Um marco significativo para o futuro energético do continente foi estabelecido com o recente
Pacto Europeu: 100 GW de Energia Eólica Offshore
, assinado por Grã-Bretanha, Alemanha, Dinamarca e outras nações europeias. O acordo, selado durante uma cúpula estratégica em Hamburgo, na segunda-feira, dia 29 de janeiro, representa um compromisso ambicioso de fornecer 100 gigawatts (GW) de capacidade de energia eólica offshore. Esta capacidade será alcançada por meio de projetos conjuntos de grande escala, solidificando a posição da energia eólica como pilar da segurança energética regional e da transição para fontes limpas.
O pacto chega em um momento de contrastes políticos e econômicos acentuados. Enquanto o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reiterou sua oposição à energia verde em seu discurso no Fórum Econômico Mundial em Davos na semana passada, criticando a dependência de turbinas eólicas por perdas financeiras, os governos da Europa Ocidental e do Norte demonstram um compromisso inabalável com a energia eólica. Para essas nações, a aposta em fontes renováveis é vista como um caminho crucial para a soberania energética e a estabilidade econômica.
A iniciativa do
Pacto Europeu: 100 GW de Energia Eólica Offshore
não apenas visa fortalecer a capacidade de produção de energia limpa, mas também busca libertar a Europa de sua dependência de combustíveis fósseis, especialmente do gás russo. A busca por autonomia energética tornou-se um dos principais objetivos estratégicos do continente, especialmente após a invasão em grande escala da Ucrânia por Moscou. Na mesma segunda-feira, os Estados-membros da União Europeia aprovaram uma proibição juridicamente vinculativa às importações de gás russo até o final de 2027, um passo decisivo quase quatro anos após o início do conflito. Ed Miliband, ministro da Energia britânico, ressaltou em comunicado a importância dessa transição: “Estamos defendendo nosso interesse nacional ao impulsionar a energia limpa, que pode tirar o Reino Unido da montanha-russa dos combustíveis fósseis e nos dar soberania e abundância energética.”
Contudo, a jornada rumo à soberania energética não está isenta de novos desafios. Um desequilíbrio emergente obscurece os esforços europeus, com a União Europeia obtendo 27% do total de suas importações de gás e GNL (Gás Natural Liquefeito) dos Estados Unidos em 2025. Projeções do Instituto de Economia Energética e Análise Financeira indicam que, com novos contratos de GNL, esse número poderá aumentar para 40% até 2030, sugerindo uma potencial nova dependência energética.
O compromisso de impulsionar a colaboração transfronteiriça no Mar do Norte é parte de uma meta mais ampla, acordada pelos países da região em 2023, de alcançar 300 GW de capacidade eólica offshore até 2050. Este novo acordo para 100 GW serve como um impulsionador significativo para essa visão de longo prazo. O grupo de lobby da indústria, WindEurope, projeta que, sob este pacto, as empresas associadas se comprometerão a uma série de medidas benéficas, incluindo a redução de custos, a criação de 91.000 novos empregos e a geração de impressionantes 1 trilhão de euros (equivalente a US$ 1,2 trilhão) em atividade econômica.
A adição de 100 GW de capacidade no mar representa uma transformação no mercado de energia europeu. Atualmente, a região possui uma capacidade eólica instalada total de 258 GW, abrangendo tanto projetos em terra quanto no mar, que fornecem cerca de 19% da eletricidade consumida na Europa, conforme dados da WindEurope. A expansão prevista beneficiará uma ampla gama de players da indústria, desde fabricantes de tecnologia de rede, como Siemens Energy e GE Vernova, até desenvolvedores de projetos proeminentes, incluindo RWE e Orsted. Fabricantes de turbinas eólicas, como a Vestas, também estão entre os potenciais beneficiários diretos dessa expansão. Operadoras de rede, como a britânica National Grid e a alemã TenneT Germany, já anunciaram planos de colaborar para desenvolver uma interligação energética que conectará parques eólicos offshore britânicos e alemães no Mar do Norte, garantindo o abastecimento de ambos os países.
O acordo, cujo rascunho já havia sido divulgado pela agência Reuters na semana anterior, foi formalmente assinado na Cúpula do Mar do Norte por representantes da Grã-Bretanha, Bélgica, Dinamarca, França, Alemanha, Islândia, Irlanda, Luxemburgo, Holanda e Noruega. Katherina Reiche, ministra da Economia alemã, enfatizou a importância estratégica da colaboração: “Ao planejar a expansão, as redes e a indústria em conjunto e implementá-las além das fronteiras, estamos criando energia limpa e acessível, fortalecendo nossa base industrial e aumentando a soberania estratégica da Europa.”
Em uma frente complementar, a ministra Reiche também revelou planos para revitalizar as licitações de energia eólica offshore na Alemanha, que estavam paralisadas. Um pacote de medidas foi apresentado para tornar os investimentos mais atrativos, incluindo a concessão de receitas de energia mais confiáveis aos investidores. Entre as inovações, destaca-se a introdução dos “Contratos por Diferença” (CFDs). Por meio desses contratos, os investidores receberão uma compensação quando os preços de mercado da eletricidade caírem abaixo de um preço de referência acordado, ou, inversamente, devolverão parte de suas receitas quando os preços excederem esse valor predefinido. A Alemanha busca intensificar seus esforços, especialmente após duas licitações recentes para desenvolver projetos eólicos em sua costa não terem atraído propostas, enquanto países como Grã-Bretanha e Irlanda têm executado projetos bem-sucedidos.
A Grã-Bretanha, por sua vez, também declarou que firmará acordos adicionais com grupos menores de nações participantes. O objetivo desses acordos é promover o desenvolvimento mais eficiente de projetos transfronteiriços e infraestruturas essenciais para a criação de parques eólicos marítimos que se conectem diretamente a mais de um país. No início de janeiro, o Reino Unido já havia demonstrado seu vigor no setor, garantindo uma quantidade recorde de capacidade eólica offshore em seu último leilão de energia, onde projetos com uma capacidade total de 8,4 GW foram contemplados com contratos.
A ambição coletiva e as ações coordenadas das nações europeias, em especial o compromisso com os 100 GW de energia eólica offshore, destacam uma visão clara para o futuro energético do continente. Esta investida na energia eólica marítima não é apenas uma resposta às mudanças climáticas, mas uma estratégia fundamental para a independência e segurança energética em um cenário geopolítico em constante evolução. Para entender mais sobre a transição energética global e seus impactos, acesse fontes especializadas.
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Este movimento representa um passo gigantesco na transformação do mercado de energia europeu, solidificando a liderança da região na adoção de energias renováveis e na construção de um futuro mais sustentável e autônomo. Continue acompanhando as últimas notícias sobre economia e energia na editoria de Economia para ficar por dentro dos desdobramentos deste e de outros temas relevantes.
Foto: Thomaz G/Pixabay







