Um servidor do Banco Central (BC) será substituído de seu posto no conselho fiscal da Centrus (Fundação Banco Central de Previdência Privada) ainda este mês. Trata-se de Belline Santana, ex-chefe do departamento de Supervisão Bancária da instituição, cujo afastamento ocorre após o surgimento de evidências que o ligam ao caso Master. A informação, inicialmente divulgada pelo jornal Valor Econômico, foi posteriormente confirmada pela Folha.
O processo de substituição de Belline Santana no órgão de fiscalização do fundo de pensão está em andamento. Uma fonte familiarizada com as discussões, que preferiu manter o anonimato, revelou à Folha que a formalização da mudança aguarda a orientação da equipe jurídica, que definirá o melhor procedimento diante do ineditismo da situação.
Servidor do BC Substituído por Ligação com Caso Master
Dada a complexidade do cenário, surge a questão sobre quem assumirá a vaga no conselho fiscal da Centrus. Há incertezas se Eduardo Russolo Ferreira, atual chefe do departamento de contabilidade e execução orçamentária do BC e suplente de Santana, será o sucessor natural. A urgência na resolução dessa questão foi enfatizada, com a expectativa de uma conclusão nos próximos dias. Tentativas de contato com Santana, via telefone e WhatsApp, realizadas por volta das 20h30, não obtiveram resposta. A defesa do servidor também não foi localizada até o momento.
A Centrus é uma entidade fechada de previdência complementar especificamente voltada para os servidores do Banco Central. O conselho fiscal, órgão onde Santana atuava, é o responsável pela fiscalização da gestão econômico-financeira do fundo de pensão. Ele é composto por quatro membros. Belline Santana havia tomado posse como conselheiro fiscal da Centrus em dezembro de 2024 para um mandato de quatro anos, sucedendo Everaldo Luis Bonetti. Economista e integrante do corpo de servidores do BC desde 1998, Santana exercia a função como representante do patrocinador da entidade.
O Desenvolvimento do Caso Master e as Acusações
As investigações sobre o caso Master intensificaram-se na quarta-feira (4), quando Belline Santana e o ex-diretor Paulo Sérgio Neves de Souza foram alvos de uma operação de busca e apreensão realizada pela Polícia Federal. Em decisão judicial, o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou o uso de tornozeleira eletrônica pelos dois. Os apontamentos do caso Master sugerem que Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, mantinha contato direto e frequente com ambos os servidores do BC.
Essas interações, segundo as investigações, incluíam discussões sobre a situação regulatória da instituição financeira e o encaminhamento de documentos internos e minutas de normas do órgão regulador. Alega-se que Santana e Souza teriam alertado o ex-banqueiro sobre o monitoramento exercido pelo Banco Central sobre o Banco Master. No despacho do ministro do STF, são detalhadas mensagens em que Vorcaro buscava, junto aos funcionários do BC, orientações estratégicas para a condução de reuniões institucionais, a formulação de documentos e a abordagem de temas considerados sensíveis, indicando uma relação potencialmente imprópria.

Imagem: www1.folha.uol.com.br
A Reação do Banco Central
O Banco Central informou ter encontrado indícios de vantagens indevidas por parte de dois de seus servidores durante uma investigação interna conduzida sobre o caso Master. O processo está sendo tratado sob sigilo pela corregedoria da instituição. Em comunicado oficial, a autoridade monetária declarou: “De imediato, o Banco Central afastou cautelarmente os referidos servidores do exercício de seus cargos e do acesso às dependências da instituição e a seus sistemas, instaurou procedimentos correcionais para apuração dos fatos e comunicou os indícios de prática de crimes à Polícia Federal.” A atuação do Banco Central do Brasil, como principal autoridade monetária do país, é essencial para a estabilidade financeira e a fiscalização de instituições.
Essa ação reafirma o compromisso do BC com a transparência e a integridade de seus quadros, garantindo que qualquer suspeita de conduta inadequada seja rigorosamente investigada e as medidas cabíveis sejam tomadas em conformidade com a legislação vigente e as normas internas da autarquia.
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Este desdobramento no caso Master e a consequente substituição de Belline Santana no conselho fiscal da Centrus ressaltam a seriedade com que as autoridades tratam a conduta de agentes públicos. Acompanhe mais análises e notícias sobre os rumos da economia brasileira e os desdobramentos de investigações importantes visitando nossa editoria de Economia.
Crédito da imagem: Instagram Belline Santana







