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Acordo Mercosul UE: Alckmin espera entrada em vigor em 2026

Política

O Acordo Mercosul União Europeia está na iminência de ser formalmente assinado, com a projeção do governo brasileiro de que sua plena vigência ocorra ainda no ano de 2026. A declaração foi feita pelo vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, nesta sexta-feira, 9 de janeiro de 2026, destacando a expectativa de benefícios substanciais para a economia e a sociedade do Brasil e de toda a região do Mercosul.

Para que o pacto comercial se torne efetivo, o processo exige a “internalização”, conforme explicou Alckmin em entrevista à imprensa. Isso significa que o acordo necessita de aprovação tanto do Parlamento Europeu quanto dos Congressos Nacionais de cada país membro do Mercosul – Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai. A celeridade na aprovação é vista como crucial para o avanço das relações comerciais. A sociedade, segundo o vice-presidente, será uma das maiores beneficiadas, com a promessa de acesso a produtos de maior qualidade e preços mais acessíveis no mercado interno.

Acordo Mercosul UE: Alckmin espera entrada em vigor em 2026

Uma particularidade mencionada por Alckmin é a possibilidade de o Brasil não depender da ratificação simultânea dos outros países do bloco sul-americano para iniciar a vigência do acordo. “Se o Congresso Brasileiro votar no primeiro semestre, nós não dependemos da Argentina, Paraguai e Uruguai, para já entrar em vigência”, afirmou o vice-presidente, sublinhando o potencial de autonomia e proatividade do Brasil no processo.

Potencial de Empregos e Investimentos

Geraldo Alckmin enfatizou que o Acordo Mercosul União Europeia representa um catalisador significativo para a geração de empregos e a atração de novos investimentos para o Brasil. A abertura de mercado e a harmonização de regras comerciais são vistas como elementos que impulsionarão o fluxo de capital e a criação de postos de trabalho em diversas áreas.

“Nós deveremos ter mais investimentos europeus na região do Mercosul e no Brasil, e mais investimentos brasileiros nos 27 países da Europa”, previu o vice-presidente. Essa via de mão dupla de investimentos é um dos pilares da expectativa de crescimento econômico e fortalecimento das cadeias produtivas de ambos os blocos. O pacto, conforme detalhado pelo Itamaraty, representa um marco significativo nas relações comerciais entre os blocos, podendo ser explorado mais a fundo no site oficial do governo: https://www.gov.br/mre/pt-br/canais_vendas/comercio_exterior/mercosul/acordo-de-associacao-mercosul-uniao-europeia.

Fortalecimento do Multilateralismo e Comércio Global

Alckmin também ressaltou o papel do acordo no fortalecimento do multilateralismo, em um cenário global que, segundo ele, tem demonstrado uma inclinação preocupante ao isolacionismo. A cooperação entre blocos econômicos tão importantes, como o Mercosul e a União Europeia, envia uma mensagem clara sobre a importância das relações comerciais baseadas em regras e diálogo.

A relevância da União Europeia como parceiro comercial do Brasil foi destacada, posicionando-a como o segundo maior destino das exportações brasileiras, atrás apenas da China. No ano passado, a corrente comercial entre o Brasil e a UE, somando exportações e importações, atingiu a expressiva marca de US$ 100 bilhões. Um exemplo concreto do dinamismo dessa relação é a indústria de transformação brasileira, que exportou US$ 23,6 bilhões para a União Europeia, registrando um crescimento de 5,4% neste setor, enquanto o crescimento global para essa indústria foi de 3,8%.

Além disso, o vice-presidente enfatizou a abrangência do impacto do acordo ao observar que a União Europeia foi o primeiro ou o segundo destino das exportações de 22 estados brasileiros no último ano. Mais de 30% dos exportadores do país, o que corresponde a mais de 9 mil empresas, vendem seus produtos para o continente europeu. Essas empresas, por sua vez, são responsáveis por empregar mais de três milhões de trabalhadores, evidenciando a capilaridade e a importância do comércio com a UE para a economia nacional.

Acordo Mercosul UE: Alckmin espera entrada em vigor em 2026 - Imagem do artigo original

Imagem: agenciabrasil.ebc.com.br

Sustentabilidade e Contexto Geopolítico

O Acordo Mercosul União Europeia vai além das cifras econômicas, conforme salientou Alckmin. Ele possibilita o estabelecimento de um comércio com regras claras e fortalece o compromisso dos países no combate às mudanças climáticas, promovendo a sustentabilidade. “É um ganha-ganha. Quem for mais competitivo vende”, afirmou, destacando a lógica de mercado aliada à responsabilidade ambiental.

Ainda segundo o vice-presidente, a importância do acordo é amplificada pelo atual momento geopolítico, caracterizado por instabilidade e conflitos. A concretização de um pacto tão robusto demonstra que “é possível construir caminho de comércio com regras, de abertura comercial e de fortalecimento não do isolacionismo, mas do multilateralismo”, reforçando a tese de que a cooperação é o caminho em tempos desafiadores.

Confirmação e Decisão Histórica

A aprovação do acordo comercial com o Mercosul recebeu uma confirmação significativa nesta mesma sexta-feira. Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, anunciou que o pacto foi apoiado por uma ampla maioria dos países integrantes da União Europeia. Em uma publicação no microblog X, Ursula von der Leyen descreveu a decisão do Conselho de apoiar o Acordo UE-Mercosul como “histórica”.

A presidente da Comissão Europeia reiterou o compromisso do bloco com o crescimento econômico e a geração de empregos. “Estamos empenhados em criar crescimento, empregos e em garantir os interesses dos consumidores e das empresas europeias”, escreveu, sinalizando a importância estratégica e os benefícios esperados por parte da UE com a implementação do acordo.

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Em suma, a expectativa do governo brasileiro para a entrada em vigor do Acordo Mercosul União Europeia em 2026 é um reflexo do potencial de crescimento econômico, geração de empregos e fortalecimento das relações comerciais globais. A aprovação deste pacto não apenas promete dinamizar o comércio e os investimentos, mas também reforça o multilateralismo e os compromissos com a sustentabilidade em um cenário geopolítico complexo. Para mais análises sobre o cenário econômico e suas implicações, continue acompanhando nossa editoria de Economia.

Crédito da imagem: EBC