Lula critica guerra contra o Irã, envolvendo Estados Unidos e Israel, classificando-a como “desnecessária” em declaração nesta quarta-feira, 1º de novembro. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que as justificativas dos dois países sobre o suposto desenvolvimento de armas nucleares pela nação persa são “mentirosas”, reiterando a posição brasileira contra o conflito e a favor da diplomacia.
Durante uma entrevista ao vivo à TV Cidade, em Fortaleza, o chefe do executivo brasileiro expressou sua veemente discordância com a narrativa que embasa o confronto. “Os Estados Unidos da América do Norte se meteram a fazer uma guerra desnecessária no Irã, alegando que, no Irã, tinha arma nuclear ou que estavam tentando fazer arma nuclear. É mentira”, declarou o presidente, enfatizando a gravidade das alegações.
Lula critica guerra Irã e classifica conflito como ‘mentira’
O posicionamento de Lula remonta a experiências diplomáticas anteriores. Ele recordou sua visita ao Irã em 2010, no último ano de seu segundo mandato, quando tentou mediar um acordo sobre o enriquecimento de urânio para fins pacíficos, similar ao modelo brasileiro, que proíbe o uso para fins militares. O acordo, no entanto, não obteve a adesão dos Estados Unidos, então sob a administração de Barack Obama, nem da União Europeia.
O presidente reforçou sua convicção de que o Irã não possui armas nucleares. “Não tem arma nuclear lá. Ou seja, se tem uma divergência política entre Israel, Estados Unidos e Irã, não precisava terminar em guerra”, argumentou Lula. Ele também criticou a ideia de que a morte de Ali Khamenei, líder supremo iraniano, encerraria o conflito, destacando a complexidade do cenário e a resiliência do Irã como um país com quase 100 milhões de habitantes e uma cultura milenar. A comunidade internacional, incluindo a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), monitora de perto o programa nuclear iraniano, sendo uma voz crucial nas discussões sobre a não proliferação.
A tensão no Oriente Médio, que se arrasta por um mês de ataques combinados entre Estados Unidos e Israel contra o território iraniano, tem gerado graves repercussões. O conflito resultou na morte de importantes autoridades iranianas, incluindo Khamenei, e levou ao fechamento do Estreito de Ormuz, uma rota marítima vital por onde circula cerca de 20% dos carregamentos globais de petróleo. Como consequência direta, o preço do barril de petróleo registrou um aumento de aproximadamente 50%, gerando alertas sobre riscos ambientais e climáticos associados à instabilidade na região.
Além da questão geopolítica, Lula manifestou grande preocupação com o impacto da escalada de preços do petróleo no mercado internacional, especialmente no valor do óleo diesel no Brasil. O país, que importa cerca de 30% do diesel que consome, é particularmente vulnerável a essa volatilidade, uma vez que o combustível é a espinha dorsal do transporte rodoviário de cargas, afetando diretamente as cadeias produtivas de alimentos e outros bens essenciais.
Diante desse cenário, o governo federal tem monitorado a situação para identificar e coibir aumentos abusivos. Lula confirmou que estão em curso ações de fiscalização conjuntas com a Polícia Federal e os Procons estaduais. “Nós estamos, com a Polícia Federal, com todos os Procons dos estados, fiscalizando, e vamos ter que colocar alguém na cadeia. [A fiscalização] está ativa, minha ordem é para estrada, posto de gasolina”, afirmou o presidente, demonstrando a seriedade do governo em lidar com a questão.

Imagem: agenciabrasil.ebc.com.br
O presidente fez um comparativo com o período anterior à privatização da BR Distribuidora no governo Bolsonaro, lamentando a atual dinâmica de preços. “A Petrobras baixa o preço, mas não chega na bomba. Quando a gente tinha a BR Distribuidora, podia chegar na bomba, porque o posto era nosso”, observou, destacando a perda de controle sobre a distribuição final do combustível.
Para mitigar o encarecimento e evitar riscos de desabastecimento, o governo federal planeja publicar, ainda nesta semana, uma Medida Provisória (MP) que instituirá um subsídio para o diesel importado, concedendo um desconto de R$ 1,20 por litro. A informação foi confirmada na terça-feira, 31 de outubro, pelo ministro Dario Durigan, que indicou os esforços para garantir a adesão de todos os estados antes da publicação da MP.
A proposta prevê que o custo total do subsídio, estimado em R$ 3 bilhões ao longo de dois meses, será dividido igualmente entre a União e os estados. Segundo o Ministério da Fazenda, cerca de 80% dos estados brasileiros já sinalizaram adesão à iniciativa, que visa estabilizar os preços e garantir a oferta do combustível essencial para a economia nacional, diante da defasagem entre os valores internos e os do mercado internacional.
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Em suma, a declaração do presidente Lula sobre a guerra no Irã, classificando-a como desnecessária e baseada em alegações falsas sobre armas nucleares, sublinha a postura diplomática do Brasil frente a conflitos internacionais. Ao mesmo tempo, a preocupação com o preço do diesel no mercado interno e as medidas do governo para conter a alta refletem a interconexão entre eventos globais e o cotidiano do cidadão brasileiro. Para mais informações sobre as medidas econômicas do governo e seus impactos, continue acompanhando nossa editoria de Economia.
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