O espetáculo Antes de Mim no Fundo, uma obra teatral que mergulha nas profundezas da memória e da ancestralidade feminina, anuncia sua reestreia. Com idealização de Laís Marques e Daniela Schitini, a peça retoma sua temporada no prestigiado Teatro Cacilda Becker, na capital paulista, a partir de 20 de novembro, após um período de sucesso na SP Escola de Teatro. A trama central acompanha uma protagonista em coma que, em um estado onírico, estabelece uma conexão íntima com suas ancestrais, revelando narrativas de perseverança, resiliência e a intrincada vulnerabilidade que as define.
A produção teatral, que conta com a direção habilidosa de Clara Carvalho e a dramaturgia assinada por Daniela Schitini, apresenta Laís Marques, Daniela Schitini e Mariana Muniz no elenco. Através de uma atmosfera que transita entre o sonho, o delírio e a dura realidade, a encenação propõe uma exploração das complexas relações que ligam o presente, o passado e o futuro de diferentes gerações de mulheres dentro de uma mesma linhagem familiar. Este entrelaçamento de tempos gera uma profunda reflexão sobre a essência do feminino, a interação com o universo masculino, a força da ancestralidade e o poder da memória na construção da identidade individual e coletiva.
Reestreia: Antes de Mim no Fundo no Teatro Cacilda Becker
A reestreia de Antes de Mim no Fundo no Teatro Cacilda Becker acontece de 20 a 30 de novembro de 2025, proporcionando ao público uma oportunidade de vivenciar esta experiência imersiva. A proposta da peça é fomentar um diálogo sobre os diversos papéis sociais historicamente atribuídos às mulheres, constantemente desafiadas e oprimidas por padrões sociais limitantes. A obra convida a plateia a desvendar as camadas de uma história que ressoa com as lutas e conquistas do feminino ao longo do tempo.
Um Mergulho no Universo Feminino e na Ancestralidade
A atriz e idealizadora Laís Marques compartilha sua perspectiva sobre a obra, destacando que a ideia de reconciliação, muitas vezes, presume uma disposição do passado para ser perdoado, ou do presente para esquecer. No entanto, Laís enfatiza que a arte, em sua essência, nem sempre busca a conciliação; por vezes, ela desorganiza. Marques descreve a ancestralidade feminina como um vasto campo de ausência e excesso, um repositório tanto do que foi silenciado quanto do que clama por expressão. O teatro, por sua natureza efêmera e encarnada, impõe uma confrontação imediata com essas verdades, sem a conveniência de um “depois”, oferecendo um espaço sagrado onde o que foi calado pode finalmente emergir, mesmo que nem todos compreendam ou estejam dispostos a ouvir.
Para a formação da equipe criativa, Laís Marques buscou colaboradores com a coragem de enfrentar a incerteza e o atrito inerentes ao processo artístico. O convite a Daniela Schitini para a dramaturgia e à aclamada Clara Carvalho para a direção resultou na formação de um grupo que se uniu nesse campo de tensão criativa, um ambiente onde as ideias e as emoções começaram a fluir e a ganhar forma, dando vida ao espetáculo que hoje emociona o público.
Conexões Profundas: A Trama e a Representação Cênica
A peça é uma das três obras que compõem o livro “Trilogia das Águas”, de Daniela Schitini, que explora temas diversos do universo feminino. Na narrativa de Antes de Mim no Fundo, uma mulher que se encontra em coma, vítima de um misterioso afogamento, é transportada para um plano onde pode se encontrar com figuras femininas de sua linhagem familiar: sua irmã, mãe, avó, bisavó e tataravó. Essas encontros revelam uma série de segredos familiares profundamente guardados, oferecendo à protagonista uma nova e transformadora perspectiva sobre os traumas e padrões que moldaram sua existência. Cada ancestral surge trazendo suas próprias vivências, histórias de luta contra a opressão e os desafios enfrentados ao longo de diferentes épocas.
