A Espanha inicia uma investigação formal contra a Meta, empresa controladora de plataformas como Facebook e Instagram, por suspeitas de possíveis violações da privacidade de seus usuários. O anúncio foi feito nesta quarta-feira (19) pelo primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, sinalizando uma postura rigorosa do governo frente às gigantes tecnológicas.
Sánchez enfatizou que a legislação nacional prevalece sobre quaisquer algoritmos ou grandes plataformas tecnológicas. “Na Espanha, a lei está acima de qualquer algoritmo ou grande plataforma tecnológica. E quem violar nossos direitos arcará com as consequências”, declarou o chefe de governo em comunicado oficial, reiterando o compromisso do país com a proteção dos dados dos cidadãos.
A decisão de abrir a investigação contra a Meta surgiu após uma pesquisa internacional revelar que a companhia havia empregado um mecanismo oculto para monitorar a atividade online de usuários de dispositivos Android. Este fato desencadeou a ação do gabinete de Sánchez, que busca apurar as responsabilidades da empresa norte-americana.
Espanha investiga Meta por violação de privacidade
O Contexto da Investigação Espanhola contra a Meta
A ação do governo espanhol contra a gigante tecnológica americana, liderada pelo bilionário Mark Zuckerberg, pode gerar tensões adicionais nas relações com Washington. Os Estados Unidos, sob o governo do presidente Donald Trump, já haviam expressado críticas a Madri por questões como o não cumprimento das metas de gastos da OTAN e a aproximação com Pequim. A investigação sobre a privacidade da Meta soma-se a um cenário de desentendimentos pré-existentes, potencialmente azedando ainda mais as relações diplomáticas.
A Casa Branca também já havia se manifestado criticamente em relação a legislações europeias importantes. Entre elas, destaca-se a Lei dos Mercados Digitais (DMA, na sigla em inglês), que tem como objetivo limitar o poder de mercado das grandes corporações de tecnologia, e a Lei dos Serviços Digitais (DSA, na sigla em inglês), que impõe às plataformas online a responsabilidade de combater a disseminação de conteúdo ilegal e prejudicial. Essas leis representam um esforço da União Europeia para regulamentar o setor digital e garantir maior proteção aos consumidores e usuários, algo que tem sido visto com ressalvas por parte do governo americano.
Potenciais Violações e Conflitos Anteriores da Meta na Europa
O governo espanhol indicou que a Meta pode ter infringido diversas normas da União Europeia relacionadas à segurança e à privacidade de dados. As leis em questão incluem o Regulamento Geral de Proteção de Dados (RGPD), a Diretiva ePrivacy, a própria DMA e a DSA. A potencial quebra dessas regulamentações europeias coloca a Meta sob escrutínio rigoroso das autoridades espanholas e da União Europeia como um todo, evidenciando a complexidade da conformidade para grandes empresas de tecnologia.
Como parte do processo investigativo, a Meta será formalmente convocada a depor perante uma comissão da Câmara Baixa da Espanha. Este passo é crucial para que a empresa possa apresentar sua defesa e esclarecer as acusações de rastreamento de usuários e possíveis violações de privacidade no Facebook e Instagram. A convocação reflete a seriedade com que o parlamento espanhol está tratando o assunto, buscando transparência e responsabilização em um tema tão sensível quanto a proteção de dados pessoais.
A Meta, sob a liderança de Mark Zuckerberg, não é novata em conflitos com órgãos reguladores europeus. A empresa já enfrentou diversos embates legais com a Comissão Europeia. Em conclusões preliminares divulgadas em outubro, a Comissão afirmou que a Meta e o TikTok não cumpriram sua obrigação legal de conceder aos pesquisadores acesso adequado aos dados públicos, um requisito fundamental para a fiscalização do impacto das plataformas na sociedade e a garantia de um ambiente digital transparente.
Além disso, em 2024, a Comissão Europeia impôs uma multa de 798 milhões de euros à Meta por práticas consideradas abusivas que beneficiaram o Facebook Marketplace, um de seus serviços de comércio eletrônico. No ano anterior, em julho, a mesma instituição acusou a empresa de não aderir às diretrizes da DMA em seu novo modelo de publicidade, indicando um histórico de desafios da Meta em se adequar às rigorosas regulamentações europeias de mercado e concorrência digital.
Repercussões e o Futuro da Regulamentação Digital
A investigação em curso na Espanha contra a Meta reforça o movimento crescente na União Europeia para garantir a soberania digital e proteger os direitos dos cidadãos no ambiente online. A postura firme de governos como o espanhol, aliada às robustas regulamentações como a DMA e a DSA, demonstra a intenção de coibir práticas que possam comprometer a privacidade e a segurança dos usuários, independentemente do porte ou influência das empresas de tecnologia globalmente.
A falta de uma resposta imediata da Meta aos pedidos de comentário sobre a investigação espanhola adiciona uma camada de incerteza sobre como a empresa pretende lidar com as sérias acusações. O desdobramento deste caso será acompanhado de perto por reguladores, defensores da privacidade e pela própria indústria tecnológica, servindo como um precedente importante para a aplicação de leis de proteção de dados e mercados digitais em escala global, impactando a forma como as plataformas operam em diversas jurisdições.
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A investigação da Espanha contra a Meta por suspeitas de violação de privacidade de usuários do Facebook e Instagram é um marco na relação entre governos e grandes plataformas digitais. O caso destaca a importância das legislações de proteção de dados e a determinação da União Europeia em impor limites ao poder das big techs. Continue acompanhando nossas análises sobre política e tecnologia para entender os impactos dessas decisões no cenário global.
Crédito da imagem: EFE/EPA/OLIVIER HOSLET






