O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, reafirmou nesta quinta-feira a intenção de intensificar os ataques contra o Irã. A decisão segue uma madrugada descrita como “muito difícil”, na qual dois mísseis iranianos atingiram diretamente o sul do território israelense, resultando em mais de 100 feridos. Teerã prontamente reivindicou a autoria da ofensiva.
As defesas antiaéreas de Israel demonstraram falhas significativas ao interceptar os projéteis, que impactaram as cidades de Dimona e Arad. A mídia estatal iraniana divulgou que o ataque visava o principal centro de pesquisa nuclear israelense e foi uma retaliação ao bombardeio ocorrido anteriormente no complexo de Natanz, a mais importante instalação nuclear do Irã. Por sua vez, o Exército de Israel negou qualquer conhecimento sobre tal ataque, enquanto a emissora pública Kan veiculou que a ação em Natanz poderia ter sido conduzida pelos Estados Unidos.
Netanyahu mantém ofensiva após ataques do Irã ferirem mais de 100
A cidade de Dimona é strategicamente importante por abrigar a principal estrutura de pesquisa nuclear de Israel. Reportagens do canal Kan indicaram inicialmente que pelo menos 39 pessoas foram feridas na localidade. A usina de Dimona, situada no deserto do Neguev, é oficialmente categorizada como um centro de pesquisa nuclear e fornecimento de energia. No entanto, a imprensa internacional tem especulado que ela pode ter tido um papel crucial na fabricação de armamentos atômicos ao longo das últimas décadas, uma informação que Jerusalém consistentemente se recusa a confirmar ou negar. Em Arad, uma cidade localizada a 25 quilômetros a nordeste de Dimona, foram registrados 71 feridos.
Imagens divulgadas por veículos de comunicação locais exibiram edifícios residenciais em Arad com danos consideráveis. De acordo com o serviço de emergência, entre os atingidos nas duas cidades, 10 indivíduos apresentavam estado grave, 13 sofreram ferimentos moderados e 48 tiveram lesões leves. Adicionalmente, 14 pessoas foram encaminhadas para hospitais com crises de ansiedade aguda, recebendo tratamento e apoio psicológico.
Entre as vítimas mais gravemente afetadas pelos **ataques do Irã** em Dimona e Arad, destacam-se duas crianças: um menino de 12 anos, que sofreu ferimentos por estilhaços, e uma menina de 5 anos, atingida em Arad. Bombeiros que atuaram nas áreas impactadas relataram “danos extensos”, com três edificações diretamente afetadas e um incêndio deflagrado em uma delas. A corporação também detalhou que “em Dimona e Arad, interceptadores foram lançados, mas falharam em atingir as ameaças, resultando em dois impactos diretos de mísseis balísticos com ogivas pesando centenas de quilos”.
Diante da gravidade da situação e dos impactos registrados, o ministro da Educação, Yoav Kisch, anunciou a suspensão das aulas presenciais em todo o país. Em comunicado divulgado na plataforma X (antigo Twitter), Kisch informou que “o ensino remoto ocorrerá em todo o país e não haverá aulas presenciais” tanto no domingo quanto na segunda-feira, garantindo a segurança de estudantes e professores.
A recente escalada de violência não é inédita. Teerã já havia emitido alertas sobre a possibilidade de atacar o complexo nuclear de Israel, caso o país e os Estados Unidos continuassem suas ofensivas contra as instalações iranianas de enriquecimento de urânio. Essa ameaça foi divulgada na quarta-feira pela agência de notícias iraniana ISNA, citando um oficial militar de alto escalão.
Em sua própria publicação no X, Benjamin Netanyahu expressou a seriedade do momento: “Esta foi uma noite muito difícil na luta pelo nosso futuro.” Ele relatou ter conversado com o prefeito de Arad, Yair Ma’ayan, pedindo que transmitisse as orações de todos os cidadãos de Israel pela rápida recuperação dos feridos. O primeiro-ministro também manifestou seu apoio irrestrito às forças de emergência e resgate em campo, solicitando que a população siga rigorosamente as instruções do Comando da Defesa Civil. Netanyahu concluiu sua mensagem com uma declaração de firmeza: “Estamos determinados a continuar atacando nossos inimigos em todas as frentes.”

Imagem: noticias.uol.com.br
Contrastando com a postura dos Estados Unidos, Israel emitiu um aviso claro de que a intensidade de seus ataques “aumentará consideravelmente” nos dias seguintes. O ministro da Defesa israelense, Israel Katz, enfatizou a determinação do país: “Não vamos parar até que todos os objetivos da guerra tenham sido alcançados.” Enquanto isso, o presidente Donald Trump, na sexta-feira, declarou que os Estados Unidos estavam “prestes a alcançar” seus próprios objetivos e que previam “reduzir gradualmente” seus “esforços militares” na região, mas descartou a possibilidade de um cessar-fogo imediato. Para um contexto mais aprofundado sobre os conflitos na região, vale a pena consultar análises de especialistas, como as notícias sobre o Oriente Médio na BBC News Brasil.
A tensão regional tem sido marcada por uma série de perdas para o regime iraniano desde o início do conflito, incluindo a morte de figuras proeminentes como o líder supremo Ali Khamenei. Seu filho, Mojtaba Khamenei, assumiu a sucessão, mas não fez aparições públicas desde sua nomeação. Ele notavelmente esteve ausente da oração do Eid al-Fitr, a celebração que marca o fim do Ramadã, em Teerã, um evento tradicionalmente liderado pelo líder supremo da república islâmica.
Paralelamente aos **ataques do Irã**, a situação no Estreito de Ormuz também se agravou. As Forças Armadas dos Estados Unidos informaram ter destruído, ao longo da semana, uma importante instalação subterrânea iraniana na região. O bloqueio da passagem por Teerã, em vigor desde 28 de fevereiro, representa uma séria ameaça ao fornecimento global de petróleo e tem contribuído para a escalada dos preços da commodity. Cerca de vinte nações declararam-se “prontas para contribuir com os esforços” necessários para a reabertura do estreito.
Em um comunicado conjunto, ministros do G7, o grupo das economias mais ricas do mundo, reiteraram a importância vital de proteger as rotas marítimas e condenaram veementemente os ataques iranianos contra civis e infraestruturas civis, incluindo a infraestrutura de energia. O presidente Trump, por sua vez, estabeleceu um ultimato de 48 horas para o Irã liberar a passagem. Em uma publicação em sua rede social, a Truth Social, o republicano ameaçou “atacar e destruir completamente” as usinas de energia iranianas caso o país não reabrisse o estreito dentro do prazo estipulado. As ofensivas na região contribuíram para um aumento de mais de 50% no preço do barril de petróleo. Desde o início do conflito, em 28 de fevereiro, o barril do Brent, que serve como referência internacional para o combustível, saltou 54,8%, passando de US$ 72,48 para US$ 112,19 até o fechamento do dia anterior.
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Em resumo, a escalada do conflito entre Israel e Irã, marcada pelos recentes ataques que feriram mais de 100 pessoas e pela retaliação iminente de Israel, demonstra a volatilidade e a complexidade da geopolítica no Oriente Médio. As repercussões se estendem desde a suspensão de aulas e a ameaça a centros nucleares até o impacto direto nos mercados globais de petróleo. Para acompanhar os desdobramentos desta crise e outras notícias relevantes, continue explorando nossa editoria de Política.
Crédito da imagem: United Hatzalah / Times of Israel