Daniela Schitini, que atua e assina a dramaturgia, explica sua intenção de explorar a fronteira indefinida entre vida e morte para abordar temas de grande relevância. Ela buscou visitar esse espaço limiar, onde se torna possível acessar o inconsciente, as memórias reais e as inventadas, os desejos e feridas mais ocultas, e um alicerce de força ancestral muitas vezes desconhecido. Essa potência emerge na iminência da morte, exigindo uma vitalidade nunca antes experimentada, e permite à protagonista conectar-se com as mulheres que a precederam, reconhecendo-as como o suporte fundamental para sua capacidade de amar e de renascer.
O espetáculo propõe um intenso mergulho em questões de identidade, herança cultural e a vital importância da sororidade, convidando o público a uma reflexão sobre suas próprias histórias e a força coletiva que emana da vivência feminina compartilhada. É uma celebração das vitórias e dos desafios das mulheres, concebendo um espaço de cura e autodescoberta. A sensibilidade e delicadeza da narrativa destacam o papel crucial da memória e da ancestralidade na formação da identidade, tanto individual quanto coletiva. Schitini complementa que o texto aborda um processo de cura e epifania, um movimento de deixar de ser uma pessoa imersa no próprio sofrimento para dar espaço a uma multiplicidade, sendo habitada pelas mulheres que nos deram origem, conectando-se com a força e a fragilidade presentes no fio de amor e dor que nos une ao “antes” e ao “depois”.
A diretora Clara Carvalho detalha que a encenação da peça trabalha com dois planos narrativos distintos: o da realidade, situado em um hospital onde a protagonista se recupera, e o do sonho, o delírio que ela experimenta enquanto elabora seu retorno ou não à vida consciente. A construção do espetáculo é marcada por uma atmosfera de grande fluidez, abordando o tema do suicídio e a vivência feminina dentro da água, ressoando com suas múltiplas reverberações na literatura, no drama, no teatro e na poesia. A busca principal é desenvolver uma linguagem que harmonize o texto poético de Daniela Schitini com uma expressão corporal estilizada e sofisticada, que evoca sensorialmente a ideia de flutuação. Essa “flutuação” é, para Carvalho, uma metáfora para a atmosfera de lembranças, de fluxos internos e de pensamentos.
Carvalho expressa o desejo de que o público deixe o teatro com uma reflexão sobre o papel da mulher dentro de sua própria família. A peça aborda a submissão que as antepassadas frequentemente experimentaram, mas também a libertação que reside em uma essência feminina intrinsecamente livre. A diretora questiona como a sabedoria feminina se manifestou e se consolidou através do tempo, descrevendo a obra como um “rasgão através do tempo”, revelando perfis femininos com suas espertezas, poéticas, libertações e percepções — uma delicadeza aliada a uma força singular. É sobre esse eco que o espetáculo convida à reflexão.
Outro elemento distintivo da encenação é a escolha da atriz Mariana Muniz para dar vida a todas as ancestrais que visitam a protagonista em suas visões. Essa decisão reforça a ideia de que, embora as personagens sejam distintas, suas identidades se entrelaçam, criando uma sensação de espelhamento que evoca clássicos do cinema de Ingmar Bergman, como “Persona” e “Gritos e Sussurros”. A interação entre luz e sombra, presente na montagem, gera uma atmosfera caleidoscópica, permitindo que as figuras femininas se reflitam umas nas outras de forma impactante.
Elenco e Equipe Criativa de Destaque
Laís Marques, artista da cena com 25 anos de experiência, é Mestre e Bacharel em Artes Cênicas pela ECA/USP e formada em dança. Com atuações em séries como “Motel” (HBO) e “Passionais” (Netflix), e filmes como “O Signo Da Cidade”, Laís idealiza seus próprios projetos desde 2019, incluindo os solos “Lágrimas Fritas” e “PAGU 360º”.
