Papa Leão XIV Defende Paz Desarmada em Mensagem de Natal

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Papa Leão XIV defendeu uma paz desarmada e desarmante ao celebrar os ritos de Natal pela primeira vez na noite desta quarta-feira, 24 de dezembro. Desde a imponente Basílica de São Pedro, no Vaticano, o pontífice reiterou uma mensagem de conciliação e harmonia, já veiculada nos dias anteriores, frente a um panorama global marcado por conflitos intensos. A situação atual, com embates em curso em regiões como Sudão, Ucrânia e Gaza, serve de pano de fundo para seu vigoroso apelo pela cessação de hostilidades.

A postura do Sumo Pontífice, que assume a liderança da Igreja há sete meses, ganha relevância especial diante da crescente tensão internacional. Em sua mensagem preparada para o Dia Mundial da Paz, celebrado em 1º de janeiro de 2026 e divulgada antecipadamente, Leão XIV detalhou seu pedido por uma cultura de paz. Ele não apenas clamou por uma paz que seja desarmada, mas também “desarmante”, propondo que a construção desse ideal comece no âmbito doméstico e se estenda à esfera pública, influenciando as políticas e relações entre nações.

Papa Leão XIV Defende Paz Desarmada em Mensagem de Natal

Para o próximo Dia Mundial da Paz, a autoridade máxima da Igreja Católica Apostólica Romana enfatizou a importância do desarmamento. O Papa Leão XIV instou tanto os cristãos quanto, de forma mais incisiva, as autoridades políticas mundiais, a buscarem inspiração em Jesus Cristo. Segundo o pontífice, a trajetória de Cristo exemplifica uma luta “desarmada”, baseada em princípios de amor, perdão e justiça, contrapondo-se à lógica da violência e do confronto.

Em um posicionamento crítico, o Papa Leão XIV condenou veementemente a escalada da corrida armamentista global. Ele apontou para o aumento expressivo das despesas militares por parte das nações, alertando que essa tendência é frequentemente acompanhada por discursos que “difundem a percepção de que se vive sob ameaça e que a segurança deve ser armada”. Essa retórica, segundo o Papa, cria um ciclo vicioso de desconfiança e preparação para a guerra, desviando recursos que poderiam ser empregados em desenvolvimento humano e social.

O pontífice não se limitou a críticas à corrida armamentista tradicional, estendendo sua censura ao uso bélico da inteligência artificial (IA). Ele declarou que a IA “radicalizou a tragédia nos conflitos armados”, citando o conflito em Gaza como um exemplo pioneiro, onde drones guiados por inteligência artificial foram empregados como ferramentas de intimidação, vigilância e, inclusive, para ataques. A utilização de tecnologias avançadas com propósitos destrutivos eleva os riscos e a complexidade dos confrontos, gerando preocupações éticas e humanitárias profundas.

O alerta do Papa Leão XIV sobre a IA bélica se aprofundou na preocupação com a possível “desresponsabilização dos líderes políticos e militares”. Ele destacou que a crescente delegação de decisões cruciais sobre a “vida e a morte das pessoas” a máquinas representa um perigoso precedente. Essa automatização da guerra, conforme sua análise, pode levar a uma “espiral de destruição sem precedentes”, comprometendo os fundamentos do “humanismo jurídico e filosófico do qual qualquer civilização depende e pelo qual é protegida”. A ética da guerra e a responsabilidade moral dos envolvidos são postas em xeque por essas novas tecnologias.

Em seus sete meses à frente da Cátedra de Pedro, o papa busca incansavelmente incentivar as nações a fomentar o apoio mútuo, o diálogo construtivo e a confiança recíproca, alinhando-se a princípios de cooperação internacional que visam a resolução de conflitos, conforme diretrizes defendidas por instituições como a Organização das Nações Unidas. A mensagem papal para o Dia Mundial da Paz vai além da oração, propondo que as pessoas cultivem o intercâmbio com outras tradições e culturas. Essa abertura ao diálogo intercultural e inter-religioso é vista como um caminho essencial para superar preconceitos e construir pontes em um mundo fragmentado. “Em todo o mundo, é desejável que cada comunidade se torne uma ‘casa de paz’, onde se aprende a neutralizar a hostilidades através do diálogo, se pratica a justiça e se conserva o perdão”, reforçou o líder católico.

Concluindo sua exortação principal, o Papa Leão XIV sublinhou a necessidade de demonstrar que “a paz não é uma utopia”. Para ele, isso deve ser alcançado “através de uma criatividade pastoral atenta e generativa”. A Igreja e seus fiéis são chamados a agir de forma proativa, buscando soluções inovadoras e engajamento prático para a promoção da paz no cotidiano, provando que a convivência harmônica é um objetivo tangível e realizável, não apenas um ideal distante.

