A cotação do dólar hoje registrou uma leve valorização no Brasil nesta terça-feira, fechando próximo à estabilidade, mas sustentando ganhos notáveis frente a outras divisas de economias emergentes no cenário internacional. A movimentação da moeda norte-americana no mercado brasileiro foi influenciada por uma série de fatores internos, incluindo a divulgação dos dados oficiais de inflação de janeiro e as observações do Ministro da Fazenda, Fernando Haddad, sobre a política de juros no país.
Ao longo do dia, o câmbio demonstrou oscilação, porém encerrou o pregão com uma modesta alta. Enquanto no Brasil a variação foi mínima, a divisa dos Estados Unidos apresentou uma força mais acentuada ante moedas como o rand sul-africano e o peso chileno, indicando um desempenho robusto em mercados comparáveis ao brasileiro. No panorama doméstico, a atenção dos investidores se voltou para a leitura da inflação e, posteriormente, para as discussões em torno da situação fiscal do Brasil, um tema recorrente em debates econômicos.
O dólar à vista concluiu o dia negociado a R$ 5,1976, marcando uma valorização de 0,17%. Apesar da alta pontual, a divisa acumula uma queda de 5,31% no acumulado do ano. Em relação ao mercado futuro, o dólar para março – considerado o contrato mais líquido na Bolsa de Valores brasileira (B3) – apresentou uma leve baixa de 0,03%, atingindo R$ 5,2155 no final da tarde, às 17h18. Os valores de compra e venda à vista foram ambos registrados em R$ 5,197, refletindo a dinâmica do mercado.
Dólar Hoje Sobe a R$ 5,19 em Sessão de Dados e Haddad
A valorização do dólar frente ao real nesta terça-feira alinhou-se com a tendência de fortalecimento da moeda americana contra outras divisas de mercados emergentes globais. Investidores em todo o mundo avaliaram cuidadosamente os dados de inflação divulgados no Brasil, referentes ao mês de janeiro, e as declarações proferidas pelo Ministro da Fazenda, Fernando Haddad, durante um evento promovido pelo BTG Pactual em São Paulo. Essa combinação de fatores econômicos e discursos políticos moldou as expectativas e o comportamento dos agentes financeiros.
Impacto da Inflação e Juros no Dólar
Pela manhã, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) trouxe à tona os números do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerado o indicador oficial de inflação no país. O índice registrou um aumento de 0,33% em janeiro, percentual idêntico ao observado em dezembro e em linha com a projeção de 0,32% dos economistas consultados pela agência Reuters. Na análise do acumulado dos últimos 12 meses até janeiro, a inflação atingiu 4,44%, um valor ligeiramente acima dos 4,26% registrados em dezembro e próximo à estimativa de 4,43% do mercado.
A análise detalhada dos dados do IPCA revelou uma desaceleração significativa nos serviços como um todo, com a taxa caindo de 0,72% em dezembro para 0,10% em janeiro, conforme reportado pelo IBGE. Contudo, a inflação de serviços subjacentes, que exclui componentes mais voláteis para oferecer uma visão mais clara da tendência, teve um leve aumento, passando de 0,56% para 0,57% no mesmo período, segundo cálculos do banco Bmg. Já a taxa de serviços intensivos em mão de obra registrou uma redução de 0,77% para 0,64%.
Apesar dessas variações, os números gerais do IPCA não alteraram as expectativas predominantes no mercado financeiro de que o Banco Central iniciará um ciclo de cortes na taxa básica de juros, a Selic, atualmente em 15%, já em março. Entretanto, permanece a incerteza quanto à magnitude desse primeiro corte, com debates centrados na possibilidade de uma redução de 25 ou 50 pontos-base, o que pode influenciar diretamente a atratividade do Brasil para investidores estrangeiros e, consequentemente, a cotação do dólar.

Imagem: infomoney.com.br
Declarações de Fernando Haddad e a Dívida Pública
Em um evento do BTG Pactual, o Ministro da Fazenda, Fernando Haddad, expressou sua visão crítica sobre o atual patamar dos juros reais no Brasil. Segundo Haddad, não há justificativa econômica para os níveis praticados, os quais, em sua análise, exercem uma pressão altista sobre a dívida pública que o governo não consegue contrabalancear com qualquer nível de superávit primário. Essa declaração adiciona um elemento de incerteza sobre a política fiscal e monetária futuras, impactando a percepção dos investidores sobre o risco-país e o valor da moeda nacional.
O diferencial de juros entre o Brasil e os Estados Unidos, onde a taxa de referência se encontra na faixa de 3,50% a 3,75%, tem sido historicamente um dos principais atrativos para a entrada de capitais estrangeiros no país. Essa diferença, que nos últimos meses contribuiu para patamares mais baixos das cotações do dólar no Brasil, permanece um fator crucial na equação cambial, embora as críticas de Haddad possam reorientar parte do debate sobre a política econômica.
Atuação do Banco Central
No final da manhã, o Banco Central também teve sua participação no mercado cambial, realizando a venda de 49.900 contratos de swap cambial. Essa operação visou a rolagem do vencimento de março, uma prática comum da autoridade monetária para gerenciar a liquidez e as expectativas no mercado de câmbio, buscando manter o bom funcionamento e a estabilidade das cotações.
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Em suma, o dia foi de moderada alta para o dólar, impulsionado por um complexo cenário que envolveu dados de inflação, críticas do Ministro Haddad sobre os juros e a movimentação global da divisa. Para se manter atualizado sobre as tendências do mercado e as análises econômicas que impactam seu dia a dia, continue acompanhando nossas análises econômicas.
Crédito da imagem: Agência Brasil






