Em uma iniciativa focada na conscientização e prevenção, o CAPS AD Infantojuvenil de São Bernardo do Campo, vinculado à Secretaria de Saúde da Prefeitura, promoveu uma ação significativa de combate à violência contra as mulheres. A atividade, realizada no bairro Assunção, foi desenvolvida em colaboração estratégica com a Casa da Mulher Paulista, um importante centro municipal de referência que oferece suporte a mulheres em situação de violência doméstica.
A programação consistiu em uma roda de conversa interativa, que reuniu aproximadamente 25 pessoas, incluindo pacientes, seus familiares e membros da equipe do CAPS. A iniciativa se inseriu no calendário de eventos em celebração ao Mês da Mulher, reforçando o compromisso da administração municipal com a pauta de gênero e os direitos femininos.
Ação do CAPS AD Infantojuvenil combate violência em São Bernardo
Duas especialistas da Casa da Mulher Paulista conduziram o debate, abordando temas cruciais como o machismo estrutural presente na sociedade e os estereótipos de gênero que moldam as expectativas sobre homens e mulheres ao longo da vida, explorando os impactos dessas construções sociais nas relações interpessoais e na incidência da violência.
Tamiris Damata, psicóloga e técnica social da Casa da Mulher Paulista, explicou que a abordagem do evento foi pensada para atingir um público diversificado, composto por adultos, adolescentes e crianças. Para isso, foram utilizados elementos lúdicos que facilitaram a compreensão da complexa estrutura social que frequentemente culmina em violência doméstica. Ela detalhou o uso do livro “A Prateleira do Amor” como ferramenta para discutir as questões culturais e sociais que afetam as mulheres e como estas se manifestam nas relações. Damata provocou a reflexão sobre “Quais atributos a sociedade valoriza mais em uma mulher?” e “A que sacrifícios as mulheres se submetem para atender a essas expectativas?”.
A dinâmica proposta buscou desvendar os fatores que muitas vezes levam mulheres a permanecer em relacionamentos abusivos, mesmo quando há violência explícita. “Compreendemos que essas questões permeiam a vida das mulheres desde cedo. É fundamental que as meninas reflitam sobre isso, fortaleçam-se, mantenham-se informadas e conheçam os canais de apoio, como o serviço oferecido pela Casa da Mulher Paulista”, enfatizou Tamiris Damata, ressaltando a importância da prevenção e do acesso à informação desde a infância e adolescência.
Rede de Proteção em São Bernardo
São Bernardo do Campo se destaca por possuir uma extensa e integrada rede de proteção e suporte para mulheres vítimas de violência doméstica. Entre os principais equipamentos e serviços, estão o Centro de Referência e Apoio à Mulher (CRAM) Márcia Dangremon, localizado na Rua Dr. Fláquer, 208, 2º andar, e a própria Casa da Mulher Paulista, situada na Rua Senador Ricardo Batista, 30, no Assunção. Ambos funcionam de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h, oferecendo acolhimento e orientação especializados.

Imagem: Divulgação via abcreporter.com.br
A rede também inclui a Casa de Passagem, estrategicamente localizada ao lado do Hospital da Mulher, que proporciona acolhimento emergencial e provisório. Este serviço é essencial para casos encaminhados pelas forças de segurança, como a polícia ou a Guarda Civil Municipal (GCM). Complementando o suporte, os Centros de Referência em Assistência Social (CRAS) atuam na base da assistência social, enquanto a Patrulha Guardiã Maria da Penha oferece atendimento especializado a esse público por meio do telefone 153. A complexidade da violência contra a mulher exige uma abordagem multidisciplinar e intersetorial, conforme abordado em diversas políticas públicas nacionais. Para mais informações sobre o enfrentamento à violência contra as mulheres no Brasil, visite o Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania.
Saúde Mental e Prevenção
A psicóloga e gerente do CAPS AD Infantojuvenil, Carolina Simonsen, revelou que a ideia da atividade surgiu não apenas para celebrar o Mês da Mulher, mas também em resposta ao aumento recente de casos de violência contra mulheres. Dados alarmantes indicam que, somente na região do Grande ABC, foram registrados pelo menos cinco feminicídios no ano de 2026. Simonsen sublinhou que a violência transcende todas as idades, tornando imperativo abordar essa temática com adolescentes, especialmente neste período crucial de suas vidas em que começam a explorar o mundo e a desenvolver relacionamentos.
A gerente reforçou a conexão intrínseca entre a violência e a saúde mental. “Isso também tem a ver com saúde mental, que está diretamente relacionada a como nos vemos no mundo e como estabelecemos nossos relacionamentos”, afirmou Simonsen, evidenciando que a construção de uma boa saúde mental passa também pela capacidade de identificar, prevenir e combater relações abusivas, promovendo um ambiente de respeito e dignidade.
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A ação do CAPS AD Infantojuvenil em São Bernardo do Campo reforça a importância de abordar a violência contra as mulheres de forma preventiva e educativa, especialmente entre as gerações mais jovens. Ao integrar o debate sobre machismo estrutural e saúde mental, a iniciativa destaca o papel fundamental da conscientização e da rede de proteção para construir uma sociedade mais justa e segura. Continue acompanhando as notícias sobre políticas públicas e ações sociais em nossa editoria de Cidades.
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