A surpreendente história dos 261 municípios de SP que já foram parte da cidade de São Paulo revela a magnitude territorial que a capital paulista possuía em seus primórdios. Um estudo aprofundado, organizado e disponibilizado pela Fundação Seade (Sistema Estadual de Análise de Dados) em sua “Memória das Estatísticas Demográficas do Estado de São Paulo”, desvenda como a extensão geográfica da metrópole evoluiu ao longo dos séculos, demonstrando que centenas de cidades paulistas de hoje já estiveram sob sua jurisdição.
Atualmente, a cidade de São Paulo ocupa uma área de 1.521 km², classificando-se como o 979º maior município brasileiro em extensão. Contudo, essa dimensão é apenas uma fração do que o território da capital representava em sua fundação. Naquele período inicial, a área correspondente aos limites de São Paulo englobava o que hoje conhecemos como outros 261 municípios paulistas, o que atesta a vasta abrangência geográfica original da cidade que viria a ser o coração econômico do Brasil.
Com base na rica história da formação territorial do estado, foi possível realizar uma minuciosa reconstituição aproximada da evolução do desenho geográfico da capital paulista. Esta análise, sustentada por registros históricos detalhados, permite compreender as contínuas transformações que moldaram o mapa da metrópole.
História: 261 Municípios de SP Foram Parte da Capital
Através de um cuidadoso levantamento de decretos e leis que estabeleceram a formação de cada unidade municipal, a Fundação Seade, em seu portal “Desmembramento dos Municípios Paulistas”, tornou pública a linhagem de cada cidade, indicando o ano e qual município deu origem a qual, configurando um valioso repositório para o entendimento da geografia histórica do estado.
A primeira divisão territorial de São Paulo marca o início dessa fascinante jornada. Fundada em 1554 como o Povoado de São Paulo de Piratininga, a localidade ascendeu à categoria de município em 1558. Naquele tempo, a abrangência municipal da capital se estendia significativamente, chegando até a região noroeste do estado. Essa vasta área incluía o que hoje corresponde aos 261 municípios que, posteriormente, se desmembrariam da capital, mostrando a proporção gigante do município original.
A Linha do Tempo dos Desmembramentos
A história da diminuição territorial da cidade de São Paulo é marcada por uma série de desmembramentos importantes. O primeiro grande marco ocorreu em 1625, quando Santana de Parnaíba se emancipou de São Paulo. A área desgarrada de Santana de Parnaíba era tão expressiva que, por sua vez, daria origem a uma impressionante quantidade de 220 outros municípios ao longo dos séculos, evidenciando a grandiosidade do território inicial da capital.
Quase um século e meio depois, em 1769, foi a vez de Atibaia se separar de São Paulo. Assim como Santana de Parnaíba, Atibaia também era um vasto território que, posteriormente, se dividiria para formar 15 novos municípios, contribuindo ainda mais para a complexidade do mapa paulista e para a redução da área da capital original.
O século XIX trouxe novas rupturas territoriais. Em 1832, Santo Amaro se desmembrou de São Paulo. A partir de 1877, essa nova municipalidade, Santo Amaro, também serviria de base para a formação de seis outros municípios. Esse processo de subdivisão demonstra a dinâmica constante de reconfiguração administrativa e geográfica que marcou o desenvolvimento do estado.
Em 1856, Cotia se emancipou de São Paulo, em mais um passo para o desenho atual da capital. No século XX, Cotia se tornaria a origem de três outros municípios que hoje integram a Região Metropolitana de São Paulo, consolidando sua importância na malha urbana da grande metrópole.
A década de 1880 presenciou mais desmembramentos significativos. Em 1880, Guarulhos se separou de São Paulo, uma decisão que impactaria diretamente a formação da atual Grande São Paulo. A partir de seu território, Guarulhos daria origem a quatro outros municípios que compõem essa importante região metropolitana, reforçando a descentralização territorial.

Imagem: www1.folha.uol.com.br
Pouco antes do fim do século, em 1889, Santo André se desmembrou da capital paulista. Essa emancipação resultou em uma redução ainda maior da área de São Paulo, configurando-a com uma extensão menor do que a que possuía anteriormente. O território de Santo André, por sua vez, deu origem a seis municípios que hoje formam a essencial região do ABC paulista, um polo industrial e populacional de grande relevância.
No século XX, o município de Santo Amaro teve seu destino alterado. Em 1935, foi extinto e reincorporado à capital paulista, passando a funcionar como uma subprefeitura. Contudo, a área que São Paulo recebeu de volta era menor do que a que havia perdido em 1832. Isso se deve ao fato de que, em 1877, Itapecerica da Serra já havia se emancipado de Santo Amaro, demonstrando a intrincada cadeia de formações e divisões que permeou a história municipal.
O processo de desmembramentos da capital paulista chegou ao seu último capítulo conhecido em 1959, quando Osasco se emancipou. Com a saída de Osasco, a cidade de São Paulo finalmente adquiriu seu desenho territorial atual, consolidando os limites que a definem hoje e encerrando uma longa trajetória de transformações geográficas que moldaram o estado e a metrópole.
Metodologia e o Legado Geográfico
Para obter uma representação cartográfica aproximada da cidade de São Paulo em diferentes períodos históricos, os pesquisadores empregaram uma metodologia de composição retrospectiva. Esse método consistiu na adição, ao mapa atual da capital, dos limites dos municípios que, em épocas distintas, se desmembraram dela. A base para a criação desses desenhos foi fornecida pelos mapas atuais de cada município emancipado, disponibilizados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), garantindo precisão e rigor nos dados levantados. Para mais detalhes sobre a evolução demográfica e territorial do estado, é possível consultar diretamente os dados da Fundação Seade.
Esta reconstituição histórica não apenas revela a vasta extensão original da cidade de São Paulo, mas também ilustra a complexidade do processo de formação e reconfiguração territorial do estado. Cada desmembramento representa um capítulo na construção da identidade e da geografia paulista, com a capital desempenhando um papel central na origem de centenas de outras importantes cidades que compõem o tecido urbano e econômico de São Paulo hoje.
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A compreensão da evolução dos municípios de SP e da própria capital paulista é fundamental para analisar o desenvolvimento socioeconômico e urbanístico da região. Continue explorando as seções de Cidades do nosso portal para mais análises e notícias sobre a história e o desenvolvimento de nossas importantes metrópoles e municípios.
Crédito da imagem: Eduardo Knapp/Folhapress







