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Maceió propõe parque e agrofloresta em área afetada pela Braskem

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A cidade de Maceió, capital de Alagoas, está avançando com um projeto ambicioso para requalificar uma vasta área que sofreu afundamento do solo, resultado de quatro décadas de exploração de sal-gema pela Braskem. A iniciativa central do novo plano diretor da prefeitura para a região é a criação de um parque e agrofloresta em Maceió, visando a recuperação ambiental e o uso público do espaço.

Desde 2018, as consequências da mineração levaram à desocupação de cinco bairros, forçando a remoção de aproximadamente 60 mil pessoas de 15 mil imóveis. O Bairro do Mutange, um dos mais atingidos, tornou-se símbolo da tragédia ambiental, e é nesse contexto que a administração municipal busca soluções duradouras para o futuro da região.

As propostas para a revitalização da área foram formalmente apresentadas no último sábado, integrando um novo plano diretor que substitui o modelo anterior, considerado obsoleto após 21 anos de vigência. O projeto delineia um futuro focado na sustentabilidade e na reintegração da comunidade.

Maceió propõe parque e agrofloresta em área afetada pela Braskem

Este novo instrumento urbanístico detalha as seguintes diretrizes para o território afetado:

  • Criação de um parque público de uso coletivo, destinado à população na área de monitoramento.
  • Reconversão do território para a implantação de uma agrofloresta, com o objetivo de promover a recuperação ambiental, a produção de alimentos, o lazer público e a valorização da paisagem natural da Laguna Mundaú.
  • Reserva de área específica para a construção de habitação, visando acomodar parte da população realocada em uma região com infraestrutura adequada.
  • Implantação de um espaço cultural dedicado ao patrimônio imaterial local, englobando folguedos e manifestações populares, além de ações culturais para preservar e resgatar a memória do lugar.

Uma premissa fundamental do projeto é a proibição categórica de qualquer exploração econômica, residencial ou comercial na área degradada. Essa medida, conforme enfatizado por Antônio Carvalho, presidente do Iplam (Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Maceió), órgão responsável pela elaboração do plano diretor, representa a principal preocupação da prefeitura. “Existe uma lógica jurídica que é o conceito de perdimento: no momento essa área não tem valor e não pode ser usada. Mas queremos amarrar e dizer que, em uma eventual estabilização, a área tem de ser de uso público e acesso universal. É um patrimônio do povo de Maceió”, declarou Carvalho, reforçando o caráter público e inalienável do futuro da área.

Apesar de já projetar as grandes linhas do futuro, a prefeitura optou por não elaborar projetos detalhados para os parques neste estágio. A intenção é promover um amplo debate público, incentivando a participação da população na definição da finalidade e dos equipamentos que comporão o parque. “Queremos que seja um projeto a ser construído com a comunidade”, afirmou Carvalho. Em relação ao financiamento, o presidente do Iplam defende que a Braskem, considerada a proprietária da área no acordo judicial que estabeleceu indenizações, seja a responsável por arcar com os custos. “Entendo que os custos para construção de parque e demais equipamentos têm de ser arcados por quem cometeu o dano ambiental”, argumentou.

Ainda não há um horizonte claro para a estabilização completa da área. Os trabalhos de tamponamento das minas de sal-gema da Braskem estão previstos para serem concluídos apenas em 2040. No entanto, é possível iniciar obras na superfície antes do término desse prazo, permitindo que a recuperação e a implementação do parque e da agrofloresta comecem a tomar forma gradualmente.

Benefícios da Agrofloresta e do Parque Urbano

A implementação da agrofloresta na região será um pilar para a recuperação do solo e do ecossistema local, segundo o arquiteto e urbanista Dilson Ferreira, professor da Ufal (Universidade Federal de Alagoas). Ele destaca que, “além de funcionar como uma floresta, capturando carbono, melhorando o microclima, aumentando a biodiversidade e recuperando o solo, a agrofloresta também produz alimentos, como frutas, hortaliças e plantas medicinais, fortalecendo a agroecologia e a segurança alimentar”. Ao converter terrenos degradados em ecossistemas produtivos, esse modelo de infraestrutura urbana verde consegue unir funções ambientais, sociais e econômicas no mesmo espaço.

Ferreira também ressalta a “importância extrema” da criação do parque urbano, que contribuirá significativamente para reduzir as ilhas de calor, absorver águas pluviais e, consequentemente, elevar a qualidade de vida dos moradores. Ele observa que, embora as praças existentes na cidade desempenhem um papel relevante, elas não substituem a funcionalidade e o impacto ambiental de grandes parques urbanos.

Maceió propõe parque e agrofloresta em área afetada pela Braskem - Imagem do artigo original

Imagem: noticias.uol.com.br

Considerando que a área permanece classificada como de monitoramento, o professor Dilson Ferreira aponta a necessidade indispensável de um sistema de informações robusto, com “dados públicos, abertos e acessíveis à população”. Antônio Carvalho confirmou que essa medida já está contemplada na proposta do plano diretor, através da instituição de um observatório composto por entidades públicas e pela sociedade civil organizada, garantindo transparência e acompanhamento contínuo.

Histórico e Desaceleração do Afundamento

A exploração de sal-gema em Maceió teve início nos anos 1970, com a abertura de 35 minas subterrâneas. A atividade minerária só foi interrompida em 2019, depois que o Serviço Geológico do Brasil comprovou a correlação direta entre a subsidência do solo e as operações da Braskem. A paralisação marcou o fim de uma era de exploração que deixou um legado de deslocamento e degradação ambiental.

Um relatório semestral da Defesa Civil, divulgado em dezembro de 2025, trouxe uma notícia encorajadora: pela primeira vez, houve uma redução na área total afetada e uma desaceleração no ritmo dos afundamentos na maioria das regiões monitoradas. Este dado oferece um vislumbre de esperança para a recuperação e a implementação bem-sucedida do projeto de parque e agrofloresta em Maceió, transformando a tragédia em uma oportunidade de renascimento para a comunidade.

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O projeto de transformação da área afetada pela mineração em um grande parque e agrofloresta em Maceió representa um passo fundamental para o futuro da cidade. Com foco na recuperação ambiental, na produção sustentável de alimentos e na criação de espaços públicos acessíveis, a iniciativa busca reverter os danos passados e construir um legado de resiliência e bem-estar para a população. Para acompanhar mais notícias e análises sobre o desenvolvimento urbano e os desafios das cidades, continue explorando nossa editoria de Cidades.

Crédito da imagem: Carlos Madeiro/UOL

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