Um grandioso Mutirão Nacional da Saúde da Mulher mobilizou cerca de mil hospitais e centros de saúde, tanto públicos quanto privados, em todo o território brasileiro. A iniciativa, realizada durante um fim de semana, resultou na impressionante marca de mais de 230 mil procedimentos de saúde, que englobaram desde exames e consultas especializadas até cirurgias eletivas, com foco na população feminina.
Esta ação estratégica é parte integrante do programa “Agora Tem Especialistas”, uma iniciativa lançada no ano anterior pelo governo federal. Seu principal objetivo é combater e reduzir as extensas filas de espera no Sistema Único de Saúde (SUS) para tratamentos de média e alta complexidade, garantindo acesso mais rápido e eficiente aos pacientes que mais necessitam.
Mutirão Nacional Saúde Mulher Realiza 230 Mil Atendimentos
A prioridade dada ao público feminino neste mês dedicado às mulheres foi enfatizada pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha. Durante uma visita ao Hospital Universitário de Brasília (HUB) no sábado, dia 21 de março de 2026, o ministro destacou a magnitude do evento: “Estamos fazendo maior mutirão da história do SUS, dedicado exclusivamente à saúde da mulher”, afirmou, sublinhando o compromisso com a saúde e bem-estar das cidadãs brasileiras.
O Hospital Universitário de Brasília, parte da rede da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), foi uma das instituições ativamente envolvidas no mutirão. A unidade registrou a previsão de realizar 800 atendimentos somente ao longo do fim de semana, contribuindo significativamente para o alcance do total de procedimentos efetuados nacionalmente.
Ao longo dos dois dias de intensa atividade, o Ministério da Saúde garantiu uma vasta gama de serviços. Foram disponibilizados exames cruciais para o diagnóstico precoce e tratamento de diversas enfermidades. Entre eles, destacam-se tomografias, ressonâncias magnéticas, ultrassonografias, bem como exames oftalmológicos e auditivos, entre outros que são essenciais para a detecção de condições de saúde.
Além dos exames, a pasta confirmou a realização de diversas cirurgias. No âmbito ginecológico, foram agendadas intervenções como histerectomias, reconstruções mamárias, retirada de tumores uterinos e laqueaduras. Cirurgias gerais também foram contempladas, incluindo procedimentos para catarata, tratamento cirúrgico de varizes e remoção de hérnias, vesículas e tumores cutâneos. Todos esses procedimentos foram executados com o suporte fundamental das secretarias estaduais e municipais de saúde, que desempenharam um papel crucial na regulação e encaminhamento das pacientes que aguardavam na fila por atendimento especializado.
O ministro Padilha detalhou o processo de acesso: “As mulheres têm uma oportunidade de serem chamadas pela secretaria estadual ou pela secretaria municipal de saúde, aqueles que estão esperando pra fazer uma cirurgia para fazer um exame e que precisa estar dentro do hospital para fazer o procedimento. São aquelas que já estavam aguardando na fila”, explicou, reforçando que a iniciativa visava atender diretamente quem já estava em espera.
A robustez do programa “Agora Tem Especialistas” se manifesta em uma nova tabela de pagamentos do SUS. Essa reestruturação permitiu um aumento de até quatro vezes no valor dos repasses destinados a cirurgias e exames. Adicionalmente, a estratégia incluiu a troca de dívidas tributárias de hospitais privados por atendimentos especializados a pacientes do SUS. Conforme o ministro, essas medidas foram determinantes para que o SUS atingisse um recorde de cirurgias em 2025, com mais de 14,7 milhões de procedimentos eletivos, representando um aumento expressivo de 40% em comparação com o ano de 2022.
A realização de mutirões periódicos tem se mostrado uma ferramenta eficaz na diminuição da fila do SUS. É importante notar que essa fila sofreu um crescimento significativo a partir da pandemia de COVID-19, quando houve uma suspensão temporária de cirurgias eletivas e exames especializados, gerando um represamento considerável da demanda por serviços de saúde. Para mais informações sobre as ações do Ministério da Saúde no SUS, você pode consultar o portal oficial do Ministério da Saúde.
