As recentes investigações do Grupo de Atuação Especial no Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público de São Paulo lançam luz sobre um intrincado Esquema de Corrupção na Polícia Civil SP: Saiba Quem é Quem. A operação, deflagrada na última quinta-feira (5), resultou na expedição de mandados de prisão contra um grupo diversificado, que inclui agentes da lei, doleiros e outros indivíduos, todos suspeitos de integrar uma organização criminosa envolvida em lavagem de dinheiro e evasão de divisas.
Este complexo esquema, de acordo com as autoridades, envolveu a cooptação de servidores públicos para facilitar atividades ilícitas e frustrar investigações. Os alvos dos mandados de prisão abrangem um delegado, dois investigadores, um escrivão e um advogado, além de membros já conhecidos da Operação Lava Jato, como o doleiro Leonardo Meirelles e a contadora Meire Poza.
O inquérito que culminou nesta ação visa desvendar como policiais civis teriam atuado para proteger a organização criminosa, garantindo que seus integrantes não fossem responsabilizados. A gravidade das acusações revela uma teia de conivência e pagamento de propinas. Para detalhar os participantes e suas respectivas atribuições neste caso, confira abaixo os perfis dos principais envolvidos no suposto
Esquema de Corrupção na Polícia Civil SP: Saiba Quem é Quem
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Delegado João Eduardo da Silva
Identificado como delegado de polícia do 16º DP, localizado na Vila Clementino, João Eduardo da Silva é apontado como suspeito de utilizar um inquérito que ele mesmo instaurou em 2022 contra a organização de lavagem de dinheiro para obter vantagens indevidas. O Ministério Público indica que ele solicitou um relatório detalhado do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) sobre as movimentações financeiras de empresas ligadas ao grupo, mas nunca anexou esses documentos ao processo oficial. A Promotoria sustenta que tais relatórios foram empregados como ferramenta de pressão, com o objetivo de elevar a probabilidade de recebimento de valores ilícitos, que teriam totalizado R$ 100 mil. A defesa do delegado não foi localizada, e ele foi representado pela Defensoria Pública de São Paulo na audiência de custódia, que não respondeu sobre a continuidade no caso.
Escrivão Ciro Borges Magalhães Ferraz
Subordinado direto do delegado João Eduardo da Silva, Ciro Borges Magalhães Ferraz é suspeito de ter tido participação ativa na extorsão que, segundo a Promotoria, foi arquitetada por seu superior. As investigações atribuem a ele a responsabilidade de intimar os alvos do inquérito utilizado pelo delegado titular, ação que culminou na obtenção das vantagens. Assim como o delegado, a defesa de Ciro não foi localizada. Um advogado que já o defendeu em questões cíveis informou não atuar no caso criminal. Ele também foi representado pela Defensoria Pública de São Paulo na audiência de custódia.
Investigador Roldnei Eduardo dos Reis Baptista
Lotado na 1ª Delegacia de Combate à Corrupção do Departamento de Polícia de Proteção à Cidadania (DPPC), Roldnei Eduardo dos Reis Baptista é considerado pelo Ministério Público como um dos personagens centrais no esquema de corrupção. As acusações sugerem que ele teria auxiliado na substituição de um HD apreendido durante uma operação realizada em 2022. O conteúdo deste dispositivo seria comprometedor para as empresas sob investigação. Tentativas de contato com o advogado Raphael Guilherme da Silva, que o representou na audiência de custódia, não obtiveram sucesso.
Investigador Rogério Coichev Teixeira
Integrantes do Serviço Aerotático (SAT), uma unidade de elite da Polícia Civil, Rogério Coichev Teixeira é descrito por um dos membros da suposta organização criminosa como um “amigo”. Ele é acusado de intermediar o recebimento de R$ 100 mil em propina, montante que teria sido pago nas instalações do hangar da corporação, localizado no Campo de Marte, em São Paulo. Em uma ocasião, ele teria recebido R$ 50 mil em espécie. Em outra, ao receber R$ 40 mil em vez do valor combinado, questionou sobre o pagamento da diferença, afirmando que precisava “levar o dinheiro ‘para os meninos'”, em referência a outros agentes que deveriam receber parte da vantagem indevida. A defesa de Coichev não foi encontrada, e a Defensoria Pública de São Paulo o representou na audiência de custódia.
