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Drones EUA e Irã: Entenda a Origem dos Modelos na Guerra

Economia

A crescente utilização de aeronaves não tripuladas, popularmente conhecidas como drones, tem remodelado a dinâmica dos conflitos armados modernos. Em um cenário complexo envolvendo Estados Unidos e Irã, destaca-se que os drones EUA e Irã, em particular os modelos americanos usados em combates recentes, possuem uma ligação direta com a tecnologia desenvolvida pelos iranianos. Essas plataformas, menores e mais acessíveis que mísseis ou aeronaves tripuladas, ganharam protagonismo devido ao seu custo de produção reduzido e à capacidade de operação sem risco de vidas humanas.

No contexto global, centenas desses equipamentos aéreos têm cruzado os céus, frequentemente atingindo seus alvos em zonas de conflito. A popularidade desses armamentos foi impulsionada por sua eficiência e economia. Em um movimento estratégico de propaganda bélica, o Irã, na última segunda-feira (2), divulgou um vídeo exibindo uma considerável frota de seus drones, o que foi interpretado como uma clara demonstração ofensiva direcionada aos Estados Unidos. O sucesso iraniano no desenvolvimento dessa tecnologia foi além de suas fronteiras, com a exportação de modelos para a Rússia, que os adaptou para uso na invasão à Ucrânia, e serviu também de base para a criação dos drones mais recentes utilizados pelas próprias forças armadas americanas.

Drones EUA e Irã: Entenda a Origem dos Modelos na Guerra

Os drones iranianos que atraíram a atenção global são do modelo Shahed-136, cujo nome significa “testemunha” em persa. Conhecidos também como “drones kamikaze” devido à sua capacidade de ataque suicida, esses equipamentos são fabricados por uma colaboração entre a Corporação de Indústrias de Fabricação de Aeronaves iraniana (HESA, em inglês), uma estatal, e a empresa Shahed Aviation Industries. O Shahed-136 é um dispositivo não tripulado com um formato distinto de asa delta, complementado por lemes estabilizadores localizados nas extremidades de suas asas.

Este drone de ataque portátil foi projetado para transportar ogivas de composição não especificada, com uma carga útil que pode atingir até 40 kg, alojada em sua seção frontal. Uma das características notáveis do Shahed-136 é sua versatilidade de lançamento, podendo ser montado e disparado a partir de veículos militares ou caminhões comerciais adaptados, conforme informações do portal especializado em armamentos militares Army Technology. Ao ser lançado, o drone segue uma rota pré-programada em direção ao seu alvo, utilizando um sistema de navegação simplificado, comparável ao GPS doméstico, o que lhe permite realizar curvas e desvios durante o trajeto.

As especificações técnicas do Shahed-136 são impressionantes para um equipamento de seu porte: possui um alcance estimado entre 1.000 e 1.500 km, capaz de atingir uma velocidade máxima de 185 km/h. Com um peso de 200 kg, mede 3,5 metros de comprimento e tem uma largura de 2,5 metros. Segundo o site especializado Army Recognition, o drone está disponível em três configurações distintas para as forças armadas iranianas: versões antiveículo blindado, antifortificação e com capacidade de busca por radar, o que demonstra sua adaptabilidade a diferentes cenários de combate.

Uma inovação tática desenvolvida pelo Irã com o Shahed-136 é a estratégia de “enxame”, onde múltiplos drones são lançados simultaneamente para atacar alvos próximos. Essa técnica aumenta a probabilidade de sucesso e sobrecarrega as defesas inimigas, representando um novo paradigma nos ataques com aeronaves não tripuladas.

Em resposta à proliferação e eficácia dos drones iranianos, os Estados Unidos desenvolveram seus próprios modelos, alguns dos quais são diretamente derivados de um projeto de engenharia reversa do Shahed-136. De acordo com o Comando Central (Centcom), a força americana nesta guerra contra o Irã tem utilizado drones que se originaram desse estudo. O modelo mais recente é o LUCAS (sigla em inglês para Sistema de Ataque de Combate Não Tripulado de Baixo Custo), que é o sucessor do projeto FLM 136.

Drones EUA e Irã: Entenda a Origem dos Modelos na Guerra - Imagem do artigo original

Imagem: Reprodução via valor.globo.com

O desenvolvimento do LUCAS é uma parceria entre os militares dos EUA e a empresa SpecterWorks. O projeto FLM 136, que serviu como base, apresentava as seguintes características: alcance de aproximadamente 700 km, sob condições de comando e controle irrestritas; velocidade máxima de 185 km/h; peso de 308 kg; e comprimento de 2,3 metros, com uma autonomia de voo de seis horas. Detalhes técnicos específicos sobre o LUCAS, seu sucessor, ainda não foram divulgados publicamente.

Durante sua fase de desenvolvimento no Pentágono, o drone LUCAS foi integrado a avançados sistemas de comunicação via satélite, incluindo a rede Starlink, de propriedade de Elon Musk, conforme reportado pela Reuters. O Departamento de Guerra dos EUA informou que o LUCAS é capaz de executar ataques de precisão contra defesas aéreas, lançadores de mísseis e alvos militares fortificados, evidenciando a capacidade aprimorada da versão americana em relação ao seu inspirador iraniano.

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A evolução dos drones, de sua simplicidade e baixo custo até a sofisticação da engenharia reversa e integração de alta tecnologia, exemplifica a constante corrida armamentista e a busca por superioridade militar no cenário geopolítico atual. Compreender a origem e as capacidades dos drones EUA e Irã é crucial para analisar os desdobramentos de futuros conflitos. Para mais análises e notícias sobre política nacional e internacional, continue acompanhando a editoria de Política do nosso portal.

Crédito da imagem: Fars/Wikimedia Commons

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