rss featured 19624 1774297368

Trump aprovou ataque ao Irã visando eliminação de Khamenei

Últimas notícias

Donald Trump deu sinal verde para uma operação militar contra o Irã com o objetivo de eliminar o Líder Supremo aiatolá Ali Khamenei, após uma conversa decisiva com o Primeiro-Ministro israelense Benjamin Netanyahu, menos de 48 horas antes do início da ação conjunta EUA-Israel. A revelação, baseada em informações de inteligência de alta sensibilidade, detalha as discussões que antecederam um dos conflitos mais impactantes na geopolítica recente, alterando a estratégia que o então presidente americano havia defendido em sua campanha.

A inteligência, obtida dias antes, indicava que Khamenei e seus principais assessores se reuniriam no complexo em Teerã, criando uma janela de vulnerabilidade para um ataque de “decapitação” – uma tática frequentemente empregada por Israel, mas menos comum nas operações dos Estados Unidos. No entanto, novas informações revelaram que o encontro havia sido antecipado para a manhã de sábado, ao invés da noite do mesmo dia, um detalhe crucial que influenciou a urgência da decisão, conforme fontes com acesso à ligação telefônica inédita entre os dois líderes.

Trump aprovou ataque ao Irã visando eliminação de Khamenei

Netanyahu, um defensor de longa data de uma operação contra o Irã, argumentou a Trump que esta poderia ser a oportunidade sem precedentes para assassinar Khamenei e, ao mesmo tempo, vingar tentativas anteriores do Irã de assassinar o ex-presidente americano. Entre as ações iranianas citadas, estava um suposto plano de assassinato por encomenda em 2024, quando Trump era ainda candidato à presidência, além de ser uma retaliação pelo assassinato do comandante da Guarda Revolucionária do Irã, Qassem Soleimani, por Washington. O Departamento de Justiça dos Estados Unidos chegou a acusar um cidadão paquistanês de tentar recrutar indivíduos para executar tal plano de assassinato.

Embora Donald Trump já houvesse sinalizado positivamente para a realização de uma operação militar americana contra o Irã, os detalhes sobre o momento exato e as circunstâncias do envolvimento dos EUA ainda estavam em fase de deliberação. As forças militares americanas já haviam intensificado sua presença na região por semanas, alimentando a percepção dentro da administração de que um movimento decisivo era iminente. Uma data prévia para a ofensiva havia sido cancelada devido a condições climáticas adversas, demonstrando a cautela envolvida na preparação de tal empreendimento.

A influência precisa do argumento de Netanyahu na tomada de decisão final de Trump não pôde ser completamente determinada pela Reuters, mas a conversa telefônica representou a última e mais forte defesa do líder israelense a seu homólogo americano. As fontes com acesso à ligação, que preferiram manter o anonimato devido à sensibilidade do assunto, indicaram que este diálogo, combinado com a janela de inteligência que apontava para uma oportunidade limitada de neutralizar o líder iraniano, foi um fator catalisador. Este conjunto de eventos culminou na decisão final de Trump, tomada em 27 de fevereiro, de ordenar às forças militares que prosseguissem com a “Operação Fúria Épica”.

Netanyahu apresentou a Trump a visão de que a eliminação de uma liderança iraniana há muito tempo repudiada pelo Ocidente e por muitos iranianos poderia solidificar seu legado. Ele chegou a sugerir que os próprios iranianos poderiam ir às ruas, derrubando o sistema teocrático que governava o país desde 1979 e que era visto como uma fonte primária de terrorismo e instabilidade global. Os primeiros bombardeios atingiram seus alvos na manhã de sábado, 28 de fevereiro, e na noite do mesmo dia, Trump anunciou publicamente a morte de Khamenei.

Objetivos e Reações Oficiais

Em resposta a um pedido de comentário, a porta-voz da Casa Branca, Anna Kelly, evitou abordar diretamente a conversa entre Trump e Netanyahu. Em vez disso, ela declarou à Reuters que a operação militar tinha como objetivo desmantelar a capacidade de produção de mísseis balísticos do regime iraniano, aniquilar sua Marinha, impedir que o Irã armasse grupos proxy e garantir que o país jamais pudesse desenvolver uma arma nuclear. Nem o gabinete de Netanyahu, nem o representante do Irã na ONU responderam aos pedidos de comentários sobre a operação.