Daniela Schitini, jornalista e atriz formada pela Escola de Arte Dramática da USP, é cofundadora do grupo teatral As Graças, onde atuou, produziu e foi dramaturga por duas décadas. Assinou a dramaturgia de espetáculos como “Não Uma Pessoa”, “Marias da Luz” e “Aniversário das Coisas Não Feitas”, e se destacou como atriz em diversas produções, incluindo “A Banda” e “Clarices”.
A premiada Clara Carvalho, diretora, atriz e tradutora, tem uma vasta carreira no teatro brasileiro desde 1986, quando se radicou em São Paulo com o Grupo Tapa. Entre suas direções notáveis estão “Hedda Gabler” (2024), “Escombros” (2023) e “Escola de Mulheres” (2022). Em 2023, foi agraciada com o Grande Prêmio da Crítica da APCA pelo conjunto de sua obra em direção, tradução e atuação, consolidando sua posição como uma figura central nas artes cênicas. A Fundação Nacional de Artes (Funarte) desempenha um papel crucial no fomento e na divulgação de iniciativas artísticas como esta, promovendo a cultura em diversas linguagens por todo o país.
Ficha Técnica:
- Espetáculo: Antes de Mim no Fundo
- Direção: Clara Carvalho
- Dramaturgia: Daniela Schitini
- Elenco: Daniela Schitini, Laís Marques e Mariana Muniz
- Assistente de direção e Stand-in: Suzana Muniz
- Desenho de luz: Wagner Pinto
- Música original e desenho de som: Ricardo Severo
- Cenografia: Evas Carretero
- Figurino: Marichilene Artisevskis
- Produtora de luz: Carina Tavares
- Assistente de luz: Gabriel Greghi
- Operadora de luz: Vânia Jaconis
- Operadora de som: Brenda Umbelino
- Assessoria de imprensa: Pombo Correio
- Designer gráfico: Laerte Késsimos
- Fotógrafo: Bob Sousa
- Cabelo: Bob Toscano
- Produção executiva: Victor Gaette
- Assistente de produção: Guilherme Conrado
- Idealização: Laís Marques e Daniela Schitini
- Produção: Cacildinha Produções
Apoio: Adaap, SP Escola de Teatro – Centro de Formação das Artes do Palco, Restaurante Planetas e Apfel.
Projeto contemplado pelo Governo Federal, Governo do Estado de São Paulo, Política Nacional Aldir Blanc, Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas e o Fomento CULTSP. #ProAC2024 #cacildinhaproducoes
Sinopse:
Em uma atmosfera onírica, o espetáculo “Antes de Mim no Fundo” explora as relações entre presente, passado e futuro das mulheres de uma mesma família. A trama provoca uma profunda reflexão sobre o feminino, a ancestralidade e a memória, discutindo os papéis sociais das mulheres ao longo do tempo e o enfrentamento de padrões opressores.
Serviço Completo: Datas, Ingressos e Localização
Antes de Mim no Fundo, de Daniela Schitini
- Classificação Indicativa: 12 anos
- Duração: 70 minutos
- Local: Teatro Cacilda Becker – R. Tito, 295 – Lapa, São Paulo
- Temporada: 20 a 30 de novembro de 2025
- Horários: De quarta a sábado, às 21h; domingos, às 19h. Sessão extra dia 20 de novembro, às 18h.
- Ingressos: Gratuitos, com distribuição na bilheteria do Teatro e pela internet na Sympla Cacildinha Produções (https://www.sympla.com.br/produtor/cacildinhaproducoes)
- Capacidade: 150 lugares
- Acessibilidade: Teatro acessível a cadeirantes e pessoas com mobilidade reduzida.
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A reestreia de “Antes de Mim no Fundo” promete ser um marco na cena teatral paulistana, oferecendo uma oportunidade singular para o público se conectar com temas universais de identidade, memória e a força da ancestralidade feminina. Não perca a chance de assistir a esta obra impactante no Teatro Cacilda Becker e continue acompanhando as novidades sobre cultura e eventos na nossa editoria de Cidades.
Crédito da imagem: Fotos de Bob Sousa