Advogado Marlon Antônio Fontana
Marlon Antônio Fontana, advogado, é apontado como intermediário em fraudes processuais e pagamentos de propina em benefício do grupo criminoso. Mensagens extraídas de seu telefone celular, segundo a Promotoria, revelam orientações para que investigados pagassem R$ 30 mil em propina a policiais. Ele também é suspeito de ter sido um dos responsáveis pela troca do HD apreendido na operação de 2022. O telefone do advogado Dário Roberto do Carmo, que representou Marlon na audiência de custódia, não foi atendido.
Cléber Azevedo dos Santos – Membro da Organização
Conforme o Ministério Público, Cléber Azevedo dos Santos atuava como membro da organização criminosa, responsável por negociar e efetuar pagamentos de vantagens indevidas a policiais civis. As investigações indicam que ele mantinha contato constante com intermediários para acertar os valores. O advogado José Antônio Chiaradia, que representou Cléber na audiência de custódia, não retornou às tentativas de contato.

Imagem: www1.folha.uol.com.br
Doleiro Leonardo Meirelles
Leonardo Meirelles, conhecido doleiro, é apontado pelo Ministério Público de São Paulo como integrante do grupo responsável por atos de lavagem de dinheiro e evasão de divisas. Ele também seria o responsável por pagamentos de propina a policiais civis. Meirelles possui um mandado de prisão pendente, associado a um processo por associação para o tráfico. Figura proeminente na Operação Lava Jato, onde foi preso e acusado de ceder suas empresas ao doleiro Alberto Youssef para remeter até R$ 140 milhões ao exterior, ele obteve liberdade após confessar os crimes. Atualmente, Meirelles está foragido, e sua defesa não foi localizada.
Contadora Meire Bonfim da Silva Poza
Meire Bonfim da Silva Poza é acusada de ser a contadora das empresas de fachada utilizadas pelo grupo criminoso, de acordo com o Ministério Público. O Gaeco havia solicitado à Justiça a imposição de medidas restritivas contra ela. Contudo, Poza acabou presa devido à consideração do juiz de que há reincidência em seu histórico, uma vez que ela já havia sido alvo de operações anteriores sob a suspeita de integrar, assim como Meirelles, a estrutura financeira de Alberto Youssef durante a Operação Lava Jato. A contadora chegou a prestar depoimento a policiais corruptos e foi alertada por um interlocutor de que “já está tudo acertado com os caras lá dentro”. O advogado Anderson Alexandrino Campos, responsável pela defesa de Poza, não atendeu às ligações.
Robson Martins de Souza – Operador Financeiro
Robson Martins de Souza é considerado pelas investigações como o pivô do esquema de articulação entre criminosos e policiais. Ele atuava como um dos operadores financeiros da rede e mantinha empresas de fachada para efetuar pagamentos a intermediários. A Promotoria afirma que foi ele quem alertou Meire Poza sobre o acordo com os policiais (“já está tudo acertado com os caras”) e quem orquestrou o plano para a troca do HD apreendido. As tentativas de contato com o número cadastrado em nome de Robson na OAB não obtiveram retorno.
Antônio Carlos Ubaldo Júnior – Intermediador
Segundo a investigação, Antônio Carlos Ubaldo Júnior era um dos responsáveis pela intermediação da propina aos policiais civis. Um áudio interceptado durante as investigações revela Ubaldo afirmando a um interlocutor, também preso, que policiais “arredondariam a situação a favor do grupo”. Ele foi funcionário comissionado do deputado estadual Rodrigo Moraes (PL) por um período de um ano e dois meses, entre abril de 2023 e junho de 2024. O gabinete do parlamentar e a defesa de Ubaldo não retornaram às tentativas de contato.
Paulo Rogério Dias, vulgo “Barão”
Conforme o Ministério Público de São Paulo, Paulo Rogério Dias, conhecido como “Barão”, era integrante da organização criminosa e responsável por efetuar pagamentos a policiais. Ele mantinha empresas de fachada com o propósito de dissimular e ocultar a origem dos recursos ilícitos. A defesa de Paulo não foi localizada pelas tentativas da reportagem.
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Este panorama detalhado dos nomes e atribuições no esquema de corrupção na Polícia Civil SP ressalta a complexidade e a gravidade das acusações. O Gaeco, órgão responsável pela investigação e combate ao crime organizado no Ministério Público de São Paulo, continua a aprofundar as apurações para desmantelar por completo essa organização criminosa e garantir a responsabilização de todos os envolvidos. Para se manter informado sobre novas operações e desenvolvimentos no cenário político e judicial brasileiro, acesse nossa editoria de Política e acompanhe as atualizações diárias.
Crédito da imagem: Pedro Affonso – 17.jul.24/Folhapress