Em uma coletiva de imprensa realizada na quinta-feira, Netanyahu rechaçou veementemente as alegações de que Israel teria de alguma forma compelido os Estados Unidos a um conflito com o Irã, classificando-as como “notícias falsas”. O Primeiro-Ministro israelense questionou a premissa, afirmando: “Alguém realmente acha que alguém pode dizer ao presidente Trump o que fazer? Vamos lá.” Por sua vez, Trump reiterou publicamente que a decisão de atacar o Irã foi exclusivamente sua. Embora as reportagens da Reuters, baseadas em relatos de funcionários e pessoas próximas a ambos os líderes, não sugiram que Netanyahu tenha forçado a guerra, a cobertura indica que o líder israelense agiu como um defensor persuasivo. Sua abordagem, incluindo a chance de eliminar um líder iraniano que supostamente supervisionou tentativas de assassinato contra Trump, revelou-se eficaz em influenciar a decisão presidencial.

O Secretário de Defesa, Pete Hegseth, no início de março, aludiu à vingança como um dos motivadores da operação, ao comentar aos jornalistas: “O Irã tentou matar o presidente Trump, e o presidente Trump deu a última risada.” Esta declaração reforça a narrativa de que a dimensão pessoal teve um peso considerável nas deliberações.

O Caminho para a Intervenção Militar

Durante sua campanha presidencial em 2024, Trump havia fundamentado sua política externa na doutrina “América Primeiro”, manifestando publicamente o desejo de evitar a guerra com o Irã e preferindo uma abordagem diplomática. Contudo, as discussões sobre o programa nuclear iraniano não alcançaram um acordo na primavera anterior, levando Trump a considerar a opção de um ataque, conforme revelado por três indivíduos familiarizados com as deliberações da Casa Branca.

O primeiro ataque conjunto ocorreu em junho, quando Israel lançou bombardeios contra instalações nucleares e sítios de mísseis no Irã, resultando na morte de vários líderes iranianos. Posteriormente, as forças americanas se uniram à ofensiva. Ao final dos 12 dias de operação conjunta, Trump celebrou publicamente o sucesso, afirmando que os EUA haviam “obliterado as instalações nucleares do Irã”.

Meses depois, novas negociações entre EUA e Israel foram retomadas, visando um segundo ataque aéreo. O objetivo era atingir instalações adicionais de mísseis e impedir que o Irã adquirisse a capacidade de construir uma arma nuclear. Além disso, os israelenses mantinham o desejo de eliminar Khamenei, um adversário geopolítico de longa data, responsável por lançar mísseis contra Israel e por apoiar forças proxy fortemente armadas que cercam o país, incluindo o grupo militante Hamas, responsável pelo ataque surpresa de 7 de outubro de 2023 a partir de Gaza, e o Hezbollah, baseado no Líbano.

O Ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, afirmou à N12 News de Israel em 5 de março que os israelenses iniciaram o planejamento de seu ataque ao Irã sob a premissa de que agiriam sozinhos. No entanto, durante uma visita em dezembro à propriedade de Trump em Mar-a-Lago, Flórida, Netanyahu expressou a Trump sua insatisfação com o desfecho da operação conjunta de junho, conforme relatado por duas pessoas com conhecimento da relação entre os líderes, que falaram sob condição de anonimato. Trump, por sua vez, indicou estar aberto a uma nova campanha de bombardeios, mas também manifestou o desejo de tentar outra rodada de negociações diplomáticas.

Trump aprovou ataque ao Irã visando eliminação de Khamenei - Imagem do artigo original

Imagem: cnnbrasil.com.br

Fatores que Levaram à Decisão Final

Dois eventos-chave impulsionaram Trump a reavaliar a possibilidade de atacar o Irã novamente, de acordo com vários funcionários e diplomatas dos EUA e de Israel. O primeiro foi a operação americana de 3 de janeiro para capturar o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, em Caracas. Esta missão, que não resultou em mortes de militares americanos e removeu do poder um inimigo de longa data dos EUA, demonstrou que operações militares ambiciosas poderiam ser executadas com poucas consequências colaterais para as forças americanas.

