O cenário econômico global e doméstico apresentou uma série de importantes movimentações nesta quinta-feira, dia 22. Os mercados financeiros, tanto nos Estados Unidos quanto no Brasil, estiveram atentos à divulgação de indicadores cruciais e a desdobramentos políticos e corporativos que moldam as expectativas para o futuro próximo. Nos EUA, o foco se voltou para dados de inflação e crescimento econômico, enquanto no Brasil, a Bolsa de Valores registrou marcos históricos e a agenda governamental trouxe atualizações relevantes.
A atenção dos investidores internacionais concentrou-se particularmente nos Estados Unidos, onde foram liberados dados de grande impacto. Entre eles, destacou-se o Índice de Preços de Despesas de Consumo Pessoal (PCE) de novembro, um indicador primordialmente acompanhado pelo Federal Reserve (Fed) para avaliar a inflação. A divulgação deste índice foi postergada devido à paralisação governamental, conhecida como “shutdown”, que durou 43 dias e foi encerrada em novembro. Além do PCE, o mercado aguardava a leitura final do Produto Interno Bruto (PIB) do país referente ao terceiro trimestre, com uma projeção de crescimento de 4,3% em base anualizada. Os dados semanais de auxílio-desemprego também integraram a lista de divulgações econômicas previstas para esta quinta-feira, oferecendo um panorama da saúde do mercado de trabalho americano.
Cenário Econômico: PIB e Inflação EUA, Arrecadação Brasil
Paralelamente aos indicadores macroeconômicos, a temporada de balanços corporativos nos Estados Unidos continuou aquecida, com grandes nomes da indústria divulgando seus resultados. Nesta quinta-feira, as empresas General Electric, Intel e Procter & Gamble apresentaram os números referentes ao último trimestre do ano passado, fornecendo insights sobre o desempenho de setores chave da economia. No dia anterior, quarta-feira, foi a vez de Charles Schwab e Johnson & Johnson revelarem seus balanços do quarto trimestre, adicionando mais informações ao quadro financeiro do país.
A Johnson & Johnson, em particular, chamou a atenção ao divulgar projeções de vendas e lucros para o ano que superaram as expectativas de Wall Street. Este anúncio ocorreu mesmo após a empresa ter sido impactada por um acordo milionário. O pacto previa a redução dos preços de medicamentos nos EUA, em troca de isenções de tarifas anteriormente impostas pela administração Trump, demonstrando a capacidade da gigante farmacêutica de navegar em um ambiente complexo de políticas comerciais e de saúde.
Desempenho Recorde do Ibovespa no Brasil
No cenário doméstico, a quarta-feira foi marcada por um dia histórico para o mercado financeiro brasileiro. O Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores de São Paulo, alcançou um patamar inédito, ultrapassando os 171 mil pontos e renovando seus recordes. Pela primeira vez na história, o índice registrou uma alta de 3,3%, fechando em 171.816,67 pontos, o que representa um novo recorde de fechamento. Durante a sessão, o Ibovespa atingiu uma máxima intradia de 171.969,01 pontos, consolidando um forte apetite por risco por parte dos investidores.
Esse movimento de alta expressiva no Brasil foi impulsionado por uma leitura positiva de eventos internacionais. O retorno do apetite por risco ocorreu após o então presidente dos EUA, Donald Trump, descartar o uso de força militar e sinalizar que se absteria de impor tarifas à Europa. As declarações foram feitas no Fórum Econômico Mundial em Davos, e foram interpretadas pelos investidores como um sinal de alívio das tensões geopolíticas e comerciais globais, especialmente após um acordo referente à Groenlândia ter sido anunciado.
