rss featured 18780 1773126451

Corrupção é principal problema do país para 9%

Economia

A percepção da corrupção como principal problema do país manteve-se praticamente inalterada, registrando 9% das menções em um novo levantamento Datafolha, mesmo diante da recente repercussão de casos como o do Banco Master e as fraudes nos benefícios do INSS. A pesquisa, divulgada sete meses antes das próximas eleições, aponta que a preocupação com a moralidade na política não superou outras questões consideradas mais urgentes pela população brasileira. As áreas da saúde e segurança continuam a liderar o ranking das inquietações nacionais, solidificando suas posições como prioridades no debate público.

De acordo com os dados coletados pelo instituto, a saúde surge como o principal problema, sendo citada por 21% dos entrevistados, seguida de perto pela segurança pública, com 19% das menções, ambas tecnicamente empatadas. A economia aparece em terceiro lugar, com 11%, superando numericamente a corrupção. A educação, por sua vez, empata com a corrupção, com 9% de apontamentos. Este cenário sugere que, embora os escândalos recentes tenham ganhado destaque na mídia, eles ainda não se traduziram em uma alteração significativa na percepção coletiva sobre o principal desafio do Brasil.

Corrupção é principal problema do país para 9%

O estudo foi realizado com 2.004 pessoas com 16 anos ou mais, abrangendo diversas regiões do Brasil, com uma margem de erro máxima de dois pontos percentuais e um nível de confiança de 95%. A pesquisa está devidamente registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o código BR-03715/2026. É importante destacar que o levantamento foi concluído antes da divulgação, pelo jornal O Globo, de uma reportagem que detalhava mensagens de WhatsApp trocadas entre o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, então dono do Banco Master, no dia de sua prisão. Os participantes foram questionados espontaneamente: “Considerando as áreas que são de responsabilidade do governo federal, na sua opinião qual é o principal problema do país hoje?”, permitindo uma única resposta.

Historicamente, a preocupação com a corrupção, roubalheira ou desonestidade foi mencionada por 6% da população como principal problema em setembro de 2023. Desde então, o percentual tem oscilado dentro da margem de erro, variando entre esses mesmos 6% e os 9% registrados em março deste ano. Essa estabilidade nos números indica que, até o momento, as revelações de grandes fraudes, como a estimativa de R$ 12 bilhões no caso Master e os R$ 6,3 bilhões desviados de beneficiários do INSS, não causaram um impacto substancial na forma como a população hierarquiza os problemas nacionais.

Luciana Chong, diretora-geral do Datafolha, observa que a saúde historicamente prevalece nas pesquisas sobre os principais problemas do país. Mais recentemente, especialmente no terceiro governo Lula, a segurança pública também tem ganhado força como uma das preocupações mais salientes. “É interessante observar como essa dinâmica se reflete ao longo do tempo”, afirma Chong. Ela destaca que a corrupção foi um tema de grande relevância durante o governo Dilma Rousseff, mas atualmente não se impõe com a mesma magnitude em comparação com a saúde e a segurança. Durante o governo Bolsonaro, por exemplo, os índices de preocupação com a saúde chegaram a ser ainda maiores, demonstrando a volatilidade e as prioridades contextuais da população.

A análise histórica da Datafolha revela flutuações marcantes na percepção da corrupção. No primeiro mandato de Dilma Rousseff, a preocupação com o tema variou entre 3% e 14%, sempre muito aquém da saúde, que registrava índices de 31% a 48%. Contudo, no segundo mandato, impulsionada pelos desdobramentos da Operação Lava Jato, a corrupção ascendeu para se tornar o problema mais citado do país, atingindo picos de 34% e 37%. Durante a gestão de Michel Temer, esse percentual começou a declinar, passando de 32% em meados de 2016 para 20% no final de 2018. Já no governo de Jair Bolsonaro, a preocupação com a corrupção se estabilizou em patamares de um dígito, variando entre uma mínima de 3% e uma máxima de 9%.

A preocupação com a corrupção também apresenta um perfil demográfico e político distinto. Ela é menos acentuada entre eleitores que recebem até dois salários mínimos, registrando 6%. Da mesma forma, aqueles que declaram voto em Lula registram um percentual abaixo da média, com 4%. Em contraste, os eleitores que manifestam voto em Flávio Bolsonaro demonstram uma preocupação significativamente maior, alcançando 14%. Esses dados revelam como a percepção do problema pode ser influenciada por fatores socioeconômicos e alinhamentos políticos, demonstrando que a corrupção não é vista de forma homogênea por todos os segmentos da sociedade. Para uma compreensão mais aprofundada sobre a transparência e integridade pública, é possível consultar o portal da Transparência Brasil.

Corrupção é principal problema do país para 9% - Imagem do artigo original

Imagem: valor.globo.com

Antonio Lavareda, presidente do conselho científico do Ipespe, explica que, em perguntas espontâneas, os entrevistados tendem a recorrer ao que ele chama de “top of mind”, não tendo a oportunidade de ponderar as diferentes áreas. Como a resposta é única, a corrupção pode acabar em segundo plano. Ele acrescenta que, apesar do recente repique, a crise do INSS já havia estourado há mais tempo, e o caso Master pode ser interpretado pela maioria como uma fraude financeira, nos moldes do escândalo das Lojas Americanas, e não como um “mensalão”, o que influenciaria a percepção da sua gravidade em termos de corrupção política.

Marco Antônio Teixeira, professor da FGV, argumenta que a ausência de um grupo político especificamente implicado nos casos mais recentes também pode influenciar a percepção atual, mas isso não significa que o governo não possa ser responsabilizado no futuro. “Em ano eleitoral, a caixa de ressonância é sempre mais forte”, adverte. A extensão do caso Master ainda não está clara, mas há um consenso de que as investigações podem atingir ambos os lados do espectro político. O caso do INSS, embora transversal, pode recair mais sobre o presidente Lula, especialmente após a quebra dos sigilos de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, determinada pelo ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo, para apurar sua suposta relação com o lobista Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS. Do lado de Flávio Bolsonaro, o caso da “rachadinha” ainda pode pesar. A Folha de S.Paulo revelou que o desdobramento das investigações é uma das principais preocupações de aliados do senador, pois, embora arquivadas em 2021, deixaram questões em aberto sobre suas movimentações financeiras.

Andrei Roman, CEO da AtlasIntel, afirma ser difícil determinar quem será o mais impactado pelos escândalos, pois isso dependerá do que ainda virá à tona. No entanto, ele assegura que a corrupção deve figurar entre os temas centrais da eleição deste ano, possivelmente o mais relevante. Para Roman, com os desdobramentos diários dos casos Master e INSS, a corrupção é o assunto do momento, e o volume de notícias nos próximos meses tenderá a influenciar de forma decisiva o cálculo político dos candidatos e a percepção do eleitorado.

Confira também: Investir em Imóveis na Região dos Lagos

Em suma, a recente pesquisa Datafolha oferece um panorama detalhado sobre as preocupações da população brasileira, mostrando que, apesar de grandes escândalos, a corrupção ainda compete com a saúde e segurança pela atenção pública. A complexidade do tema e as implicações políticas futuras serão cruciais para o cenário eleitoral vindouro. Para se manter atualizado sobre os desdobramentos políticos e econômicos, convidamos você a continuar navegando em nossa editoria de Política.

Foto: Jorge Araujo/Folhapress Antonio Lavareda, presidente do conselho científico do Ipespe

Deixe um comentário