Mais tarde, no mesmo mês, o Irã foi palco de protestos antigoverno massivos, que provocaram uma resposta violenta da Guarda Revolucionária, resultando na morte de milhares de manifestantes. Embora Trump tenha prometido publicamente ajudar os manifestantes, poucas ações concretas foram observadas naquele momento. Contudo, nos bastidores, a cooperação se intensificou entre as Forças de Defesa de Israel e o comando militar dos EUA no Oriente Médio (CENTCOM), com planejamento militar conjunto conduzido em reuniões secretas, conforme dois funcionários israelenses que falaram anonimamente.

Pouco depois, durante uma visita de Netanyahu a Washington em fevereiro, o líder israelense informou Trump sobre o crescente programa de mísseis balísticos do Irã, destacando locais específicos de preocupação. Ele também detalhou os perigos inerentes a este programa, incluindo o risco de que o Irã pudesse, eventualmente, adquirir a capacidade de atingir o território americano, segundo três pessoas familiarizadas com as conversas privadas. A Casa Branca não forneceu respostas a perguntas sobre os encontros de Trump com Netanyahu em dezembro e fevereiro.

Oportunidade Histórica e Consequências

No final de fevereiro, muitos funcionários americanos e diplomatas regionais consideravam altamente provável a realização de um ataque americano ao Irã, embora os detalhes ainda permanecessem incertos. Trump recebeu briefings do Pentágono e de oficiais de inteligência sobre as potenciais vantagens de um ataque bem-sucedido, que incluíam a destruição do programa de mísseis do Irã, conforme duas pessoas familiarizadas com esses briefings.

Antes da ligação telefônica entre Netanyahu e Trump, o Secretário de Estado Marco Rubio informou a um pequeno grupo de líderes do Congresso, em 24 de fevereiro, que Israel provavelmente atacaria o Irã independentemente da participação dos EUA, e que o Irã, por sua vez, provavelmente retaliaria contra alvos americanos. Esta previsão baseava-se na avaliação de oficiais de inteligência americanos de que tal ataque realmente provocaria contra-ataques iranianos contra postos diplomáticos e militares dos EUA, bem como contra aliados americanos no Golfo. O Departamento de Justiça dos Estados Unidos e outras agências de segurança já monitoravam atividades iranianas na região.

Essa previsão se mostrou precisa. Os ataques levaram a contra-ataques iranianos contra ativos militares dos EUA, resultaram na morte de mais de 2.300 civis iranianos e pelo menos 13 militares americanos, desencadearam ataques a aliados dos EUA no Golfo, causaram o fechamento de uma das rotas de navegação mais vitais do mundo e provocaram uma alta histórica nos preços do petróleo, cujos impactos foram sentidos por consumidores nos Estados Unidos e em outras nações.

Trump também havia sido informado de que existia a possibilidade, ainda que pequena, de que a eliminação dos principais líderes do Irã pudesse abrir caminho para um governo em Teerã mais propenso a negociar com Washington. A possibilidade de uma mudança de regime foi um dos argumentos utilizados por Netanyahu durante a ligação pouco antes de Trump emitir as ordens finais para atacar o Irã.

No entanto, esta perspectiva não era compartilhada pela Agência Central de Inteligência (CIA). Avaliações da CIA nas semanas anteriores indicavam que Khamenei provavelmente seria substituído por um linha-dura interno, caso fosse morto, conforme reportado anteriormente pela Reuters. A CIA não se manifestou imediatamente a um pedido de comentário sobre o assunto.

Após a morte de Khamenei, Trump instou repetidamente por um levante popular. Contudo, na quarta semana de guerra, com a região imersa em conflito, os Guardiões da Revolução do Irã continuaram patrulhando as ruas do país, e milhões de iranianos permaneceram abrigados em suas casas. O filho de Khamenei, Mojtaba, considerado ainda mais fortemente anti-americano que seu pai, foi nomeado o novo líder supremo do Irã, indicando uma continuidade na linha política do regime.

Confira também: Investir em Imóveis na Região dos Lagos

A complexidade das relações internacionais e as nuances das decisões políticas são evidentes na sequência de eventos que levaram à intervenção militar no Irã. As informações de inteligência, as persuasões diplomáticas e as motivações geopolíticas convergiram para um desfecho que ressoa profundamente na arena global. Para aprofundar-se em outros temas relevantes da política internacional, continue explorando nossa editoria de Política.

Crédito da imagem: CNN Brasil

Deixe um comentário