Educação Científica e Ambiental: Chave para Salvar o Futuro

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A educação científica e ambiental se consolida como um pilar indispensável para a construção de um futuro resiliente, conforme evidenciado pelos discursos contrastantes na 80ª Assembleia Geral da ONU. Enquanto o presidente brasileiro Lula advogava pela urgência da redução de CO₂ por nações desenvolvidas e pelo suporte ao desenvolvimento sustentável em países historicamente explorados, seu homólogo norte-americano, Donald Trump, adotava uma retórica de negacionismo climático, classificando a mudança do clima como a “maior enganação já feita no mundo”.

Essa divergência ideológica, embora à primeira vista possa parecer desconexa, revela uma profunda intersecção com a qualidade da educação global. A argumentação de Trump, que procura persuadir sua base de que a crise climática é uma invenção e que os combustíveis fósseis são inofensivos, encontra eco na disseminação de “fake news” e na desinformação sistemática. Contudo, seu principal alicerce reside na carência de conhecimento científico por parte da população, uma problemática de escala global. Assim, com o respaldo da máquina pública e das “big techs”, narrativas falsas são frequentemente transformadas em verdades para uma parcela considerável da sociedade, minando a confiança na ciência.

Diante deste panorama complexo, aprimorar a educação científica e ambiental converte-se em um desafio premente para a sociedade contemporânea. O primeiro obstáculo a ser transposto é a insuficiente prioridade atribuída a este tema e a escassez de dados robustos. O debate educacional no Brasil e em muitas outras nações frequentemente se concentra na erradicação dos analfabetismos funcional e matemático. Consequentemente, a instrução científica e ambiental muitas vezes é negligenciada na agenda pedagógica e nas avaliações de larga escala, perdendo espaço para outras urgências percebidas.

Educação Científica e Ambiental: Chave para Salvar o Futuro

O próximo imperativo é conceber uma abordagem pedagógica que habilite os estudantes a apreenderem a gravidade da crise climática e a se engajarem ativamente em seu enfrentamento. Considerando a natureza multifacetada e sistêmica da emergência ambiental, a educação para o meio ambiente deve transcender a simplificação, abraçando a complexidade inerente. Isso implica fomentar a capacidade de análise crítica de dados e promover uma compreensão integrada das ciências da natureza e das humanidades. Diante disso, a formulação de currículos inovadores, o desenvolvimento de recursos didáticos pertinentes e a oferta de programas de formação contínua para educadores tornam-se atribuições centrais para as redes de ensino, assegurando que os professores estejam equipados para abordar essa temática crucial de maneira eficaz e engajadora.

Um terceiro ponto essencial é magnificamente sintetizado na máxima do líder indígena Ailton Krenak: “Se há futuro a ser cogitado, esse futuro é ancestral”. Para efetivamente navegar pelas transformações sistêmicas em curso e edificar uma projeção de futuro genuinamente sustentável, a educação deve forçosamente integrar os valiosos saberes acumulados por povos indígenas, comunidades quilombolas e demais grupos tradicionais. Essas comunidades, ao longo de séculos, têm sido as guardiãs de seus territórios, desenvolvendo práticas e filosofias que garantem a proteção e a manutenção da biodiversidade. Essa fusão de conhecimentos ancestrais com a ciência contemporânea representa uma das maiores potências do Brasil para desenvolver metodologias educacionais inspiradoras em escala global. Além disso, oferece ferramentas vitais para as novas gerações lidarem com a ansiedade gerada pela crise climática, transformando a negação em ação e esperança fundamentada, e promovendo um profundo respeito pela natureza.

Felizmente, iniciativas promissoras já estão em andamento, pavimentando o caminho para um futuro mais consciente. A “VI Conferência Nacional Infantojuvenil pelo Meio Ambiente”, por exemplo, conseguiu engajar escolas de todo o território nacional em discussões profundas sobre as mudanças climáticas, mobilizando milhares de jovens. No cenário regional, o estado do Pará se destaca com sua inovadora “Política de Educação para o Meio Ambiente, Sustentabilidade e Clima”. Esta política abrange desde a alfabetização ambiental em etapas iniciais até a edificação de uma robusta rede global de jovens engajados na causa. Tais empreendimentos representam marcos importantes, abrindo “sendas” – caminhos – que demandam expansão e fortalecimento. A realização da COP30 no Brasil configura-se como uma ocasião ímpar para a formulação e implementação de políticas estruturantes e de longo alcance sobre a temática ambiental e educacional, com um potencial transformador para todo o continente.

A relevância da educação ambiental é reconhecida globalmente como uma ferramenta essencial na ação climática, um tema frequentemente abordado por organizações como o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), que destaca o papel fundamental da educação na mitigação e adaptação aos desafios climáticos. Cultivar a esperança é um passo crucial para mitigar o cenário climático alarmante que se desenha no horizonte. Desenvolver um sistema educacional que nos capacite a compreender as complexidades da crise e a cocriar soluções eficazes é um pré-requisito fundamental para nutrir essa esperança. É imperativo que a educação abrace a totalidade da complexidade inerente aos desafios ambientais e se integre harmoniosamente com as profundas raízes ancestrais, garantindo que, coletivamente, possamos construir um futuro onde a coexistência e a prosperidade sejam acessíveis a todos, sem deixar ninguém para trás.

A relevância da educação científica e ambiental é inegável, funcionando como um farol para as novas gerações. Em um mundo onde a desinformação e o negacionismo climático se proliferam, a capacidade de discernir fatos baseados em evidências científicas e de valorizar o conhecimento tradicional torna-se um escudo protetor e um motor de transformação. Como assinalado pelo editor Michael França, que solicita uma sugestão musical a cada colaborador do espaço Políticas e Justiça da Folha de S. Paulo, Allan Greicon escolheu “Ouro Marrom”, de Jota.pê, uma canção que, talvez, ecoe a profundidade da conexão com a terra e a ancestralidade que esta matéria busca ressaltar.

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Em síntese, a **educação científica e ambiental** transcende o mero aprendizado formal; ela representa uma estratégia de sobrevivência e um convite à cocriação de um futuro mais justo e equilibrado. Para aprofundar-se em como as políticas públicas impactam diretamente o meio ambiente e a sociedade, convidamos você a explorar outras análises e notícias em nossa editoria de Política, e continuar acompanhando os debates cruciais que moldam nosso presente e futuro.

Crédito da imagem: Anderson Coelho/REUTERS