A prática de colocar piercing nos dedos, popularizada recentemente, tem gerado intensa discussão entre profissionais de saúde e piercers, que desaconselham veementemente a perfuração devido a múltiplos riscos. A controvérsia ganhou destaque em agosto de 2025, quando North West, aos 12 anos e filha da celebridade Kim Kardashian, foi vista em Roma com joias nos dedos, provocando uma enxurrada de críticas direcionadas à sua mãe pela permissão. Em resposta, West lançou, em fevereiro deste ano, sua canção de estreia, “Piercing on My Hand”, reafirmando seu desejo por mais modificações corporais, e a faixa já acumula mais de 1,5 milhão de reproduções no Spotify.
Contrariando a tendência estética impulsionada por figuras públicas, especialistas alertam para os perigos inerentes a este tipo de perfuração. A região dos dedos, constantemente exposta a produtos químicos, sujeira e atrito, apresenta um ambiente propício para complicações graves, incluindo inflamações e infecções. Além disso, o risco de traumas por enroscos em objetos cotidianos é elevado, podendo, em cenários mais severos, comprometer articulações e até mesmo estruturas ósseas.
Piercing nos Dedos: Especialistas Alertam Sobre Riscos à Saúde
A experiência pessoal corrobora as advertências dos profissionais. Diana Herbst, uma assistente administrativa de 29 anos, decidiu perfurar o dedo aos 18 anos, motivada exclusivamente pela estética e pelo apreço por anéis, buscando uma alternativa fixa. Inicialmente, ela não se arrependeu da escolha. Contudo, os problemas surgiram à medida que o furo apresentava uma coloração roxa persistente e preocupante.
“Nunca cicatrizava. Consequentemente, todo produto de limpeza e creme penetravam no furo, que começou a inchar e adquirir uma tonalidade roxa ao redor”, relata Diana. Com o tempo, o inchaço e a alteração de cor progrediram, espalhando-se pela área do dedo. “Cheguei a pensar que meu dedo cairia. Foi então que decidi remover o piercing”, conclui, acrescentando que hoje ela ativamente desaconselha a perfuração nessa região.
A Perspectiva Profissional dos Piercers
O profissional Metamorfo Piercer, responsável pela perfuração de Diana, sua amiga, relembra que, mesmo no início de sua carreira, há 12 anos, já pressentia que a cicatrização seria um desafio. Atualmente, com uma década de experiência, ele deixou de oferecer este tipo de procedimento. Segundo Metamorfo, existe um consenso entre os piercers experientes de que perfurações nos dedos são desaconselháveis.
“A mão está em contato constante com superfícies, é uma área que lavamos a todo momento, colocamos no bolso, seguramos objetos. Todo esse atrito ocorre sobre uma ferida aberta, que tenta cicatrizar com um corpo estranho inserido, e em uma das partes do corpo com maior nível de contaminação. É um erro perfurar ali”, enfática o profissional.
André Fernandes, presidente da Associação de Piercers Profissionais do Brasil (APPBR) e proprietário do estúdio Millennium Piercing, localizado em São Paulo, reforça a não recomendação para piercings nos dedos. “Um piercing nesta região jamais apresentará um bom resultado. Não existem joias projetadas especificamente para essa área, e a constante fricção a que a mão é submetida torna a probabilidade de sucesso praticamente nula”, afirma Fernandes.
Fernandes destaca que a prática de body piercing evoluiu significativamente, deixando de ser um passatempo amador, comum nos anos 1990, caracterizado pelo uso de joias de baixa qualidade e técnicas deficientes. Hoje, o cenário exige padrões rigorosos, incluindo a utilização de materiais e técnicas apropriados, esterilização de nível hospitalar e um acompanhamento detalhado do cliente. A cicatrização pode estender-se de seis meses a um ano, e a assistência profissional é crucial para evitar complicações nesse período.
Mesmo com todas as precauções e a escolha correta da joia e da técnica, todo piercing representa um risco, uma vez que se trata da criação de uma ferida aberta no corpo. A escolha criteriosa da joia, da técnica e, primordialmente, da região corporal a ser perfurada é fundamental para minimizar esses riscos.
Alertas e Complicações Médicas
Do ponto de vista dermatológico, as advertências são igualmente claras. Para a dermatologista Sylvia Ypiranga, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), mesmo materiais considerados seguros não são totalmente inócuos. “Nenhum material é completamente neutro para o organismo. Sempre existe alguma probabilidade de reação inflamatória”, explica a médica, reforçando a importância de consultar fontes confiáveis como a Sociedade Brasileira de Dermatologia para informações sobre saúde da pele.
A pele atua como a primeira linha de defesa do corpo contra agentes externos. Ao realizar um piercing, essa barreira protetora é rompida. As complicações mais frequentes incluem infecções bacterianas, reações alérgicas ao metal da joia e problemas na cicatrização. Em alguns casos, pode-se desenvolver uma queloide, uma cicatriz elevada e endurecida que se estende além dos limites da perfuração. Outra consequência é a fibrose, uma cicatriz interna que pode comprometer a mobilidade dos dedos.
Há também a possibilidade de granuloma piogênico, uma lesão inflamatória que surge quando o organismo tenta isolar o corpo estranho, formando uma “carne esponjosa” no local. A perfuração estabelece uma abertura permanente na pele, que serve como uma porta de entrada para bactérias. Essa vulnerabilidade é particularmente preocupante nos dedos, uma vez que a região é rica em articulações e pequenas estruturas ósseas.
A dermatologista Bhertha Tamura, doutora em dermatologia pela Universidade de São Paulo (USP), alerta que uma infecção bacteriana nos dedos pode “complicar bastante”. Se a infecção atingir os nervos, a lesão pode ser definitiva, resultando em limitação de movimento ou alteração de sensibilidade, que pode ser duradoura ou irreversível. Caso a infecção alcance o osso, a situação torna-se grave, frequentemente exigindo tratamento intensivo com antibióticos potentes.
Quem Deve Evitar e Recomendações de Segurança
As especialistas são unânimes em apontar grupos que devem evitar piercings. Isso inclui indivíduos com sistema imunológico comprometido, como pacientes em quimioterapia, transplantados ou aqueles que utilizam medicamentos imunossupressores. Pessoas com doenças crônicas que afetam a cicatrização, como diabetes e artrite reumatoide, também fazem parte desta lista. Indivíduos com histórico de queloide ou cicatrização anormal, alergia a metais, ou que apresentam doenças de pele ativas na área onde a perfuração seria feita, também devem se abster.
Para aqueles que, apesar dos riscos, decidem prosseguir com o procedimento, a principal recomendação é minimizar os danos. “Para reduzir o impacto, prefira perfurar outra parte do corpo que não seja as mãos”, aconselha Ypiranga. Os cuidados básicos incluem buscar um profissional qualificado, assegurar que o procedimento seja realizado com materiais esterilizados e manter uma higiene rigorosa durante o período de cicatrização, utilizando sabão neutro e uma solução isotônica para promover a hidratação celular e a recuperação.
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Em suma, embora o piercing nos dedos possa ser percebido como uma extravagância estética, os riscos à saúde superam os benefícios, conforme reiterado por profissionais da área e experiências reais. É crucial que os interessados considerem as advertências sobre infecções, traumas e danos permanentes antes de optar por esta perfuração. Para continuar acompanhando notícias e análises sobre saúde, bem-estar e tendências do universo das celebridades, convidamos você a explorar nossa editoria de Celebridade.
Crédito da imagem: Reprodução – 6.fev.26/North West no Instagram






