rss featured 18699 1773030166

EUA Criam Coalizão Militar com Países da América Latina

Internacional

A formalização de uma coalizão militar entre os Estados Unidos e nações da América Latina, denominada “Escudo das Américas”, marcou um evento significativo neste sábado, dia 7 de março de 2026. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, foi o anfitrião do encontro em Miami, que reuniu líderes de doze países latino-americanos com um objetivo declarado: combater os poderosos cartéis de drogas na região e afastar influências adversárias de Washington que não pertencem ao Hemisfério, em uma alusão direta a potências como China e Rússia.

Durante a cerimônia, o presidente Trump enfatizou a gravidade da situação, comparando a nova iniciativa à campanha estadunidense no Oriente Médio. “Neste dia histórico, nos reunimos para anunciar uma nova coalizão militar para erradicar os cartéis criminosos que assolam nossa região”, declarou Trump. Ele ressaltou a necessidade de uma ação decisiva, afirmando: “Assim como formamos uma coalizão para erradicar o ISIS [grupo considerado terrorista] no Oriente Médio, devemos agora fazer o mesmo para erradicar os cartéis em nossos países.”

EUA Criam Coalizão Militar com Países da América Latina

Os países que integraram a cerimônia de lançamento da coalizão militar incluíram Argentina, Bolívia, Chile, Costa Rica, Equador, El Salvador, Guiana, Honduras, Panamá, Paraguai, República Dominicana e Trinidad e Tobago. Importante notar que o evento não previu pronunciamentos dos presidentes latino-americanos presentes, concentrando as falas na perspectiva dos Estados Unidos sobre a nova aliança e seus propósitos estratégicos. Este movimento reforça a abordagem de segurança regional dos EUA, visando uma cooperação mais estreita no combate a ameaças transnacionais e geopolíticas.

A criação da “Escudo das Américas” sucede a declarações prévias do secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, que na semana anterior havia levantado a possibilidade de ações unilaterais por parte dos Estados Unidos em território latino-americano para supostamente combater cartéis. Tais declarações haviam gerado preocupações quanto à soberania das nações da região. A formalização da coalizão pode ser vista como uma tentativa de mitigar essas preocupações, propondo uma abordagem colaborativa para o enfrentamento dos desafios de segurança.

Paralelamente à cerimônia, a Casa Branca divulgou uma proclamação presidencial assinada por Trump, detalhando os fundamentos e objetivos da Coalizão das Américas contra os Cartéis. O documento estabelece que “Os Estados Unidos treinarão e mobilizarão os militares das nações parceiras para alcançar a força de combate mais eficaz necessária para desmantelar os cartéis”. Além disso, a proclamação estende o escopo da missão para além do tráfico de drogas, mencionando explicitamente o combate à influência de potências estrangeiras de fora do hemisfério. Essa menção tem sido amplamente interpretada como um reflexo da guerra comercial e da disputa geopolítica entre os EUA e a China, indicando que a política externa dos EUA no continente americano busca conter o avanço de concorrentes globais.

A proclamação oficial detalha que “Os Estados Unidos e os seus aliados devem manter as ameaças externas afastadas, incluindo as influências estrangeiras malignas provenientes de fora do Hemisfério Ocidental”. Esta linguagem sublinha a dupla natureza da coalizão: uma frente contra o crime organizado e uma barreira contra o que Washington percebe como ameaças à sua hegemonia regional e global. A abrangência da estratégia revela a complexidade dos interesses envolvidos, que vão desde a segurança interna dos EUA até a manutenção de sua esfera de influência.

Para gerenciar a interlocução com os doze países latino-americanos, o governo Donald Trump designou Kristi Noem, secretária de Segurança Interna dos EUA, para liderar os esforços. Responsável pelas fronteiras norte-americanas, Noem argumentou que, com as fronteiras dos EUA consideradas seguras, o foco da administração Trump poderia agora se expandir para a segurança dos países vizinhos, tanto no que diz respeito ao combate aos cartéis quanto à mitigação da influência estrangeira. “Vamos combater e reverter essas influências estrangeiras nocivas que se infiltraram em muitos de nossos negócios, nossas tecnologias e que vimos se infiltrar em diferentes áreas do nosso modo de vida”, afirmou a secretária, reiterando a determinação em proteger a região de ameaças multifacetadas.

EUA Criam Coalizão Militar com Países da América Latina - Imagem do artigo original

Imagem: agenciabrasil.ebc.com.br

Durante o evento de lançamento da “Escudo das Américas”, o presidente Trump fez menção direta ao México, que optou por não aderir à aliança militar. Ele expressou preocupação com a situação do país vizinho, afirmando que “tudo entra pelo México”, que, segundo suas palavras, estaria sob controle dos cartéis. “Não podemos permitir isso. Muito perto de nós”, disse Trump, adicionando que possui grande apreço pela presidente mexicana. Ele revelou ter oferecido ajuda, comentando: “Eu disse [ao México]: deixe-me erradicar os cartéis”.

A presidente do México, Cláudia Sheinbaum, tem mantido uma postura de defender que a colaboração no combate às drogas com Washington deve ser pautada pela coordenação e igualdade, sem subordinação. O governo mexicano tem consistentemente rejeitado a ideia de operações militares dos EUA dentro de seu território, invocando questões de soberania nacional. Essa posição reflete uma sensibilidade histórica e política em relação à intervenção estrangeira, buscando preservar a autonomia do país em suas estratégias de segurança.

Além das questões relativas à coalizão e ao México, o líder estadunidense também comentou sobre Venezuela e Cuba. Trump elogiou o governo chavista de Delcy Rodríguez na Venezuela, indicando que há um trabalho conjunto em andamento com Caracas. Voltando-se a Cuba, ele renovou suas ameaças, dizendo: “À medida que alcançamos uma transformação histórica na Venezuela, também aguardamos com expectativa a grande mudança que em breve chegará a Cuba. Cuba está no fim da linha”, completou, sinalizando uma contínua pressão sobre a ilha caribenha e uma agenda de mudanças políticas na região.

Confira também: Investir em Imóveis na Região dos Lagos

A formação da “Escudo das Américas” representa um marco na política externa dos EUA na América Latina, redefinindo estratégias de segurança e combate ao crime organizado, ao mesmo tempo em que aborda preocupações geopolíticas. Este movimento de Donald Trump sublinha a intenção de fortalecer a presença e influência estadunidense no hemisfério. Para acompanhar os desdobramentos desta e de outras notícias relevantes sobre o cenário global e a política internacional, convidamos você a continuar explorando nossa editoria de Política.

Foto: White House

Deixe um comentário