Agenda Econômica e Política Doméstica
A agenda doméstica desta quinta-feira também foi intensa, com importantes encontros e coletivas de imprensa. A Secretaria Especial da Receita Federal, por exemplo, programou uma entrevista coletiva para as 11h. Na ocasião, o secretário Robinson Barreirinhas, acompanhado por Claudemir Malaquias (chefe do Centro de Estudos Tributários e Aduaneiros) e Marcelo Gomide (coordenador de Previsão e Análise), comentou os resultados da arrecadação federal de dezembro e apresentou o balanço acumulado de 2025, fornecendo dados cruciais para a análise fiscal do país.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva também manteve uma série de compromissos oficiais. Às 10h, reuniu-se com Marco Aurélio Marcola, chefe do Gabinete Pessoal da Presidência, e Oswaldo Malatesta, chefe do Gabinete Adjunto de Agenda. No período da tarde, às 15h30, o presidente teve um encontro com o ministro da Secretaria de Comunicação Social (Secom), Sidônio Palmeira, e com o secretário de Imprensa da Secom, Laércio Portela. Encerrando sua agenda oficial, às 17h, Lula reuniu-se com Paulo Teixeira, ministro do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar.
Decisões do Banco Central e Ações Presidenciais
No âmbito financeiro, Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central do Brasil, teve uma agenda reservada e estratégica. Entre 12h30 e 14h, Galípolo se reuniu com Vinícius de Carvalho, ministro da Controladoria-Geral da União (CGU), na sede do BC em Brasília, em um encontro fechado à imprensa. Mais tarde, das 15h às 17h, participou, por meio eletrônico, de uma reunião do Conselho Monetário Nacional (CMN), também sem acesso da imprensa, o que ressalta a importância e a sensibilidade dos temas discutidos.

Imagem: infomoney.com.br
Ainda em relação às decisões governamentais, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou uma medida provisória (MP) crucial para a educação. A MP estabelece uma nova regra para o reajuste anual do piso salarial dos professores da rede pública. O cálculo previsto no texto combina a reposição da inflação com um percentual adicional, baseado na contribuição dos Estados ao Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb). A Secretaria de Comunicação Social da Presidência (Secom) confirmou que a medida provisória prevê um aumento de 5,4% para o piso do magistério neste ano, elevando-o de R$ 4.867,77 para R$ 5.130,63.
Eventos e Tensões Globais
Além dos desdobramentos nos EUA e no Brasil, o cenário internacional foi palco de eventos marcantes. Donald Trump, então presidente dos EUA, recuou abruptamente de suas ameaças de impor tarifas como forma de pressionar a negociação sobre a Groenlândia, após semanas de retórica que poderiam levar a uma ruptura nas relações transatlânticas. Trump anunciou em sua plataforma Truth Social que havia sido formado o “arcabouço de um futuro acordo” para a Groenlândia e toda a região do Ártico, o que resultou na suspensão das tarifas que entrariam em vigor em 1º de fevereiro.
Em outra frente econômica, Trump expressou, em entrevista à CNBC durante o Fórum Econômico Mundial de Davos, seu desejo de ver uma taxa máxima de 10% nas taxas de cartão de crédito, criticando a taxa atual de 28% como “absurda” e prejudicial às famílias. Na Espanha, o maior sindicato de maquinistas convocou uma greve nacional de três dias, de 9 a 11 de fevereiro, em resposta a três descarrilamentos em 48 horas que deixaram dezenas de mortos, incluindo dois maquinistas. Um dos acidentes ocorreu na terça-feira em Gelida, perto de Barcelona, quando um trem de passageiros descarrilou após um muro de contenção desabar sobre os trilhos durante fortes chuvas.
Medidas Econômicas e Sociais no Brasil
Voltando ao Brasil, o Banco Central (BC) decretou a liquidação extrajudicial do Will Bank. A instituição estava sob Regime de Administração Especial Temporária (Raet) desde novembro, quando a liquidação do Banco Master foi decretada. A decisão desta quarta-feira, assinada pelo presidente do BC, Gabriel Galípolo, foi tomada por extensão, citando que o controle do Will Bank era exercido pelo Banco Master, consolidando as ações regulatórias no setor financeiro.
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Em síntese, a quinta-feira foi um dia de múltiplos anúncios e movimentos no panorama econômico e político, desde a divulgação de indicadores financeiros cruciais nos EUA e o desempenho histórico do Ibovespa, até as agendas de lideranças políticas e decisões regulatórias no Brasil. Para continuar acompanhando as notícias mais relevantes e aprofundar-se nos desdobramentos que afetam o mercado e a sociedade, explore mais em nossa editoria de Economia.
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