**O petróleo Brent** registrou um significativo aumento em seus preços futuros nesta quinta-feira (29), alcançando o patamar mais alto em quatro meses. A escalada deve-se primariamente às crescentes apreensões acerca de um potencial conflito militar entre os Estados Unidos e o Irã, nação que ocupa a quarta posição entre os maiores produtores de petróleo da Opep, com uma extração diária de 3,2 milhões de barris. A instabilidade em um produtor de tal magnitude naturalmente gera temores sobre a continuidade do fornecimento e a capacidade de manter a oferta global estável, elevando o prêmio de risco no mercado de commodities.
A principal inquietude do mercado petrolífero reside nas repercussões de um eventual ataque e nas possíveis retaliações. John Evans, analista da PVM, destacou a iminente ameaça de “dano colateral” caso o Irã decida retaliar, atacando países vizinhos. Uma preocupação ainda mais substancial seria o fechamento do crucial Estreito de Ormuz, uma rota marítima vital por onde transitam diariamente cerca de 20 milhões de barris de petróleo. A interrupção do tráfego nesse gargalo estratégico, por onde passa quase um terço do comércio marítimo global de petróleo, representaria não apenas um choque de oferta sem precedentes, mas também uma crise logística e econômica de escala mundial, justificando a imediata reação de alta nos preços.
As cotações do Brent refletiram diretamente essa atmosfera de incerteza.
Petróleo Brent Supera US$ 70 com Tensões EUA-Irã
Os futuros do petróleo Brent exibiram um incremento de US$ 1,39, o que representou um avanço de 2,03%, sendo negociados a US$ 69,79 por barril às 7h11 (horário de Brasília). Durante a sessão intradiária, o valor chegou a atingir US$ 70,35 por barril, um patamar não observado desde o final de setembro do ano anterior, sinalizando a acentuada preocupação dos investidores com a dinâmica geopolítica.
Paralelamente, o petróleo West Texas Intermediate (WTI), referência no mercado norte-americano, também apresentou elevação substancial. Os futuros do WTI registraram uma alta de US$ 1,37, equivalente a um crescimento de 2,17%, atingindo o valor de US$ 64,58 por barril. Assim como o Brent, o WTI chegou a ultrapassar a marca de US$ 65 por barril no decorrer da quinta-feira, assinalando igualmente sua maior cotação em quatro meses e confirmando a tendência de alta generalizada no mercado de petróleo em resposta às notícias.
Ameaças Americanas e o Programa Nuclear Iraniano
A tensão geopolítica foi intensificada pelas ações e declarações do presidente dos EUA, Donald Trump. O líder americano tem reforçado a pressão sobre Teerã para que o país desative seu programa nuclear. Trump não apenas proferiu ameaças de possíveis ataques militares, mas também enviou um grupo naval dos Estados Unidos para a região, um movimento que foi interpretado como um claro sinal de advertência e demonstração de força ao Irã. Essa postura agressiva contribui diretamente para a volatilidade dos preços do petróleo.
Informações divulgadas pela agência Reuters na mesma quinta-feira, citando fontes americanas familiarizadas com as discussões internas, indicaram que Donald Trump estaria avaliando diversas opções para lidar com a questão iraniana. Entre elas, figurariam ataques direcionados a forças de segurança e líderes iranianos. O objetivo dessas ações seria incitar os manifestantes internos a promoverem a derrubada do atual regime governante do Irã. Essa estratégia, ao buscar desestabilizar a liderança e as estruturas de segurança, visa fomentar um movimento interno que culmine na mudança de regime, um cenário que, por si só, carrega grande potencial de turbulência e imprevisibilidade para a região e para o mercado energético global.
Previsões de Analistas e Fatores Adicionais
Diante do panorama de instabilidade, diversos analistas do setor de energia passaram a prever um cenário de preços ainda mais elevados para o petróleo. Especialistas do Citi, em uma nota divulgada na quarta-feira, estimaram que a mera “possibilidade de o Irã ser atingido” já incorporou um “prêmio geopolítico” aos preços do petróleo, avaliado entre US$ 3 e US$ 4 por barril. Esse ‘prêmio’ representa um custo adicional embutido no preço do barril, refletindo a percepção de risco de interrupção de oferta devido a eventos políticos ou militares, e serve como um amortecedor contra choques futuros, ou uma aposta na sua ocorrência, impactando diretamente o valor final do petróleo.
Adicionalmente, os analistas do Citi alertaram que uma nova escalada na tensão geopolítica poderia impulsionar os preços do Brent a patamares de até US$ 72 por barril nos próximos três meses. Essas projeções sublinham a sensibilidade do mercado às notícias e rumores sobre a situação no Oriente Médio, tornando o petróleo um ativo particularmente volátil em momentos de crise e exigindo constante monitoramento por parte dos investidores e formuladores de políticas.
Além das questões iranianas, outros fatores contribuíram para a valorização do petróleo. No Cazaquistão, o vasto campo petrolífero de Tengiz estava em processo de reinício gradual após incêndios elétricos terem comprometido sua produção na semana anterior. A expectativa era de que a produção total fosse restabelecida dentro de uma semana, indicando uma interrupção temporária. Nos Estados Unidos, o maior produtor global de petróleo e principal exportador de gás natural liquefeito, as atividades de extração de petróleo bruto e gás estavam sendo retomadas após uma interrupção causada pelo frio intenso da tempestade Fern, que afetou a região no fim de semana. Tais eventos, embora de natureza diversa, somaram-se às preocupações geopolíticas, criando uma pressão altista sobre os preços.
Conforme Suvro Sarkar, líder da equipe do setor de energia do DBS Bank, em análise enviada por e-mail, o principal vetor para a alta dos preços do petróleo continua sendo o prêmio de risco geopolítico centrado no Irã e na região do Oriente Médio. Ele ressaltou, entretanto, que interrupções não planejadas, como as observadas no Cazaquistão e nos EUA – decorrentes da tempestade de inverno Fern –, também exerceram um impacto temporário, influenciando a dinâmica de preços no curto prazo e adicionando complexidade ao cenário de oferta e demanda. Para uma compreensão mais aprofundada sobre as oscilações do mercado de petróleo global e seus fatores, é relevante consultar dados de fontes especializadas como a U.S. Energy Information Administration (EIA). Saiba mais sobre a análise do mercado petrolífero em https://www.eia.gov/petroleum/supply/weekly/.
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Em suma, a valorização do petróleo Brent para além dos US$ 70 por barril reflete um cenário complexo e multifacetado, onde as tensões geopolíticas entre EUA e Irã se destacam como o principal motor. A possibilidade de um conflito no Oriente Médio, com suas implicações para o Estreito de Ormuz e a oferta global, mantém o mercado em alerta máximo, com analistas projetando novas altas. Paralelamente, eventos como interrupções na produção no Cazaquistão e nos EUA adicionaram pressão, mas o foco permanece na instabilidade regional. Continue acompanhando nossa editoria de Economia para se manter atualizado sobre os desdobramentos deste e de outros temas cruciais que afetam o cenário global. Para outras análises sobre o impacto de eventos globais, visite nossa seção de Economia em https://horadecomecar.com.br/economia/.
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Imagem: Reuters via infomoney.com.br






