Campos Neto Aborda Críticas sobre Gestão do Banco Master

Economia

Em Paris, Roberto Campos Neto, ex-presidente do Banco Central do Brasil, abordou nesta quinta-feira (27) as recentes críticas direcionadas à sua gestão, em particular no que concerne ao caso do Banco Master. O economista, presente no prestigiado fórum Brasil-França, evento organizado pelo influente grupo empresarial Lide, adotou uma postura cautelosa e por vezes evasiva ao comentar o processo que culminou na liquidação da instituição financeira, tema que tem gerado considerável debate no setor bancário nacional.

A discussão sobre o Banco Master ganhou proeminência após a liquidação judicial da instituição, decretada no último dia 18 pelo Banco Central, que agora está sob a presidência de Gabriel Galípolo, nomeado pelo atual governo. Analistas do setor bancário têm direcionado críticas a Campos Neto, sugerindo que, durante seu mandato, ele teria cedido a pressões políticas, possivelmente negligenciando alertas e permitindo que a situação do Banco Master se deteriorasse a ponto de requerer a intervenção regulatória final.

Campos Neto Aborda Críticas sobre Gestão do Banco Master

Indicado em 2019 pelo então presidente Jair Bolsonaro para um mandato de seis anos que se encerrou em 1º de janeiro deste ano, já sob a gestão Lula, Campos Neto defendeu-se das acusações. “Entendo que às vezes possam ter crítica. Nos EUA a gente teve problemas de banco também, isso acontece em vários lugares do mundo”, declarou. Contudo, rapidamente distanciou-se da responsabilidade direta pelo desdobramento atual, enfatizando o tempo decorrido desde sua saída. “Agora, eu saí do Banco Central já tem um ano, então, mais particular nesse caso, eu acho que o ideal era perguntar para as pessoas que estão lá no dia a dia olhando. E principalmente para as equipes técnicas”, afirmou o ex-presidente do BC.

Campos Neto reiterou a inviabilidade de um comentário aprofundado sobre o Banco Master neste momento, dada a fase atual do processo. “O banco está num processo de liquidação. Então, acho que não cabe a mim agora comentar sobre esse caso, além do que eu já falei”, acrescentou. Sua justificativa baseia-se na dinâmica de que as decisões e monitoramentos em curso são de responsabilidade da atual direção e dos quadros técnicos que atuam diariamente na supervisão e acompanhamento das instituições financeiras.

O executivo fez questão de manifestar sua plena confiança na capacidade e na integridade do corpo técnico do Banco Central. “Acho que é um trabalho da equipe técnica, confio muito na equipe técnica. É a mesma equipe técnica que estava no passado, a mesma equipe que está agora. Então, eu confio no trabalho do Banco Central”, concluiu. Essa declaração busca reforçar a ideia de continuidade e profissionalismo na instituição, independentemente da troca de comando político.

Além das discussões sobre o Banco Master, Roberto Campos Neto também teceu comentários sobre a política monetária brasileira e a taxa Selic. Em um momento do fórum do Lide, que foi dirigido pelo ex-governador de São Paulo João Doria, empresários presentes fizeram brincadeiras e expressaram a expectativa por uma redução nos juros, dada a presença do ex-dirigente do Banco Central. Em resposta, Campos Neto elogiou a performance de seu sucessor, Gabriel Galípolo.

“Acho que o Banco Central tem feito um trabalho muito bom, não teria feito nada diferente do que o Banco Central fez”, disse Campos Neto, endossando as ações da atual diretoria. Ele também reconheceu os méritos da gestão atual: “O presidente Gabriel [Galípolo] tem executado um trabalho que tem ganho de credibilidade ao longo do tempo”. No entanto, fez uma ressalva importante sobre o futuro da taxa de juros no Brasil. Para que o país possa conviver com juros significativamente mais baixos, atingindo um dígito no médio prazo, será essencial, segundo ele, contar com algum tipo de “ajuda do lado fiscal”, um “choque fiscal positivo”, que complemente o trabalho do Banco Central na busca pela estabilidade econômica.

Atualmente ocupando a posição de vice-presidente do conselho de administração do Nubank, Campos Neto também aproveitou a oportunidade para defender, de forma mais ampla, o trabalho dos técnicos do Banco Central. “O Banco Central trabalhou muito. Primeiro, é um trabalho super técnico, que geralmente sai das diretorias do Banco Central, que são as diretorias que estão lá há muito tempo, que foram muito premiadas por muitos anos por estabilidade financeira”, destacou. Ele enfatizou que o Brasil se destacou globalmente como um grande impulsionador da inclusão financeira, um feito atribuído ao rigor e à inovação da equipe do Banco Central, que é fundamental para a manutenção da estabilidade financeira do país.

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A fala de Roberto Campos Neto em Paris reafirma sua visão sobre a autonomia e a competência técnica do Banco Central, ao mesmo tempo em que direciona a responsabilidade por eventos recentes para as equipes atualmente em atuação. Suas ponderações sobre a taxa Selic e a necessidade de apoio fiscal ressaltam os desafios econômicos do Brasil. Para mais análises sobre o cenário econômico nacional e as políticas do Banco Central, continue acompanhando nossa editoria de Economia.

Crédito da imagem: Foto: Ton Molina/Bloomberg