A Novonor vende controle da Braskem para fundo Shine da IG4, conforme comunicado nesta segunda-feira (20) pela própria petroquímica. A ex-Odebrecht assinou um contrato para a alienação de sua participação na companhia ao fundo de investimento em participações Shine (Shine I FIP), que é assessorado pela gestora IG4 Capital, marcando uma reestruturação significativa na governança da gigante do setor petroquímico brasileiro.
A transação prevê uma nova composição na liderança da Braskem. Fontes próximas ao negócio indicam que Helcio Tokeshi, sócio da IG4, será o novo CEO da empresa. Carlos Brandão, que já atuou como CEO da Iguá Saneamentos e CFO da Oi, assumirá a posição de CFO. A diretoria jurídica será liderada por Camila Tapias, ex-Telefónica, enquanto Luiz Rossato, ex-Magnesita, ficará encarregado do Planejamento e M&A. Para o conselho, foram indicados Octavio Lopes, sócio da IG4 e ex-presidente da Light e Equatorial, e Hélio Novaes, ex-Alvarez&Marsal, com a gestora ainda planejando indicar outros nomes independentes.
Novonor vende controle da Braskem para fundo Shine da IG4
O acordo assinado no dia 20 de maio deriva de um pacto anterior, anunciado em dezembro do ano passado. Este pacto envolvia a aquisição, pela IG4, de cerca de R$ 20 bilhões em dívidas da Novonor que estavam com os maiores bancos do Brasil e tinham como garantia ações da Braskem. A concretização deste negócio pode ser um passo crucial para a melhoria das perspectivas da petroquímica.
Impactos e Desafios para a Braskem
A entrada do fundo Shine como novo acionista controlador pode ser um alívio para a Braskem, que tem enfrentado um cenário de margens apertadas no setor petroquímico global e questões financeiras complexas. A empresa lida com dívidas consideráveis relacionadas aos danos ambientais causados por suas operações de mineração de sal em Maceió (AL). Segundo o balanço de 2025, a dívida líquida da companhia ultrapassava a marca de R$ 11 bilhões, evidenciando a necessidade de uma reestruturação financeira e operacional robusta. Para mais informações sobre o cenário de empresas no Brasil, você pode consultar o mercado financeiro brasileiro.
Com a conclusão da transação, o fundo Shine passará a deter 50,1% do capital votante e 34,3% do capital social total da Braskem. A Novonor, por sua vez, terá sua participação drasticamente reduzida para uma fatia residual de 4% do capital social total. O controle será compartilhado com a Petrobras, que permanece como o segundo maior acionista, detendo 47% do capital votante e 36,1% do capital total da companhia. Este arranjo sinaliza uma nova fase de gestão e estratégia para a petroquímica.
Estratégia do Fundo Shine e IG4
Em correspondência enviada à Braskem e divulgada pela petroquímica, o Shine I FIP declarou sua intenção de conduzir, em conjunto com a Petrobras, uma ampla reestruturação financeira e operacional. O objetivo central é que a Braskem retome a geração de valor para seus acionistas e contribua para o desenvolvimento do Brasil. A gestora IG4 Capital, conhecida por sua especialização em companhias endividadas, em reestruturação financeira ou com problemas de governança, desempenhará um papel fundamental neste processo.
Ainda na correspondência, o Shine I destacou que, com o suporte da IG4, foram recrutados profissionais altamente experientes para cargos de administração e gestão na Braskem. Esses especialistas são reconhecidos por sua atuação em processos de reestruturação de empresas líderes em diversos segmentos, incluindo logística e saneamento. A IG4 tem um histórico comprovado nesse tipo de operação, como a aquisição e relançamento da CAB Ambiental como Iguá Saneamento em 2017, da qual a gestora deixou o controle em 2024.
Requisitos para a Conclusão da Venda
A efetivação da venda da participação da Novonor na Braskem ainda está sujeita a uma série de aprovações regulatórias. Além disso, é essencial que a Petrobras não exerça seus direitos de preferência e de venda conjunta (“tag along”), conforme estipulado no atual acordo de acionistas. No entanto, em um comunicado divulgado no mês passado, a estatal brasileira já afirmou que não pretende exercer esses direitos, o que pavimenta o caminho para a conclusão do negócio.
