O Irã nega negociações com EUA, uma afirmação proferida pelo presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, que contradiz diretamente as recentes declarações do presidente americano, Donald Trump, sobre a existência de diálogos entre as duas nações.
Ghalibaf, ao se manifestar em sua conta oficial na plataforma X (antigo Twitter) ontem, foi categórico ao desmentir qualquer tratativa. Segundo ele, as informações veiculadas sobre negociações com os Estados Unidos não passariam de “notícias falsas”, criadas com o intuito de manipular os mercados financeiros e petrolíferos, além de desviar a atenção do “atoleiro” em que, na sua visão, os Estados Unidos e Israel se encontram.
Irã Nega Negociações com EUA Após Anúncio de Trump
A controvérsia surge após um anúncio de Donald Trump, feito recentemente, no qual ele declarou que um acordo havia sido alcançado nos últimos dois dias. Em uma publicação na rede social Truth Social, o líder americano expressou sua satisfação, informando que os Estados Unidos da América e o Irã teriam tido “conversas muito boas e produtivas” focadas em uma resolução “completa e total” das hostilidades no Oriente Médio.
Como parte desse suposto acordo, Trump anunciou a paralisação de ofensivas contra usinas e infraestruturas energéticas por um período de cinco dias. Ele detalhou que a instrução foi dada ao Departamento de Guerra e que a suspensão estaria condicionada ao “sucesso das reuniões e discussões em andamento”. As negociações, segundo o presidente americano, deveriam continuar ao longo daquela semana, e ele adiantou que o diálogo entre as duas nações se mostrou “aprofundado, detalhado e construtivo” até o momento. Trump manifestou otimismo, afirmando que, se as partes levassem as discussões adiante, o conflito terminaria, já que ambos os lados teriam interesse em chegar a um acordo.
O líder americano também expressou a expectativa de que as conversas pudessem levar a uma resolução nuclear. Em declarações a uma repórter da Fox News, após seu anúncio, ele disse: “Não queremos ver nenhuma bomba nuclear, nenhuma arma nuclear, nem perto disso. Queremos ver paz. E eu acho que nós vamos conseguir isso. Nós concordamos com isso”. Contudo, Trump não forneceu detalhes adicionais sobre possíveis ataques a outros tipos de infraestrutura, tampouco comentou se as ações militares de Israel também seriam pausadas durante esse período de supostas negociações.
Reação da Mídia Iraniana e Troca de Ameaças
A imprensa estatal iraniana, por meio das agências Fars e Irib News, reagiu ao anúncio de Trump negando veementemente as negociações. Em publicações no X, ambas as agências afirmaram ter consultado fontes que garantiram não haver qualquer tipo de contato, direto ou indireto, com a administração Trump. As mídias iranianas foram além, caracterizando o anúncio americano como um recuo. A agência Fars, por exemplo, declarou que “após a República Islâmica ameaçar atacar a infraestrutura energética de toda a região caso os EUA atacassem a infraestrutura energética iraniana, Trump recuou”.
Essas declarações surgiram em um cenário de alta tensão e troca de ameaças. No sábado anterior aos anúncios, Trump havia emitido um ultimato ao Irã, concedendo 48 horas para a liberação do estreito de Hormuz, uma passagem marítima crucial por onde transita aproximadamente 20% do petróleo mundial. Na ocasião, o presidente americano ameaçou “atacar e destruir completamente” as usinas de energia iranianas caso o canal não fosse desobstruído no prazo estipulado. Naquele mesmo dia, Israel lançou uma nova onda de ataques a Teerã, confirmando investidas contra “alvos de infraestrutura”, embora sem detalhar os danos causados.

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Em resposta, ainda naquele dia, o Irã declarou que “minaria todo o Golfo Pérsico” caso ocorresse uma invasão por parte dos Estados Unidos. Essa ameaça de retaliação teria sido motivada por supostas tentativas dos EUA de dominar a ilha de Kharg, localizada a 24 km da costa iraniana e conhecida por abrigar grandes tanques de armazenamento de petróleo, conforme noticiado pela agência Associated Press. O Irã tem sido proativo em seus ataques a nações vizinhas desde o início do conflito na região, justificando suas ações pela presença de bases militares dos Estados Unidos no Golfo Pérsico. Kuwait, Qatar e Emirados Árabes Unidos figuram entre os alvos já atingidos.
Análise de Especialistas
A resistência demonstrada pelo Irã tem surpreendido analistas internacionais, desmentindo a premissa de uma vitória rápida dos Estados Unidos. Vinícius Rodrigues Vieira, professor de relações internacionais da FAAP e FGV, comentou o cenário em entrevista ao UOL News – 2ª edição, do Canal UOL. Segundo Vieira, o regime iraniano mantém sua capacidade de ataques e influência sobre grupos armados na região, o que indica uma resistência mais prolongada do que o esperado.
“Irã parece ter capacidade para resistir por mais tempo do que o esperado. Isso que não quer dizer, claro, que o regime seja indestrutível. Mas não é um passeio como aparentemente Trump parece ter imaginado, inspirado na experiência da Venezuela”, avaliou o professor. Ele acrescentou que a capacidade de resistência iraniana está atrelada ao seu estoque de drones e mísseis. Apesar de atacar com menor frequência do que no início do conflito, os ataques iranianos continuam a ser precisos, capazes de atingir alvos específicos dos EUA na região e de gerar um ambiente persistente de incerteza. Para mais informações sobre a situação geopolítica no Oriente Médio, você pode consultar fontes como a Organização das Nações Unidas.
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Em síntese, a negação do Irã sobre as negociações com os EUA e as acusações de manipulação de mercado contrapõem-se diretamente às declarações de Donald Trump, que anunciava diálogos produtivos e uma pausa em ofensivas militares. Esse cenário de versões conflitantes, somado às recentes ameaças e ataques, evidencia a complexidade e a volatilidade da relação entre as duas nações e suas implicações regionais. Para acompanhar os desdobramentos dessa e outras notícias importantes, continue navegando em nossa editoria de Política.
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