Líderes Religiosos Reforçam Apelo Papal pela Paz

A mensagem do Papa Leão XIV reverberou entre líderes de outras religiões no Brasil. Marco Davi de Oliveira, teólogo e pastor batista, ofereceu sua análise sobre o pronunciamento do pontífice. Em um país onde católicos apostólicos romanos são a maioria, mas com uma proporção crescente de evangélicos, a reflexão papal para iniciar o ano de 2026 foi avaliada como “feliz” por provocar uma “profunda reflexão sobre a paz”. O pastor evangélico enfatizou a importância de, primeiramente, encontrar a paz interior, confrontando conflitos pessoais, para então conseguir estender essa reflexão ao mundo circundante. Ele observou que “muitas vezes, atitudes violentas são reflexo de guerras interiores e de falta de Justiça”, citando um trecho profético do Livro de Isaías para contextualizar sua visão. “O papa está correto em falar da paz desarmante. Ele nos ajuda a compreender que devemos usar todas as nossas estratégias, nossa fé, nossa compreensão de mundo, para produção da paz. Primeiro, em nós mesmos, e, depois, no outro”, avaliou o pastor Marco Davi.

Na mesma linha, o pastor e cantor gospel Kleber Lucas manifestou sua concordância. Ele acredita que o Papa Leão XIV dá continuidade ao significativo legado de seu predecessor, o Papa Francisco, ao chamar a atenção global para a urgência inadiável da paz mundial. Para Lucas, a partir do momento em que o papa articula essas reflexões, ele “acaba sendo um agente do Reino de Deus em um mundo que precisa praticar mais a paz”. O desafio de “praticar a paz” em nosso tempo, segundo ele, reside na promoção contínua do diálogo, do respeito mútuo, da tolerância e de uma “prática cotidiana de conciliação”. Essas ações, conforme sua interpretação, são fundamentais para a construção de um ambiente de harmonia e entendimento.

Geraldo Campetti, vice-presidente da Federação Brasileira Espírita, também destacou a relevância do tema da paz. Ele afirmou que a paz faz parte das “bem-aventuranças da felicidade” e que, em meio a tantos conflitos que assolam o planeta, ela se torna mais do que uma necessidade. “A paz é uma conquista que a gente deve empreender todos os dias na nossa vida”, reforçou Campetti, reiterando a perspectiva de que a paz é um esforço diário e pessoal. Em sua avaliação, “o papa foi certo na sua análise, e o espiritismo vai na mesma sintonia, porque todos nós queremos ser felizes, não é? E não há como ser feliz plenamente se não houver paz”, reivindicou o líder espírita. O primeiro passo para essa conquista, segundo ele, é a auto-reflexão. “Muitas vezes, criamos muros, por preconceito, por julgamentos, e a gente precisa aprender a ter um olhar mais inclusivo, tal qual Jesus nos ensinou, de entendimento, de busca de uma relação fraternal, entre as pessoas e os povos”, disse, harmonizando-se com a visão papal.

Para o babalaô Ivanir dos Santos, todas as grandes lideranças religiosas convergem na defesa de um ambiente de harmonia, diálogo e respeito, corroborando a mensagem papal. No entanto, Ivanir dos Santos, que é interlocutor da Comissão de Combate à Intolerância Religiosa (CCIR) e representa as religiões de matriz afro-brasileira, além de professor na Universidade Federal do Rio de Janeiro, fez uma ressalva importante. Ele alertou que, no Brasil, a fé tem sido, por vezes, desviada para a mobilização de interesses políticos e a geração de discórdia, uma questão que o papa também abordou indiretamente em sua mensagem. Ivanir dos Santos cobrou que a mensagem do Papa Leão XIV se materialize em “gestos concretos dos cristãos”, denunciando que “o papa fala em uma direção, mas tem autoridades cristãs católicas que têm ação diferente”, evidenciando a lacuna entre o discurso e a prática em alguns setores.

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A mensagem do Papa Leão XIV ressalta a importância de uma paz desarmada, baseada no diálogo e no respeito mútuo, em um mundo assolado por tensões e conflitos. Seus apelos à reflexão sobre a corrida armamentista e o uso ético da inteligência artificial bélica, somados às vozes de líderes religiosos brasileiros, convergem para a urgência de construir uma cultura de paz global. Para aprofundar suas reflexões sobre questões de governança e sociedade, explore mais notícias na nossa editoria de Política.

Crédito da imagem: Reuters/Massimo Valicchia/NurPhoto/Proibida reprodução