rss featured 19132 1773648561

Trump Pode Adiar Cúpula com Xi por Estreito de Ormuz

Economia

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sugeriu um possível adiamento da próxima cúpula com seu homólogo chinês, Xi Jinping. A condição para que o encontro, agendado inicialmente para o período de 31 de março a 2 de abril em Pequim, ocorra conforme o previsto, seria o engajamento da China na garantia da passagem segura de embarcações pelo estratégico Estreito de Ormuz.

Em uma entrevista concedida ao Financial Times, o líder norte-americano enfatizou que as nações que se beneficiam do tráfego marítimo pelo estreito “deveriam nos auxiliar a policiá-lo”. Trump mencionou explicitamente a China, citando sua significativa participação no consumo global de petróleo. Ele expressou o desejo de compreender as intenções de Pequim a respeito dessa questão antes da cúpula programada com Xi, caracterizando o período de duas semanas até a reunião como “um longo tempo”. “Podemos adiar”, afirmou ao jornal britânico, sem fornecer detalhes adicionais sobre as implicações de tal decisão.

Trump Pode Adiar Cúpula com Xi por Estreito de Ormuz

As declarações de Trump ao Financial Times surgiram na esteira de uma publicação nas redes sociais, onde ele havia instado a China, França, Japão, Coreia do Sul, Reino Unido e outras nações “afetadas por essa restrição artificial” ao transporte de energia a “enviarem navios para a região, para que o Estreito de Ormuz não seja mais uma ameaça de uma nação que foi totalmente decapitada”. Em resposta, o veículo de notícias estatal chinês Global Times divulgou uma matéria citando “observadores chineses” que interpretavam a postura de Washington como uma “distorção da lógica da questão”, argumentando que a causa fundamental do bloqueio em Ormuz reside nas operações militares dos EUA e de Israel contra o Irã. As interrupções no transporte marítimo, com retaliações do Irã visando vantagens econômicas e o bloqueio de remessas de energia, elevaram os preços globais, dado o papel crucial do Estreito de Ormuz como uma via navegável vital para o suprimento mundial de petróleo e gás do Oriente Médio.

O pano de fundo para as manifestações do presidente Trump é o encontro de importantes autoridades econômicas, como o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, e o vice-primeiro-ministro chinês, He Lifeng, em Paris. As conversas entre eles são vistas como um preparativo essencial para a planejada viagem de Trump a Pequim, onde os dois presidentes têm uma vasta agenda de assuntos a discutir.

A Agenda da Cúpula: Comércio e Taiwan

Este seria o segundo encontro entre Trump e Xi desde o início do segundo mandato do presidente norte-americano. O primeiro ocorreu à margem da cúpula da APEC na Coreia do Sul, em outubro passado, quando ambos consolidaram uma trégua comercial. Contudo, o cenário econômico evoluiu significativamente desde então: as tarifas “recíprocas” de Trump foram derrubadas pela Suprema Corte dos EUA, resultando na imposição de tarifas gerais temporárias e na abertura de novas investigações sobre alegadas práticas comerciais desleais por países com capacidade ociosa estrutural. Na semana passada, o Ministério do Comércio da China afirmou que os EUA não possuem o direito de determinar unilateralmente se seus parceiros comerciais mantêm capacidade ociosa.

Trump Pode Adiar Cúpula com Xi por Estreito de Ormuz - Imagem do artigo original

Imagem: Evelyn Hockstein via valor.globo.com

Além das questões comerciais e econômicas, Taiwan também figura como um ponto sensível na agenda. Após um telefonema no qual Xi Jinping alertou Trump sobre a venda de armas para Taipei, a ilha autônoma permanece uma fonte de tensão nas relações bilaterais. O conflito no Irã, um parceiro próximo da China, adicionou uma camada de incerteza aos preparativos para a cúpula entre Trump e Xi. Nos primeiros dias dos ataques dos EUA e de Israel, analistas consultados pelo Nikkei Asia consideraram um adiamento como um cenário possível, embora a maioria ainda acreditasse que o encontro aconteceria. Na Assembleia Popular Nacional da China, o Ministro das Relações Exteriores, Wang Yi, sublinhou a relevância de preservar as relações bilaterais com Washington, advertindo que evitar cúpulas presenciais “apenas levaria a mal-entendidos e erros de julgamento”. Wang também expressou a opinião de que a guerra com o Irã “não deveria ter acontecido em primeiro lugar”.

Confira também: Investir em Imóveis na Região dos Lagos

A potencial mudança na data da cúpula entre Donald Trump e Xi Jinping, motivada pela questão do Estreito de Ormuz, reflete a complexa interconexão entre política externa, segurança energética e relações comerciais globais. Este desenvolvimento ressalta a importância de um diálogo contínuo entre as maiores potências mundiais para mitigar tensões e buscar soluções diplomáticas. Para acompanhar as atualizações sobre este e outros temas cruciais da política internacional e economia, continue navegando em nossa editoria de Política.

Crédito da imagem: Valor Econômico

Deixe um comentário