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Lula Aliviado após Tarifaço e Negociação EUA com Trump

Economia

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva manifestou seu alívio por não ter agido com precipitação nas discussões comerciais com os Estados Unidos, uma postura que ele considera fundamental após a decisão da Suprema Corte de derrubar o controverso “tarifaço”. A medida imposta anteriormente pelo governo norte-americano, que aplicava taxas elevadas, foi sucedida por uma tarifa generalizada de 15% para diversos países, o que, ironicamente, trouxe uma sensação de desafogo para nações que antes enfrentavam alíquotas de 40% a 50%.

A percepção da comitiva presidencial, que acompanhou Lula em sua recente viagem à Índia, é que o Brasil adotou a estratégia correta ao não se apressar em negociar tarifas com o então presidente dos EUA, Donald Trump, imediatamente após a imposição das novas taxas. Essa abordagem diferenciada contrariou a atitude de outros países que buscaram acordos rapidamente, e Lula confirmou que sua calma foi intencional, declarando: “Eu estou aliviado de não ter tido pressa, sabe, de fazer as coisas de forma precipitada.”

Lula Aliviado após Tarifaço e Negociação EUA com Trump

A maneira como o “tarifaço” foi inicialmente anunciado por Trump, através do Twitter, foi classificada por Lula como “totalmente anômala e impensável”. Ele detalhou as dificuldades enfrentadas por sua equipe para estabelecer um diálogo eficaz com a contraparte americana, que parecia relutante em negociar, presumindo que Trump resolveria as questões por meio de suas postagens na rede social. Somente após o contato direto entre os dois presidentes, o processo de comunicação começou a fluir de maneira mais construtiva. Lula expressou confiança de que as relações comerciais retornarão à normalidade, um desfecho que ele acredita ser do interesse do próprio Trump, uma vez que a taxação de produtos brasileiros poderia gerar inflação nos EUA, prejudicando a população americana. “Se taxar algum produto nosso vai causar inflação nos Estados Unidos e vai ser prejudicial ao povo americano. Eles já sabem disso”, ponderou o presidente brasileiro.

Além das questões comerciais, Lula reiterou que o Brasil não busca ser uma liderança hegemônica na América Latina, mas sim que a região seja respeitada e reconhecida como uma zona de paz, um status já estabelecido. O presidente planeja discutir com seu homólogo americano o papel dos Estados Unidos na América do Sul. “Qual é o papel deles? De ajudar? Ou de ficar ameaçando? Agora está ameaçando o Irã. É preciso colocar um paradeiro nisso. O mundo está precisando de tranquilidade”, afirmou, destacando a necessidade de estabilidade global.

Em meio a crises internacionais, Lula revelou ter telefonado para quase todos os presidentes nos últimos dias, enfatizando a importância de uma resposta global aos eventos na Venezuela, em Gaza e na Ucrânia. Ele defendeu que nenhum país, independentemente de seu poder, deve ter o direito de interferir unilateralmente na vida de outras nações, sublinhando a importância do multilateralismo e da cooperação internacional para resolver desafios complexos.

Durante sua conversa com Trump sobre uma visita futura, Lula propôs uma abordagem direta e transparente: “pegar um na mão do outro, olhar um no olho do outro, para ver o que a gente quer entre o Brasil e Estados Unidos”. Ele assegurou que não há temas proibidos na pauta, aceitando discutir questões como o combate ao narcotráfico e o fornecimento de minerais críticos. Contudo, o presidente frisou a condição de que o processo de transformação desses minerais ocorra no Brasil, evitando a mera exploração extrativista. “A gente só cava buraco e manda o minério para fora para depois comprar produto manufaturado. Não. Nós agora queremos transformar no Brasil”, enfatizou, defendendo a agregação de valor e a industrialização nacional.

Lula estabeleceu um contraste marcante entre as negociações com nações desenvolvidas e a recém-concluída visita de quatro dias à Índia. Ele descreveu as negociações com países ricos, “habituados a serem colonizadores”, como permeadas por uma espécie de “autoritarismo”. Em contrapartida, as conversas com a Índia foram diferentes, caracterizadas pela similaridade entre os dois países em desenvolvimento: “nós somos dois necessitados, ninguém é superior a ninguém”. Os resultados foram classificados como “surpreendentes”.

Durante a visita à Índia, empresas indianas anunciaram planos de investimento de pelo menos R$ 10 bilhões no Brasil nos próximos quatro a cinco anos, com a sinalização de que muitos outros projetos estão em negociação. Um evento promovido pela ApexBrasil reuniu cerca de 900 empresários de ambos os países, resultando na assinatura de acordos de transferência de tecnologia para a produção de medicamentos contra o câncer, além de parcerias em inteligência artificial e minerais críticos. Lula refletiu sobre a persistência de uma colonização tecnológica e econômica, apesar da independência política. “É preciso construir parceria com gente que tenha similaridade conosco, para que a gente possa somar o nosso potencial e nos tornar fortes”, destacou, defendendo alianças estratégicas com nações de características semelhantes.

Lula Aliviado após Tarifaço e Negociação EUA com Trump - Imagem do artigo original

Imagem: valor.globo.com

Entre os investimentos anunciados, o grupo Birla destinará R$ 5 bilhões para uma planta de reciclagem de alumínio em Pindamonhangaba (SP), cidade natal do vice-presidente Geraldo Alckmin. Outros grupos já atuantes no Brasil, como Tata e Mahindra, indicaram investimentos adicionais. A Fomento planeja aplicar R$ 2,5 bilhões em um porto no Rio Grande do Norte, e o grupo Adani anunciou o início de um voo direto entre a Índia e o Brasil, com escala em Johannesburgo. Do lado brasileiro, a Vale e Adani formalizaram um investimento de US$ 500 milhões em uma planta de blendagem de minério de ferro, e a Embraer firmou dois acordos para montar aeronaves militares (KC-390 Millennium) e civis (E-175) utilizando componentes fabricados na Índia.

Em diálogo com o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, Lula discutiu a expansão do acordo Mercosul-Índia e elevou a meta de comércio bilateral para US$ 30 bilhões até 2030, um aumento significativo em relação aos US$ 15 bilhões registrados no ano anterior. Os líderes também abordaram a geopolítica global, conforme informado pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira. No total, foram formalizados 11 acordos governamentais e 10 acordos no setor privado. Neste domingo, Lula reiterou sua defesa pela reforma da Organização das Nações Unidas (ONU), uma pauta compartilhada com a Índia, argumentando que a instituição, em sua configuração atual, tem “pouquíssima eficácia” e não consegue resolver os problemas globais.

Após a agenda na Índia, o presidente Lula seguiu para a Coreia do Sul para uma visita oficial, e no retorno, fará uma escala técnica nos Emirados Árabes Unidos, onde poderá encontrar o presidente Mohamed bin Zayed Al Nahyan. Para mais detalhes sobre as complexidades das relações comerciais e diplomáticas, consulte artigos sobre a política comercial entre Brasil e EUA.

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Em suma, a postura estratégica do presidente Lula em relação ao “tarifaço” dos EUA e sua bem-sucedida missão na Índia reforçam uma visão de política externa que prioriza o diálogo cauteloso, a multilateralidade e a busca por parcerias estratégicas que promovam a industrialização nacional. Continue acompanhando as análises e notícias sobre Política para entender os próximos passos da diplomacia brasileira e seus impactos.

Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva Foto: Ricardo Stuckert/Agência O Globo

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