da aviação e da arquitetura moderna. Embora o choque não tenha sido intencional, o impacto de um bombardeiro B-25 Mitchell contra o icônico arranha-céu de Nova York foi histórico, resultando em vítimas e deixando uma marca indelével na memória da cidade. Este artigo detalha os fatos e as consequências desse dia extraordinário.

Naquela manhã de sábado, a cidade de Nova York estava envolta em uma névoa densa e persistente, que reduzia drasticamente a visibilidade. O cenário era de um dia de trabalho normal para muitos, mas as condições climáticas adversas estavam prestes a convergir com um voo rotineiro, transformando-o em uma tragédia inesperada.

O Cenário: Manhã de Sábado e Névoa Densa

Era um sábado, 28 de julho de 1945, e a Segunda Guerra Mundial estava em seus estágios finais, com a Europa já em paz e o conflito no Pacífico se aproximando do fim. A cidade de Nova York, um centro vibrante de atividade, acordou sob um manto espesso de nevoeiro. A visibilidade era tão precária que muitos pilotos foram aconselhados a não voar ou a pousar em aeroportos próximos.

Apesar das condições, o tenente-coronel William F. Smith Jr. estava no comando de um bombardeiro B-25 Mitchell, em uma missão de rotina para transportar pessoal de Bedford, Massachusetts, para o Aeroporto de Newark, Nova Jersey. A aeronave, um símbolo da força aérea americana, estava prestes a se tornar parte de um evento que testaria a resiliência de um dos edifícios mais famosos do mundo.

Névoa densa cobrindo a cidade de Nova York na manhã do Incidente Avião Empire State Building

O Voo Fatídico do B-25 Mitchell

O bombardeiro B-25 Mitchell, pilotado pelo tenente-coronel Smith, havia recebido permissão para voar em baixa altitude sobre a cidade, uma prática comum na época, mas perigosa sob as condições meteorológicas daquele dia. À medida que a aeronave se aproximava de Manhattan, a névoa se intensificou, obscurecendo completamente os pontos de referência visuais que os pilotos usavam para navegação.

O controle de tráfego aéreo alertou Smith sobre a visibilidade zero e o instruiu a pousar no Aeroporto LaGuardia. No entanto, o piloto solicitou permissão para continuar até Newark. A permissão foi concedida, mas com a condição de que ele mantivesse contato visual com o solo. Em meio à confusão e à falta de visibilidade, o B-25 desviou-se de sua rota, voando perigosamente baixo sobre o centro de Manhattan.

Testemunhas no solo relataram ter ouvido o rugido dos motores do avião antes de vê-lo emergir brevemente da névoa, voando em uma altitude alarmantemente baixa. O tenente-coronel Smith, desorientado, tentou evitar os arranha-céus, mas a visibilidade era praticamente nula, tornando a manobra impossível.

O Impacto no Coração de Manhattan

Às 9h40 da manhã, o impensável aconteceu. O bombardeiro B-25 Mitchell colidiu com o lado norte do Empire State Building, entre o 78º e o 79º andares. A aeronave, viajando a aproximadamente 320 quilômetros por hora, abriu um buraco de 5,5 metros de largura e 4,9 metros de altura na estrutura de aço e pedra do edifício.

O impacto foi devastador. Um dos motores do avião atravessou o edifício, saindo pelo lado sul e caindo no telhado de um prédio adjacente, o Penthouse Club, causando um incêndio. O outro motor e parte do trem de pouso caíram em um poço de elevador, cortando os cabos e enviando um elevador em queda livre por 75 andares. Os destroços do avião, incluindo combustível de aviação, espalharam-se pelos andares atingidos e pelas ruas abaixo.

Vista do buraco causado pelo Incidente Avião Empire State Building no 79º andar

As Consequências Imediatas: Fogo e Destruição

O combustível de aviação, altamente inflamável, explodiu em chamas imediatamente após o impacto, transformando os andares 78º e 79º em um inferno. As chamas se espalharam rapidamente, alimentadas por móveis de escritório, papéis e outros materiais combustíveis. A fumaça preta e densa começou a sair das janelas do edifício, alertando a cidade sobre a catástrofe.