Prevenção e Acesso a Métodos Contraceptivos
Entre os tratamentos preventivos oferecidos neste mutirão focado na saúde da mulher, destaca-se o implante de 3,8 mil unidades do Implanon, popularmente conhecido como chip anticoncepcional. Este é um método contraceptivo subdérmico moderno, que consiste em um pequeno bastão inserido sob a pele do antebraço. Sua alta eficácia e duração de até três anos o tornam uma opção procurada. Enquanto na rede privada seu custo pode chegar a R$ 3 mil, no SUS, o acesso é totalmente gratuito, reiterando o compromisso com a saúde reprodutiva feminina.

Imagem: agenciabrasil.ebc.com.br
“É uma demonstração de que no mês de março, o mês da mulher, elas não têm que ganhar somente presentes não, têm que ganhar dignidade”, pontuou Alexandre Padilha, conectando a oferta de serviços de saúde à garantia de dignidade e direitos para as mulheres.
Casos Reais de Atendimento
A efetividade do mutirão foi ilustrada por casos como o de Roseane Cunha, uma empregada doméstica de 41 anos. Ela foi uma das pacientes atendidas no HUB naquela manhã de sábado, marcando o fim de uma espera de aproximadamente quatro anos desde que descobriu uma deficiência auditiva. “Hoje estou muito feliz, porque recebi meu aparelho e estou podendo ouvir melhor, o que é muito gratificante”, compartilhou Roseane à Agência Brasil, após receber o equipamento que transformou sua qualidade de vida. Ela também relatou que, antes, “escutava ruído, mas entendia pouco o que as pessoas falavam”. Além do aparelho, Roseane foi encaminhada para uma cirurgia no ouvido, que será agendada posteriormente.
Em outra ala do hospital, um mutirão de atendimento oftalmológico exclusivo para mulheres com mais de 40 anos ofereceu exames detalhados, como fundo de olho e pressão ocular, além de consultas com médicos especialistas. Para maior comodidade, uma ótica foi montada no local, permitindo que as pacientes já saíssem com seus óculos.
Cristina Pereira Gonçalves, uma roupeira de 42 anos, que já enfrentava dificuldades para enxergar de perto, decidiu comparecer ao atendimento. Ela saiu do local com óculos e um encaminhamento para cirurgia de pterígio, uma intervenção para remover uma membrana que se forma na lateral dos olhos e pode comprometer a visão. “Fiz vários exames, em várias etapas, nem em clínica tinha feito um tratamento mais aprofundado”, elogiou Cristina, ressaltando a qualidade e profundidade dos exames realizados durante o mutirão.
Rodolfo Lira, gerente de Atenção à Saúde do HUB, avaliou a iniciativa como um marco. Segundo ele, o dia de mobilização “amplia o acesso da população a atendimentos e procedimentos em uma lógica de mobilização assistencial qualificada, organizada e resolutiva”. Lira enfatizou que “Trata-se de uma iniciativa que fortalece o SUS ao concentrar esforços, integrar equipes multiprofissionais e otimizar a capacidade instalada dos hospitais universitários em benefício direto da população”. O gestor também informou que o HUB, no mesmo sábado, realizou procedimentos como remoção de lesões oncológicas (embolia de miomas) e sessões de radioterapia.
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Em suma, o Mutirão Nacional da Saúde da Mulher representa um esforço coordenado e significativo para ampliar o acesso a serviços essenciais no SUS, reforçando o compromisso com a saúde feminina e a redução de filas. Para ficar por dentro de mais notícias e análises sobre saúde e outros temas importantes, continue navegando em nossa editoria de Cidades.
Crédito da Imagem: Marcelo Camargo/Agência Brasil







