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Mercados Globais: Inflação, Varejo e Balanços Agitam o Dia

Economia

Nesta quarta-feira (14), os mercados globais direcionam sua atenção para uma série de indicadores econômicos cruciais e eventos políticos que podem definir rumos. O foco principal recai sobre os Estados Unidos, com a divulgação dos dados de vendas no varejo e do índice de preços ao produtor (PPI), métricas atentamente acompanhadas pelo Federal Reserve (Fed), o banco central norte-americano. Analistas preveem que o PPI registrou um aumento de 2,70% em uma base anual, sublinhando as preocupações com a dinâmica inflacionária.

A pauta econômica dos EUA é intensificada pelas recentes declarações do ex-presidente Donald Trump, que, na terça-feira, celebrou os números da inflação, utilizando-os para reiterar sua pressão sobre o presidente do Fed, Jerome Powell, exigindo uma redução significativa das taxas de juros. Essa pressão externa se soma a uma crise interna que o Fed enfrenta desde o início da semana, com a abertura de uma investigação pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos contra Powell. O próprio presidente do Fed interpretou a investigação como um artifício para forçar o banco central a baixar as taxas, algo que Trump tem defendido insistentemente ao longo do tempo. Segundo Trump, Powell é um “idiota” e estará “fora do cargo em breve”, expressando o desejo de ter no comando do Fed alguém que reduza os juros em cenários de mercado favoráveis, lamentando que, em outros tempos, as taxas diminuiriam diante de bons indicadores econômicos.

Mercados Globais: Inflação, Varejo e Balanços Agitam o Dia

Ainda na agenda americana, o Federal Reserve divulga, no final do dia, o aguardado Livro Bege. Este relatório compila avaliações qualitativas da economia provenientes dos 12 distritos que compõem o sistema do banco central norte-americano, oferecendo uma visão abrangente do panorama econômico regional. Adicionalmente, o mercado permanece vigilante em relação a uma possível decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos sobre as tarifas globais que foram impostas pelo ex-presidente Donald Trump. Tais tarifas, quando anunciadas em abril, geraram considerável volatilidade nos mercados financeiros internacionais.

No âmbito corporativo, os investidores estão na expectativa dos balanços de grandes instituições financeiras. Após os resultados considerados decepcionantes do JPMorgan na véspera, o mercado aguarda com atenção os relatórios do Bank of America, Wells Fargo e Citigroup, que serão divulgados antes da abertura do pregão. Essas informações são cruciais para avaliar a saúde do setor bancário e seu impacto na economia geral. Para aprofundar a compreensão sobre as políticas monetárias que influenciam esses resultados, o portal oficial do Federal Reserve oferece um calendário detalhado de suas reuniões e decisões.

No cenário doméstico brasileiro, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) é o responsável pelo principal dado do dia, com a divulgação da produção industrial regional referente a novembro, marcada para as 9h. Além disso, o fluxo cambial semanal será publicado, fornecendo uma fotografia das movimentações de moeda estrangeira no país. Em uma conversa com jornalistas na terça-feira, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, anunciou que o governo central encerrou o ano de 2025 com um déficit primário estimado em 0,1% do Produto Interno Bruto (PIB). Este resultado está em conformidade com a meta de déficit zero para o ano, que prevê uma margem de tolerância de 0,25% do PIB.

A agenda política nacional também movimenta o dia. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva inicia sua rotina às 9h, com um encontro com o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, no Palácio do Planalto. Às 11h, Lula recebe o ministro da Fazenda, Fernando Haddad. No período da tarde, a agenda prossegue com uma reunião às 14h40 com o secretário especial para Assuntos Jurídicos da Casa Civil, Marcelo Weick. Às 15h, o presidente tem um encontro com o ministro da Secretaria de Comunicação Social, Sidônio Palmeira, e com o secretário de Imprensa da pasta, Laércio Portela. Para finalizar o dia, às 16h30, ele recebe o ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, e encerra a agenda às 17h30 com o ministro da Educação, Camilo Santana, também no Palácio do Planalto.

Ainda no Brasil, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou na terça-feira (13) o Projeto de Lei Complementar (PLP) 108/2024, que estabelece o comitê gestor do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS). Este órgão será responsável pela administração e coordenação do novo imposto de Estados e municípios, concluindo, assim, a regulamentação da reforma tributária. O Palácio do Planalto não detalhou a existência de vetos ao texto, que foi aprovado pelo Congresso em dezembro. Durante a cerimônia de lançamento da plataforma digital da reforma tributária, realizada na sede do Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro) em Brasília, Lula expressou agradecimento ao ministro Fernando Haddad por sua “competência e paciência” na condução do processo, estendendo os agradecimentos aos técnicos da pasta.

Em outras frentes internacionais, ministros brasileiros e sauditas formalizaram um acordo significativo. O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, e o ministro da Indústria e Recursos Minerais da Arábia Saudita, Bandar Al-Khorayef, assinaram um memorando de entendimento para cooperação bilateral no setor minerário. Com vigência de cinco anos, o acordo visa estimular o intercâmbio de conhecimento, promover investimentos e fomentar o desenvolvimento conjunto de tecnologias aplicadas à geologia e mineração, respeitando as legislações de cada país. O comunicado do Ministério de Minas e Energia (MME) destaca a previsão de troca de especialistas, programas de capacitação e transferência de tecnologias.

Outros eventos internacionais de destaque incluem os protestos de agricultores franceses que, na terça-feira (13), conduziram cerca de 350 tratores pelas ruas de Paris até o Parlamento. Os manifestantes protestavam contra os baixos salários e um acordo comercial da União Europeia (UE) com a América do Sul, que, segundo eles, representa uma ameaça aos seus meios de subsistência. A manifestação causou transtornos no trânsito e atravessou importantes avenidas da capital francesa. O ex-presidente Donald Trump também comentou a situação no Irã, afirmando que os Estados Unidos tomariam “medidas muito fortes” caso o governo iraniano procedesse com o enforcamento de manifestantes, embora não tenha detalhado quais seriam essas ações.

A agenda detalhada de indicadores econômicos para o dia inclui: para os Estados Unidos, às 10h30, o Índice de Preços ao Produtor (PPI), com previsão mensal de +0,20% e anual de +2,70%. Às 12h00, são esperados os Estoques Empresariais, com projeção de +0,20%. Já às 12h30, a Agência Internacional de Energia (AIE) divulga os Estoques de Petróleo, com uma previsão de redução de 2,238 milhões de barris. No Brasil, o indicador de Fluxo Cambial será divulgado às 14h30. Além disso, às 10h, a Genial/Quaest libera uma pesquisa eleitoral e de avaliação do governo. À tarde, o presidente do Federal Reserve de Minneapolis, Neel Kashkari, participa de um fórum às 14h, e às 16h10, o presidente do Federal Reserve de Nova York, John Williams, discursa na abertura de um evento institucional.

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Em suma, a quarta-feira é marcada por uma intensa agenda econômica e política que dita o ritmo dos mercados globais. Desde a inflação nos EUA e os balanços dos grandes bancos, passando pela agenda de Lula no Brasil e a reforma tributária, até acordos internacionais e protestos, todos esses fatores contribuem para um cenário dinâmico. Para acompanhar de perto esses e outros desenvolvimentos que impactam a economia, continue explorando nossa editoria de Economia.

Crédito da imagem: Agência Brasil