rss featured 16870 1770460116

Eleição para Novo Secretário-Geral da ONU Enfrenta Desafios

Últimas notícias

A escolha do **novo secretário-geral da ONU** (Organização das Nações Unidas) ocorre em um contexto de grandes turbulências globais, onde a instituição se vê confrontada com desafios existenciais sem precedentes. A corrida para definir o sucessor do atual chefe, o português António Guterres, já movimenta a diplomacia internacional, com importantes nações apresentando suas indicações para o cargo mais alto da organização.

Na semana passada, uma iniciativa conjunta de Brasil, Chile e México resultou na apresentação formal da ex-presidente chilena Michelle Bachelet como candidata. Ela concorre a um mandato de cinco anos, que terá início em 1º de janeiro de 2027, após a eleição que será realizada no decorrer deste ano. O cargo de secretário-geral segue uma tradição de rotação geográfica, e a América Latina é a próxima região na lista para assumir a liderança da ONU, um fator crucial na dinâmica da disputa.

Eleição para Novo Secretário-Geral da ONU Enfrenta Desafios

Além de Michelle Bachelet, outra figura de destaque já foi formalmente indicada: o argentino Rafael Grossi, que atualmente ocupa a posição de diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA). A ex-vice-presidente da Costa Rica, Rebeca Grynspan, também teve sua possível candidatura publicamente declarada, embora a formalização de sua postulação ainda não tenha sido confirmada. O processo de seleção do próximo líder da Organização das Nações Unidas acontece em um cenário geopolítico radicalmente distinto daquele de sua fundação, com crises globais emergentes testando a capacidade da diplomacia multilateral e a resposta humanitária da entidade. Essa conjuntura complexa impõe enormes desafios ao futuro secretário-geral, que terá a responsabilidade de navegar por um ambiente internacional cada vez mais volátil.

Como a Organização das Nações Unidas Opera e seus Órgãos Essenciais

A Organização das Nações Unidas desempenha suas funções por meio de uma estrutura complexa de órgãos interligados, cada um com responsabilidades específicas. A Assembleia Geral, por exemplo, é o principal fórum deliberativo, onde os 193 Estados membros possuem representação equitativa para discutir e tomar decisões sobre uma vasta gama de questões mundiais. Paralelamente, o Conselho de Segurança detém a prerrogativa primordial de manter a paz e a segurança internacionais. Este órgão é o único com poder para autorizar sanções econômicas, missões de paz ou até mesmo ações militares, tornando suas decisões de peso inquestionável no cenário global.

Além desses pilares, a ONU conta com o braço judicial, a Corte Internacional de Justiça (CIJ), sediada em Haia, na Holanda. O Tribunal é responsável por resolver disputas legais entre Estados e oferecer pareceres consultivos sobre questões de direito internacional. A organização também supervisiona uma série de agências e programas especializados de vital importância. Entre eles, destacam-se o Unicef, que atua incansavelmente na defesa dos direitos das crianças em todo o mundo, e a Organização Mundial da Saúde (OMS), que coordena os esforços globais em saúde pública, respondendo a epidemias e promovendo o bem-estar. A Unesco, criada em 1945, é outra agência fundamental, dedicada a fomentar a cooperação internacional nas áreas de educação, ciência, cultura e comunicação, visando a construção de uma paz duradoura.

Nos últimos anos, a atuação desses órgãos e a própria estrutura da ONU foram postas à prova por diversas crises globais, que exigiram respostas urgentes e destacaram a relevância – e os limites – da organização. Três conflitos, em particular, ganharam destaque por sua gravidade e impacto humanitário:

  • O prolongado conflito na Ucrânia, que já dura três anos, continua a desafiar os princípios da Carta da ONU, com os ataques russos resultando em um elevado número de vítimas e no deslocamento massivo de populações.
  • No Sudão, o conflito entre facções militares rivais escalou, transformando-se em uma das piores crises humanitárias do mundo. Milhões de pessoas foram deslocadas, e a distribuição de ajuda essencial foi severamente limitada, gerando uma situação de emergência.
  • O conflito entre Israel e o Hamas, desencadeado pelos ataques de 7 de outubro de 2023, devastou a Faixa de Gaza. A região enfrenta condições que beiram a fome, mobilizando operações urgentes de ajuda humanitária da ONU em meio a um impasse político persistente.

A Crise Financeira Ameaça a Operação da ONU

A par dos desafios geopolíticos, a Organização das Nações Unidas também enfrenta uma grave crise de financiamento. António Guterres, o atual secretário-geral, expressou sua profunda preocupação aos Estados membros, alertando para o risco iminente de um “colapso financeiro” da organização. Conforme revelado em uma carta acessada pela agência Reuters, Guterres citou não apenas as taxas não pagas por membros, mas também uma regra orçamentária que obriga a organização a devolver fundos não utilizados, exacerbando o problema.

