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Correios redefinem estrutura de cargos: de 32 para 18 funções

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A reestruturação dos Correios avança com uma proposta significativa de redução no número de cargos. A estatal submeteu ao Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI) um plano que visa enxugar as 32 funções existentes para apenas 18, marcando uma fase crucial no esforço de recuperação financeira da companhia.

As mudanças, que fazem parte de um abrangente plano de reestruturação da empresa, serão implementadas para os novos ingressantes. Para os funcionários atualmente em atividade, a adesão à nova estrutura de carreiras será opcional, conforme garantido pela legislação trabalhista que assegura o direito de permanência em suas posições atuais. A direção da empresa planeja desenvolver incentivos para motivar a migração, mas ressalta que qualquer benefício financeiro adicional precisa ser cuidadosamente calculado para não gerar despesas extras, o que contraria os objetivos de economia no médio e longo prazo.

A iniciativa dos Correios de otimizar sua estrutura de pessoal é um passo fundamental em direção à sustentabilidade. A revisão e a simplificação do quadro de funções são projetadas para aumentar a eficiência operacional e reduzir custos. Essa medida, que culmina na diminuição de postos, é um pilar da estratégia de revitalização da estatal. O foco é garantir que a empresa possa operar de forma mais ágil e alinhada às demandas modernas do setor logístico. Para o futuro da companhia, a

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representa um movimento estratégico para alcançar maior solidez financeira e flexibilidade.

Otimização e Flexibilidade na Gestão de Pessoal

Um dos pilares da redefinição dos cargos é conferir maior flexibilidade à gestão interna do pessoal dos Correios. A intenção é remodelar as atribuições das funções, eliminando a rigidez atual. Hoje, um agente dedicado ao atendimento ao cliente não pode ser realocado para tarefas de tratamento ou distribuição de encomendas, o que é visto como um entrave operacional. A nova estrutura de pessoal busca permitir uma mobilização mais eficiente da mão de obra, ajustando-se às necessidades operacionais em tempo real e otimizando a distribuição de tarefas em diferentes áreas da empresa.

Adicionalmente, o novo plano de cargos e salários prevê a extinção de funções como dentista, médico e enfermeiro. Essas atividades são consideradas passíveis de terceirização, especialmente porque os Correios não mantêm mais ambulatórios em suas dependências. A reestruturação completa, incluindo esses detalhes, está sob análise da Secretaria de Coordenação e Governança das Empresas Estatais (Sest), órgão vinculado ao MGI. A aprovação é esperada para o início de abril, antes que a legislação eleitoral imponha restrições a alterações em cargos e salários do setor público.

Programas de Desligamento Voluntário e Novas Escalas de Trabalho

Em paralelo à reformulação dos cargos, os Correios já implementam outras duas medidas essenciais do plano de reestruturação: o Programa de Demissão Voluntária (PDV) e a adoção da escala de trabalho de 12 horas por 36 horas de descanso em alguns setores. A escala 12×36, que já está em vigor, é vista como um diferencial para ampliar os serviços de entrega nos finais de semana, uma operação que hoje é limitada a poucas localidades e um ponto forte de concorrentes privados. Atualmente, a jornada de trabalho padrão dos funcionários dos Correios varia entre 40 e 44 horas semanais, conforme a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).

Quanto ao PDV, a empresa registrou a adesão de 2.117 empregados até a última terça-feira (24), conforme dados divulgados à Folha. Esse número representa 21% da meta de 10 mil desligamentos projetados para 2026. Outras 5.000 demissões voluntárias estão previstas para 2027. O prazo inicial para adesão ao PDV, que se encerraria em 31 de março, foi estendido pela companhia até 7 de abril.

Correios redefinem estrutura de cargos: de 32 para 18 funções - Imagem do artigo original

Imagem: www1.folha.uol.com.br

O programa oferece incentivos financeiros aos funcionários que aderirem, mas a nova gestão reconhece que a perda do plano de saúde é um obstáculo significativo. Somente empregados já aposentados teriam a opção de manter a assistência, custeando-a integralmente. Para mitigar essa questão, a Postal Saúde, responsável pelo plano de saúde dos Correios, lançou duas novas modalidades com cobertura mais enxuta e custo reduzido, acessíveis a ex-funcionários e familiares de trabalhadores ativos, aposentados ou desligados. Essas novas opções visam oferecer alternativas mais acessíveis para manter a assistência à saúde, um ponto crucial para muitos que consideram o desligamento voluntário.

O plano CorreiosSaúde 2, mais antigo, ainda obriga a empresa a cobrir integralmente qualquer déficit de operação, uma condição que não existe nos novos planos. Além disso, as mensalidades do plano anterior são mais elevadas, criando uma barreira de entrada ou permanência. Em 2023, o plano registrou 189,4 mil participantes, entre titulares e dependentes, uma queda de 6,6% em comparação com os 202,7 mil beneficiários de 2024. Desde o lançamento dos novos planos, a diretoria tem intensificado as comunicações e investido em palestras e canais de perguntas para esclarecer dúvidas dos empregados, apostando que isso impulsionará as adesões ao PDV nesta reta final. Para mais informações sobre a gestão de empresas públicas, o site do Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI) pode ser consultado.

Cenário Financeiro e Perspectivas Futuras

Caso as metas de desligamento estabelecidas no plano de recuperação da empresa não sejam alcançadas, a possibilidade de demissões compulsórias no futuro não é descartada. A companhia entende, do ponto de vista jurídico, que sua delicada situação financeira seria um motivador claro para tal medida, em conformidade com a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal (STF).

O plano de reestruturação dos Correios foi elaborado após a identificação de um déficit de R$ 20 bilhões no caixa da empresa pela nova gestão, liderada por Emmanoel Rondon, conforme reportado anteriormente. Em 2023, a companhia obteve um empréstimo de R$ 12 bilhões junto a um consórcio de cinco grandes bancos – Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Bradesco, Itaú e Santander – com o plano de reestruturação servindo como contrapartida essencial para a concessão do financiamento.

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A reestruturação dos Correios representa um esforço multifacetado para garantir a sustentabilidade e a eficiência de uma das maiores estatais do país. As mudanças na estrutura de cargos, o PDV e as novas escalas de trabalho são componentes cruciais de um plano ambicioso que visa adequar a empresa aos desafios atuais. Para continuar acompanhando os desdobramentos sobre economia e o setor público, acesse a nossa editoria de Economia.

Crédito da imagem: Rafaela Araújo – 29.dez.25/Folhapress

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