As montadoras japonesas buscam cooperação mútua, intensificando a colaboração como uma estratégia essencial para navegar em um cenário global automobilístico complexo. Este esforço conjunto visa combater a crescente competitividade das empresas chinesas, mitigar os impactos das tarifas americanas e adaptar-se à desaceleração na adoção de veículos elétricos em diversos mercados. A necessidade de sinergia foi veementemente destacada por executivos de gigantes do setor como Toyota, Honda e Nissan durante os anúncios de seus resultados trimestrais mais recentes.
A Toyota, líder global em vendas, tomou a iniciativa de criar uma nova posição estratégica, o cargo de diretor de indústria, confiado ao seu CEO, Koji Sato. Sato, que também assumiu a presidência da Associação Japonesa de Fabricantes de Automóveis (Jama) no mês anterior, terá a missão de fomentar essa união. A montadora explicou que a criação da função responde à “crescente necessidade de acelerar iniciativas práticas de colaboração no setor para fortalecer a competitividade internacional”, alinhando-se com suas responsabilidades na Jama e sua vice-presidência na Keidanren, a influente organização empresarial japonesa.
Cooperação entre Montadoras Japonesas para Superar Desafios
Koji Sato, que será sucedido por Kenta Kon como CEO a partir de abril, reiterou em uma coletiva de imprensa a gravidade da situação: “Se não nos transformarmos agora, a indústria automotiva japonesa, que o país protegeu como um setor essencial, sofrerá mudanças significativas. Há consenso total sobre a sensação de crise de que ela não será mais capaz de cumprir seu papel.” Ele enfatizou que o setor “deve se unir para identificar áreas de cooperação e definir as estratégias vencedoras do Japão”, concluindo que “esta não é mais uma era em que Toyota, Honda, Nissan, Mazda e outras montadoras podem se dar ao luxo de seguir caminhos diferentes.”
Apesar das preocupações, a Toyota mantém uma posição de força notável. A empresa consolidou sua liderança como a maior montadora do mundo em vendas no ano passado, com um recorde impressionante de 10,5 milhões de veículos comercializados. Sua estratégia de longa data, focada em veículos híbridos e uma transição mais gradual para automóveis totalmente elétricos em comparação com seus concorrentes, provou ser eficaz, refletindo com precisão as tendências de consumo globais. O desempenho financeiro da Toyota no período de abril a dezembro foi robusto, com receita líquida atingindo a marca recorde de 38 trilhões de ienes (aproximadamente US$ 249 bilhões), representando um aumento de 6,8% em relação ao ano anterior. As vendas na América do Norte também apresentaram um crescimento significativo de 13,5%, totalizando 2,3 milhões de veículos, impulsionadas pelo sucesso dos modelos mais recentes do Camry, Corolla e RAV4 entre os consumidores americanos. Contudo, a gigante automotiva registrou uma queda de 13% no lucro operacional total, que ficou em 3,19 trilhões de ienes, após o governo do ex-presidente americano Donald Trump elevar as tarifas de importação de carros japoneses e peças relacionadas para 27,5% no início de 2025, de 2,5% anteriores. Um acordo comercial subsequente, firmado em julho, reduziu essas tarifas para 15% a partir de setembro. A Toyota segue uma abordagem “multifacetada” para a neutralidade de carbono, equilibrando veículos movidos a bateria e motores de combustão interna, com os híbridos respondendo por 42% das vendas no ano passado.
Em contrapartida, a Honda enfrentou desafios consideráveis com sua aposta em veículos elétricos, que se mostrou menos lucrativa. Atualmente, a rentabilidade da empresa depende em grande parte do sucesso contínuo de sua divisão de motocicletas. O negócio de automóveis da Honda registrou um prejuízo operacional de 166,4 bilhões de ienes nos nove meses encerrados em dezembro. Além disso, a companhia foi impactada por tarifas no valor de 279,5 bilhões de ienes e uma despesa extraordinária de 267,1 bilhões de ienes, relacionada a veículos elétricos vendidos nos Estados Unidos. O presidente da Honda, Toshihiro Mibe, que assumiu o cargo em 2021, inicialmente impulsionou uma ambiciosa estratégia de eletrificação, que previa um investimento de 10 trilhões de ienes em veículos elétricos e software até 2031. No entanto, ele foi obrigado a revisar esse plano, anunciando no ano passado uma redução de 30% no investimento, para 7 trilhões de ienes, em função do adiamento dos planos da Honda de construir uma cadeia de suprimentos abrangente para veículos elétricos no Canadá. O vice-presidente executivo, Noriya Kaihara, afirmou na conferência de resultados que “Precisamos reconstruir a competitividade por meio de uma reestruturação fundamental”, prometendo que uma estratégia revisada seria divulgada no próximo ano fiscal, com início em abril.