Em comunicado à imprensa, a Novonor expressou orgulho por ter contribuído para o desenvolvimento de um ativo de tamanha importância estratégica para o país. A empresa ressaltou que a Braskem é essencial para o fortalecimento da indústria nacional e que milhares de profissionais de alta qualidade contribuíram para o seu sucesso ao longo dos anos. Este acordo é visto como um alívio para o endividamento da Novonor, que se intensificou durante o escândalo da Lava Jato, quando o grupo utilizou suas ações da Braskem como garantia de R$ 15 bilhões em dívidas com instituições financeiras. A venda da participação na petroquímica tem sido uma busca antiga da Novonor para aliviar seu caixa.

Imagem: afundamento de solo via www1.folha.uol.com.br
Perspectivas dos Analistas e Contexto Financeiro
Analistas do Citi demonstraram uma visão cautelosa em relação à mudança de controle. Segundo relatório divulgado nesta segunda-feira (20), eles não preveem grandes potenciais de valorização imediata na tese de mudança de controle para a Braskem. A expectativa é que as principais melhorias na companhia dependam de um cenário mais favorável para os spreads petroquímicos e de um provável plano de reestruturação que deve ser anunciado nas próximas semanas ou meses.
No início deste mês, a Braskem também avaliou a possibilidade de solicitar proteção judicial contra credores, um movimento que sublinha a delicada situação financeira da empresa. A petroquímica tem enfrentado anos desafiadores, impactada pela fragilidade do mercado global de petroquímicos e pelas tentativas frustradas da controladora Novonor de alienar ativos após seu envolvimento na Operação Lava Jato. Recentemente, os problemas foram agravados pelas consequências do desastre ambiental em uma de suas minas de sal em Maceió (AL) e pela contínua pressão sobre seu fluxo de caixa.
Desempenho Financeiro Recente da Braskem
Em 27 de março, a Braskem divulgou um balanço que revelou um prejuízo de R$ 10,28 bilhões no quarto trimestre de 2025, um aumento significativo em comparação com o prejuízo de R$ 5,65 bilhões registrado no mesmo período de 2024. A maior petroquímica da América Latina, no entanto, apurou um resultado operacional medido pelo Ebitda (lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização) recorrente de R$ 589 milhões, o que representou uma expansão de 6% em relação ao ano anterior.
A receita líquida do grupo, por outro lado, sofreu uma queda de 16%, totalizando R$ 16,10 bilhões. Geograficamente, 60% da receita teve origem no Brasil, seguida por 22% proveniente dos Estados Unidos. O desempenho financeiro ficou abaixo das expectativas do mercado, com analistas da LSEG projetando um Ebitda recorrente de R$ 665 milhões e receita de R$ 16,9 bilhões. A Braskem atribuiu este Ebitda recorrente ao ciclo de baixa prolongado da indústria global. A empresa afirmou que a dinâmica da indústria petroquímica continua impactada pelas incertezas do cenário externo, incluindo conflitos geopolíticos e a guerra tarifária, que, combinadas com a sazonalidade, pressionaram os spreads químicos e petroquímicos no mercado internacional.
Em 2025, o prejuízo líquido consolidado da Braskem foi de R$ 9,9 bilhões. A empresa, fundada em 2002 e com sede em São Paulo, opera com 40 unidades industriais, 14 escritórios comerciais e 6 centros de inovação globalmente, e compete com gigantes como ExxonMobil Chemical, LyondellBasell, Dow e SABIC.
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A venda do controle da Braskem para o fundo Shine da IG4 representa um marco importante para o futuro da petroquímica brasileira, com a expectativa de uma nova gestão focada em reestruturação e geração de valor. Acompanhe as próximas notícias e análises sobre o mercado e a economia brasileira em nossa editoria de Economia.
Crédito da imagem: Diego Vara – 16.dez.2025/Reuters







