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Irã: Consenso sobre Sucessor de Khamenei na Assembleia

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A discussão sobre o sucessor de Ali Khamenei, o Líder Supremo do Irã, ganhou um novo capítulo neste domingo (8), com a Assembleia de Especialistas indicando a formação de um consenso. Segundo o aiatolá Mohammadmehdi Mirbaqeri, membro do colegiado, há uma concordância praticamente unânime a respeito do próximo líder, conforme reportagem da agência de notícias Mehr.

A Assembleia de Especialistas é o órgão fundamental na estrutura de poder iraniana, responsável por eleger e supervisionar o Líder Supremo. Mirbaqeri, contudo, ressaltou que, apesar do consenso aparente, “alguns obstáculos” precisam ser superados para que o processo de transição seja totalmente concluído.

Irã: Consenso sobre Sucessor de Khamenei na Assembleia

Outro integrante da Assembleia, o aiatolá Mohsen Heidari Alekasir, complementou as informações em um vídeo, afirmando que a seleção do futuro líder foi pautada pela orientação de Khamenei de que o sucessor deveria ser alguém “odiado pelo inimigo”. Esta diretriz sublinha a postura ideológica e geopolítica que se espera do próximo comandante da República Islâmica.

Composta por 88 autoridades islâmicas eleitas por voto popular, a Assembleia de Especialistas não revelou publicamente o nome do indivíduo que assumirá o posto de Khamenei, no poder desde 1989. Nos últimos dias, diversos nomes foram ventilados nos bastidores políticos. Entre os mais citados, figuram Mojtaba Khamenei, filho do atual líder, e Hassan Khomeini, neto do aiatolá Ruhollah Khomeini, fundador da República Islâmica.

A escolha de uma dessas personalidades, em particular de figuras ligadas à linha-dura do regime, seria um forte indicativo da manutenção do controle por parte de setores conservadores no Irã. Analistas internacionais observam de perto esses movimentos, considerando as ramificações para a política interna e externa do país.

Reações Internacionais e Tensões Regionais

A sucessão de Ali Khamenei já provoca reações significativas na esfera internacional. Israel, por exemplo, já anunciou publicamente que o próximo Líder Supremo será considerado um alvo estratégico. Essa declaração reflete a escalada das tensões e a complexidade das relações no Oriente Médio.

Os Estados Unidos também expressaram sua posição. Na quinta-feira (5), o presidente Donald Trump, em entrevista ao site Axios, declarou que não aceitaria Mojtaba Khamenei no cargo. Essa manifestação adiciona uma camada de pressão sobre o processo de escolha, que ocorre em um contexto de intensa instabilidade geopolítica.

A Assembleia de Especialistas ainda enfrenta um pequeno impasse procedural: decidir se a deliberação final sobre o sucessor ocorrerá em uma reunião presencial ou se a decisão será emitida sem a necessidade dessa formalidade. Essa discussão evidencia a cautela e a complexidade burocrática envolvida na transição de poder no Irã.

Paralelamente aos debates sobre a sucessão, militares israelenses reafirmaram sua postura combativa. Em uma publicação na rede social X, eles afirmaram que continuarão a perseguir todos os sucessores do Líder Supremo do Irã. O alerta se estendeu a qualquer entidade que tentasse designar um sucessor para o aiatolá Ali Khamenei, em uma clara referência ao órgão clerical iraniano. Para entender melhor o funcionamento do sistema político iraniano e o papel de seus líderes, é útil consultar fontes especializadas em política internacional.

Conflito e Impactos Econômicos no Irã

Enquanto a Assembleia discute a liderança, Tel Aviv prossegue com operações militares, bombardeando Teerã e outras cidades iranianas, como Isfahan e Yazd, localizadas no centro do país. Neste domingo, uma densa coluna de fumaça pôde ser vista sobre a capital iraniana, após um ataque israelense a quatro depósitos de petróleo na região da cidade. Este foi o primeiro ataque relatado contra instalações petrolíferas iranianas desde o início do conflito.

Irã: Consenso sobre Sucessor de Khamenei na Assembleia - Imagem do artigo original

Imagem: www1.folha.uol.com.br

Após a ofensiva, Mohammad Sadegh Motamedian, prefeito de Teerã, confirmou que a distribuição de combustível foi temporariamente interrompida. Keramat Veyskarami, presidente da empresa nacional de distribuição de derivados de petróleo, detalhou que o ataque atingiu quatro depósitos e um centro logístico de produtos petrolíferos. O executivo informou que quatro pessoas perderam a vida, incluindo dois motoristas de caminhões-tanque.

Ali Mohammad Naini, porta-voz da Guarda Revolucionária, o exército ideológico da República Islâmica, emitiu uma declaração assegurando que as “Forças Armadas são capazes de prosseguir por pelo menos seis meses de guerra intensa no ritmo atual das operações”. Esta afirmação visa reforçar a resiliência militar do Irã frente aos ataques.

O chefe do Conselho Supremo de Segurança Nacional iraniano, Ari Larijani, criticou as previsões dos EUA sobre a curta duração de uma possível oposição. “Pensavam que seria como na Venezuela: atacariam, tomariam o controle e acabaria”, afirmou Larijani, indicando que Washington subestimou a capacidade de resistência iraniana.

No início da guerra, Donald Trump havia convocado a população iraniana a derrubar o regime, estabelecido em 1979. Apesar de Washington desejar a queda do governo, o objetivo declarado é desmantelar a capacidade balística do Irã e prevenir o desenvolvimento de uma bomba atômica, uma intenção que Teerã consistentemente nega.

As autoridades iranianas registraram um balanço de quase 1.000 mortos desde o início do conflito, sendo 30% desse total crianças. É importante notar que agências de notícias não possuem condições de verificar esses números com fontes independentes, dadas as restrições impostas na região.

Em um desdobramento diplomático, os ministros das Relações Exteriores da Liga Árabe estão programados para participar de uma reunião de emergência por videoconferência neste domingo. A pauta do encontro é a avaliação dos ataques iranianos contra territórios de diversos países membros, buscando uma resposta coordenada à escalada das tensões regionais.

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A decisão da Assembleia de Especialistas sobre o próximo Líder Supremo do Irã, em meio a um cenário de ataques e retaliações, reforça a volatilidade da política iraniana e sua profunda interconexão com a segurança regional e global. Continue acompanhando as notícias em nossa editoria de Política para ficar atualizado sobre os desdobramentos deste tema crucial.

Kyaw Soe Oo/via REUTERS

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