A possibilidade de uma colaboração mais profunda entre a Honda e a Nissan já esteve em pauta, chegando perto de uma fusão antes que as negociações fossem canceladas em fevereiro do ano passado. Desde então, a Nissan continua a enfrentar dificuldades, tendo anunciado na semana passada um prejuízo operacional de 234,1 bilhões de ienes em sua divisão de automóveis nos primeiros nove meses do ano. Medidas drásticas de reestruturação, como o corte de 20 mil postos de trabalho e a redução do número de fábricas, implicam custos significativos. No entanto, o CEO Ivan Espinosa destacou um progresso constante, apesar do impacto das tarifas americanas, com um lucro operacional de 17,5 bilhões de ienes no período de outubro a dezembro. “Isso demonstra que a empresa tem potencial para apresentar lucro após a implementação das tarifas”, afirmou Espinosa.
Com as empresas japonesas buscando avançar em tecnologias como direção autônoma e veículos definidos por software (SDVs), atualizados pela internet, Honda e Nissan estão agora explorando novamente a cooperação entre si. Kaihara, da Honda, declarou que “Não apenas com a Nissan, mas se pudermos construir relacionamentos desse tipo e gerar resultados vantajosos para ambas as partes, gostaríamos de continuar explorando essas possibilidades.” Espinosa, da Nissan, mencionou a Honda como “uma das candidatas” para uma parceria na América do Norte, mas também afirmou estar aberto a qualquer situação que agregue valor.
Das sete principais montadoras japonesas — Toyota, Honda, Nissan, Suzuki, Mazda, Mitsubishi e Subaru — apenas Nissan, Mazda e Mitsubishi registraram prejuízos líquidos no período de abril a dezembro. Em um cenário de desafios globais e domésticos, a Suzuki se destacou. A receita líquida de seu negócio automotivo cresceu 5%, para 4,1 trilhões de ienes, após a venda de 1,35 milhão de veículos em seu principal mercado, a Índia, o que representou um aumento de 3,8%. Segundo a empresa, o crescimento da economia indiana e as reformas tributárias estão impulsionando os consumidores a migrar de motocicletas para carros. As vendas totais da Suzuki alcançaram 2,418 milhões de veículos, um aumento de 2,3% em relação ao ano anterior, superando os 2,257 milhões da Nissan, que registraram queda de 5,8%, e se aproximando dos 2,561 milhões da Honda, que apresentaram queda de 9%. Dessa forma, apesar de todas as preocupações com a concorrência internacional e os obstáculos no exterior, Honda e Nissan agora precisam ficar atentas a uma concorrente doméstica em ascensão.
A busca por maior colaboração entre as gigantes automobilísticas japonesas é um reflexo direto da necessidade de adaptação em um mercado global em constante transformação. As estratégias de união e reestruturação são vistas como cruciais para manter a relevância e competitividade. Para aprofundar seu entendimento sobre o impacto de políticas comerciais na indústria, você pode consultar informações detalhadas sobre a evolução das tarifas comerciais globais no site da Organização Mundial do Comércio.
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A complexa dinâmica entre as montadoras japonesas, incluindo desafios com eletrificação, tarifas e concorrência, molda o futuro da indústria automotiva global. Entender essas manobras estratégicas é crucial para acompanhar o mercado. Continue explorando as últimas notícias e análises sobre o cenário econômico e industrial em nossa editoria de Economia.
Crédito da imagem: Valor Econômico






