O Super Bowl, a final do campeonato de futebol americano, transcendeu sua natureza esportiva e se transformou em um evento multicultural pró-imigrantes, carregado de mensagens de apoio a nações latino-americanas e uma forte crítica à política anti-imigração do governo Donald Trump. O espetáculo ocorreu na noite de domingo, 8 de fevereiro, na cidade de Santa Clara, na Califórnia, com a partida entre Seattle Seahawks e New England Patriots sendo quase eclipsada pelo forte teor político e cultural das apresentações.
A escolha do renomado cantor porto-riquenho Bad Bunny para o show do intervalo, anunciada meses antes do evento, já havia gerado controvérsia. O então presidente Donald Trump manifestou abertamente sua oposição à presença do artista. Contudo, a apresentação de Bunny foi um marco de orgulho latino-americano e solidariedade aos imigrantes residentes nos Estados Unidos, reforçando a mensagem do evento como um protesto cultural. Essa decisão provocou uma reação quase que imediata de Trump, que utilizou sua rede social Truth Social para expressar seu descontentamento e criticar duramente o espetáculo.
Super Bowl vira palco multicultural pró-imigrantes
O tom de repúdio às diretrizes anti-imigratórias do governo norte-americano foi estabelecido logo no início da programação. Antes do pontapé inicial, a banda Green Day, conhecida por sua postura anti-Trump, subiu ao palco. O grupo apresentou vários de seus sucessos, incluindo “American Idiot”, uma canção icônica que ressoa com críticas sociais e políticas. Embora o vocalista Billie Joe Armstrong não tenha feito menção nominal ao presidente, a presença da banda punk no evento foi amplamente interpretada como uma manifestação de oposição.
A performance de Bad Bunny, no intervalo da partida, foi considerada histórica, especialmente no contexto da política anti-imigração do governo dos EUA e da atuação da ICE (Immigration and Customs Enforcement), a polícia de imigração que tem sido alvo de acusações de abusos e, em alguns casos, mortes de imigrantes ilegais. O artista entregou um show profundamente político e multicultural, celebrando a riqueza das nações latino-americanas e a contribuição vital que elas representam para os Estados Unidos.
Embora Bad Bunny não tenha mencionado diretamente Trump ou a ICE, cada elemento de sua apresentação foi projetado para elevar o orgulho latino no centro do Levis Stadium. Com todas as suas músicas e falas entregues em espanhol, o artista se apresentou em um cenário que recriava uma plantação de cana-de-açúcar, um símbolo da cultura e história de Porto Rico e de outras regiões do continente. Essa representação visual adicionou profundidade à mensagem de valorização das raízes latinas.
Conforme Bunny se deslocava pelo campo, diversos elementos culturais latinos eram introduzidos. A cantora Lady Gaga, convidada especial do astro da noite, fez uma aparição cantando “Die With a Smile” em inglês, porém em uma versão com arranjos latinos, adicionando outra camada de fusão cultural ao espetáculo. Ricky Martin, outro artista porto-riquenho de renome, também se uniu à celebração, interpretando a canção “Lo Que Le Pasó a Hawaii”, de autoria de Bad Bunny, que aborda a temática da colonização predatória exercida pelos governos americanos. Para entender melhor o contexto das políticas migratórias, você pode consultar artigos sobre a política de imigração dos EUA e suas implicações.

Imagem: REUTERS via agenciabrasil.ebc.com.br
A resposta do ex-presidente Trump foi imediata e severa. Através de sua plataforma Truth Social, ele publicou uma declaração contundente: “O show do intervalo do Super Bowl é absolutamente terrível, um dos piores de todos os tempos! Não faz sentido, é uma afronta à Grandeza da América, e não representa nossos padrões de Sucesso, Criatividade ou Excelência. Ninguém entende uma palavra do que esse cara está dizendo, e a dança é nojenta, especialmente para crianças pequenas que estão assistindo por todos os Estados Unidos e no mundo. Este show é apenas um tapa na cara do nosso País, que estabelece novos padrões e recordes todos os dias, incluindo o melhor mercado de ações na história! Não há nada inspiracional nessa bagunça de show do intervalo, que terá ótimos reviews da mídia de fake news, porque eles não têm ideia do que está acontecendo no MUNDO REAL. E, aliás, a NFL deveria substituir imediatamente essa regra do pontapé inicial. FAÇA A AMÉRICA GRANDE DE NOVO! Presidente Donald J. Trump.”
Já na fase final de sua performance de 13 minutos, Bad Bunny foi acompanhado por dançarinos que portavam bandeiras de todas as nações do continente americano. O artista surgiu segurando uma bola de futebol americano e pronunciou “God Bless, America”, caminhando enquanto recitava os nomes de todos os países da região, do Chile ao Canadá, incluindo Brasil, Guatemala, Porto Rico, até chegar aos próprios Estados Unidos (enfatizando “América” no sentido continental, e não apenas o país). Ao término da apresentação, Bunny exibiu a bola para a câmera, que trazia a inscrição “Juntos somos a América”, e concluiu em espanhol: “continuamos aqui”, uma declaração poderosa de permanência e união.
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A edição do Super Bowl que se tornou uma plataforma para mensagens políticas e culturais reforça a capacidade da arte de se manifestar em grandes palcos. O evento, com a performance de Bad Bunny e o protesto da banda Green Day, celebrou a diversidade e o orgulho latino, gerando um debate importante sobre imigração e identidade nos Estados Unidos. Para mais análises sobre política e cultura, continue acompanhando nossa editoria de Política e não perca os próximos desdobramentos.
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