O dirigente máximo da ONU tem reiteradamente chamado a atenção para a crescente crise de liquidez, mas seu alerta de 28 de janeiro foi o mais contundente até agora. Ele afirmou: “A crise está se aprofundando, ameaçando a execução dos programas e correndo o risco de um colapso financeiro. E a situação se deteriorará ainda mais em um futuro próximo.” Esta declaração surge em um momento em que os Estados Unidos, historicamente o principal contribuinte financeiro da organização, demonstram um crescente afastamento do multilateralismo em várias frentes.

Eleição para Novo Secretário-Geral da ONU Enfrenta Desafios - Imagem do artigo original

Imagem: REUTERS via cnnbrasil.com.br

Washington tem reduzido drasticamente o financiamento voluntário para diversas agências da ONU e se recusado a efetuar pagamentos obrigatórios destinados aos orçamentos regulares e de manutenção da paz. Essa postura levou a ONU a buscar maior eficiência e cortes de custos. Altas autoridades da organização informaram em outubro de 2025 que o número de forças de paz em nove operações ao redor do mundo seria reduzido em 25% nos meses seguintes. Os EUA são, de fato, o maior contribuinte para as operações de paz da ONU, sendo responsáveis por mais de 26% do financiamento, seguidos pela China, com quase 24%. É importante notar que esses pagamentos são de natureza obrigatória.

Um funcionário da ONU informou que os EUA já deviam US$ 1,5 bilhão antes do início do novo ano fiscal, em 1º de julho de 2025. Com uma dívida adicional de US$ 1,3 bilhão, o montante total ultrapassou os US$ 2,8 bilhões. Embora Washington tenha sinalizado um pagamento de US$ 680 milhões em breve, a situação financeira permanece crítica. Em agosto de 2025, a administração do então presidente americano Donald Trump cancelou unilateralmente cerca de US$ 800 milhões em financiamento para operações de paz destinados aos anos de 2024 e 2025. O gabinete de orçamento da Casa Branca, ademais, propôs eliminar completamente o financiamento das missões de paz da ONU para 2026, citando supostos fracassos em operações no Mali, Líbano e República Democrática do Congo. Para mais informações sobre as operações da organização, consulte o site oficial da ONU Brasil.

Apelos por Reformas e os Novos Desafios da Governança Global

Diante do complexo panorama, diversos líderes globais têm clamado por uma reforma substancial das Nações Unidas, com foco particular no Conselho de Segurança, composto por 15 membros. A principal crítica reside na composição de seus membros permanentes – Estados Unidos, Rússia, China, França e Reino Unido – que detêm o poder de veto. Muitos argumentam que essa configuração é injusta e anacrônica, não refletindo a geopolítica atual e minando a eficácia do órgão em crises. Essa visão tem sido corroborada por especialistas, como Veronika Fikfak, professora de Direitos Humanos e Direito Internacional na Escola de Políticas Públicas da University College London, que observa uma tendência crescente de regimes autocráticos afetando o funcionamento da ONU. Segundo Fikfak, alguns Estados membros demonstram uma rejeição cada vez maior às instituições internacionais, buscando deliberadamente minar os processos estabelecidos pela Organização das Nações Unidas.

Os desafios para o próximo secretário-geral não se limitam às questões financeiras e geopolíticas tradicionais. A rápida evolução das novas tecnologias, a proliferação da desinformação e a intrincada questão da manutenção da paz e segurança em um mundo onde Estados poderosos frequentemente agem minando as instituições internacionais, a democracia e o Estado de Direito, representam obstáculos adicionais. O líder que assumir a Organização das Nações Unidas em 2027 terá a árdua tarefa de restaurar a confiança, fortalecer o multilateralismo e adaptar a organização para enfrentar as ameaças e oportunidades de um século XXI em constante transformação.

Confira também: Investir em Imóveis na Região dos Lagos

A eleição para o novo secretário-geral da ONU não é apenas uma escolha de liderança, mas um referendo sobre o futuro do multilateralismo e a capacidade da comunidade internacional de enfrentar crises globais. À medida que as candidaturas avançam e os debates se intensificam, a atenção do mundo se volta para a Organização das Nações Unidas, esperando que seu próximo dirigente possa guiar a entidade por um caminho de renovação e maior efetividade. Continue acompanhando as últimas notícias sobre política internacional em nossa editoria para se manter informado sobre este e outros temas cruciais.

Crédito da Imagem: REUTERS/Eduardo Munoz
Crédito da Imagem: REUTERS/Manon Cruz

Deixe um comentário