Os andares atingidos abrigavam escritórios da War Relief Services, National Catholic Welfare Council e outras organizações. Pessoas que estavam trabalhando nesses andares foram diretamente afetadas pelo impacto e pelo incêndio subsequente. A estrutura interna do edifício sofreu danos significativos, com paredes desmoronando e tetos cedendo.

Apesar da gravidade do incêndio, a resposta foi notavelmente rápida. Os bombeiros de Nova York chegaram ao local em minutos, enfrentando o desafio de combater um incêndio a uma altura sem precedentes. Eles tiveram que subir as escadas, carregando equipamentos pesados, enquanto a fumaça e o calor tornavam a tarefa extremamente perigosa.

Vítimas e Sobreviventes: O Custo Humano

O Incidente Avião Empire State Building resultou na morte de 14 pessoas: o piloto, tenente-coronel William F. Smith Jr., e seus dois tripulantes, além de 11 civis que trabalhavam no edifício. Muitos outros ficaram feridos, alguns gravemente, devido ao impacto, ao fogo e à inalação de fumaça.

Entre as histórias de sobrevivência, destaca-se a de Betty Lou Oliver, uma operadora de elevador. Ela foi arremessada de seu elevador no 80º andar pelo impacto inicial e caiu em outro elevador que estava no 75º andar. Resgatada, ela foi colocada em outro elevador para ser levada ao térreo, mas os cabos desse elevador haviam sido danificados pelo motor do avião que caiu no poço. O elevador despencou 75 andares. Milagrosamente, Betty Lou Oliver sobreviveu à queda, embora tenha sofrido ferimentos graves. Sua história é um testemunho da resiliência humana e da sorte em meio à tragédia.

Equipes de resgate trabalhando no Empire State Building após o Incidente Avião Empire State Building

A Resposta de Emergência e a Resiliência da Estrutura

A resposta de emergência ao Incidente Avião Empire State Building foi um esforço coordenado e heroico. Bombeiros, policiais e equipes de resgate trabalharam incansavelmente para controlar o incêndio, procurar sobreviventes e garantir a segurança do edifício. A altura do incêndio representou um desafio logístico sem precedentes, exigindo que os bombeiros utilizassem os elevadores de serviço e, em muitos casos, subissem as escadas a pé.

A estrutura do Empire State Building demonstrou uma notável resiliência. Projetado para resistir a ventos fortes e outros estresses estruturais, o edifício absorveu o impacto do bombardeiro sem sofrer um colapso catastrófico. Engenheiros e arquitetos rapidamente avaliaram os danos, confirmando que a integridade estrutural geral do arranha-céu não estava comprometida. O edifício, um ícone de engenharia, provou sua robustez em face de uma adversidade extrema.

Os esforços para extinguir o incêndio levaram cerca de 40 minutos, um tempo impressionante considerando a magnitude do incidente e a altura em que ocorreu. A rápida contenção do fogo evitou danos ainda maiores e salvou inúmeras vidas.

O Legado do Incidente Avião Empire State Building

Em menos de um dia após o Incidente Avião Empire State Building, os escritórios nos andares abaixo e acima dos andares atingidos foram reabertos. Os reparos nos andares 78º e 79º foram concluídos em poucos meses, com o custo estimado em cerca de 1 milhão de dólares na época (equivalente a dezenas de milhões hoje). A velocidade da recuperação foi um testemunho da determinação de Nova York e da solidez do edifício.

O incidente levou a mudanças significativas nas regulamentações de aviação. A Civil Aeronautics Administration (CAA), precursora da Federal Aviation Administration (FAA), implementou novas regras para voos sobre cidades, incluindo a criação de zonas de exclusão aérea e aprimoramento dos procedimentos de controle de tráfego aéreo em condições de baixa visibilidade. O evento destacou a necessidade de maior segurança e controle sobre o espaço aéreo urbano.

O Incidente Avião Empire State Building permanece como um lembrete vívido dos perigos da aviação e da capacidade de um edifício icônico de resistir a um evento catastrófico. A história do bombardeiro B-25 e do Empire State Building é contada como um exemplo de engenharia resiliente e da coragem daqueles que responderam à emergência, solidificando o lugar do edifício não apenas como um marco arquitetônico, mas também como um símbolo de resistência.

Fonte: https://www.bbc.com/portuguese/articles/cpqv24xd1p3o?at_medium=RSS&at_campaign=rss

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