A Apple prevê aumento nos custos de chips de memória para os próximos trimestres, mesmo após ter anunciado uma receita recorde para o período fiscal encerrado em março. A gigante de Cupertino alertou que a atual escassez global de componentes semicondutores e o consequente encarecimento da memória terão um impacto significativo nas margens de lucro dos próximos trimestres.
No período de três meses finalizado em 28 de março, a receita total da empresa apresentou um crescimento de 16,6% em comparação ao ano anterior, alcançando a marca histórica de US$ 111,2 bilhões para o trimestre e superando as expectativas internas. As vendas do iPhone, carro-chefe da companhia e principal fonte de receita, registraram um salto notável de 21,7%, totalizando US$ 57 bilhões. Em resposta ao anúncio dos resultados, as ações da Apple chegaram a valorizar mais de 4% durante o pregão estendido.
Apple prevê aumento nos custos de chips de memória
Apesar do impressionante crescimento nas vendas, a Apple enfrentou restrições de fornecimento, particularmente em relação aos iPhones, ao longo do trimestre. A empresa indicou que o crescimento da receita teria sido ainda mais expressivo caso não houvesse esses obstáculos. O diretor financeiro, Kevan Parekh, comunicou em teleconferência que a expectativa de receita total para o segundo trimestre fiscal aponta para um crescimento entre 14% e 17% em relação ao mesmo período do ano anterior, projeção que já incorpora a previsão de uma oferta limitada de componentes.
O executivo-chefe (CEO) da Apple, Tim Cook, detalhou que as restrições de oferta no trimestre de abril a junho impactarão principalmente a linha de computadores Mac. Ele atribuiu esse cenário à “elevada demanda contínua” e à “menor flexibilidade na cadeia de suprimentos” para esses produtos, se comparado ao habitual. Cook também esclareceu que as dificuldades de fornecimento no primeiro trimestre estiveram majoritariamente ligadas à escassez de semicondutores avançados de 3 nanômetros, fundamentais para a arquitetura de silício da Apple, e não diretamente aos chips de memória naquele momento.
Contudo, a empresa observou uma elevação nos custos de memória durante o trimestre, fator que foi parcialmente mitigado pelos estoques existentes. A margem bruta da empresa de tecnologia americana situou-se em 49,2% no trimestre de março, alinhada às previsões anteriores. A gigante, todavia, emitiu um alerta claro de que o encarecimento dos chips de memória exercerá uma pressão mais acentuada sobre seus resultados financeiros nos próximos períodos. “Esperamos custos de memória significativamente mais altos” no trimestre de abril a junho, afirmou Cook. Ele adicionou que, “além do segundo trimestre, acreditamos que os custos de memória terão um impacto crescente em nossos negócios, e continuaremos avaliando isso”, ao mesmo tempo em que a empresa “analisará uma série de opções diante do avanço dos custos de memória”.
O cenário global de fornecimento de chips de memória é desafiador. A SK Hynix, uma das maiores fornecedoras de chips de memória do mundo, já alertou que a crise pode se estender até 2030, em função da crescente demanda impulsionada por avanços como a inteligência artificial, tema que vem sendo intensamente analisado por diversas publicações especializadas, conforme noticiado pela Reuters.
A mais recente linha de iPhones, o iPhone 17, é equipada com os poderosos chips A19 e A19 Pro, desenvolvidos internamente pela Apple e fabricados utilizando o processo de 3 nanômetros da TSMC. Tim Cook confirmou que a empresa está a caminho de adquirir “bem mais de 100 milhões de chips avançados” das fábricas da TSMC localizadas no Arizona ainda este ano. Paralelamente, a Apple está “seguindo os processos estabelecidos” para pleitear o reembolso das tarifas alfandegárias impostas pela administração do ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, as quais foram derrubadas pela Suprema Corte em fevereiro. Cook garantiu que qualquer valor de reembolso será revertido em “inovação e manufatura avançada” nos Estados Unidos, reforçando o compromisso de US$ 600 bilhões já assumido pela empresa.

Imagem: Divulgação via valor.globo.com
A Apple registrou crescimento de receita em todas as suas regiões de atuação no período de janeiro a março, com a Grande China (que inclui China continental, Hong Kong e Taiwan) apresentando o maior aumento nas vendas. A região manteve o forte desempenho já observado no trimestre de dezembro, com um crescimento de 28,1% na receita em relação ao ano anterior, atingindo a marca de US$ 20,5 bilhões. Apesar de um relatório da Counterpoint indicar que as remessas de smartphones na China caíram 4% no primeiro trimestre de 2026, devido à escassez de memória que interrompeu o fornecimento e elevou os custos para os fabricantes, a Apple conseguiu reportar um crescimento de 20% nas suas remessas para o país nesse mesmo período.
Outras regiões também contribuíram para o bom desempenho. O Japão teve um aumento de 15,1% nas vendas anuais, alcançando US$ 8,4 bilhões no trimestre, enquanto o restante da região Ásia-Pacífico cresceu 25,3%, chegando a US$ 9,1 bilhões. Tim Cook destacou um “crescimento de dois dígitos” na Índia durante o trimestre, período em que a empresa inaugurou sua sexta Apple Store no país.
Pouco antes da divulgação desses resultados trimestrais e da aguardada Conferência Mundial de Desenvolvedores (WWDC) em junho, a Apple anunciou uma importante transição na sua liderança. John Ternus, atual vice-presidente sênior de engenharia de hardware, assumirá o cargo de executivo-chefe (CEO) em 1º de setembro, sucedendo Tim Cook. O novo CEO terá a desafiadora missão de sustentar as fortes vendas do iPhone na China, ao mesmo tempo em que precisa diversificar a cadeia de suprimentos da empresa, reduzindo a dependência do país asiático. O Nikkei Asia noticiou anteriormente que Ternus provavelmente não acelerará significativamente a mudança na cadeia de suprimentos nos próximos 12 meses, em parte para assegurar uma transição de liderança tranquila e também devido às dificuldades encontradas em outras localidades, como a Índia.
Confira também: Investir em Imóveis na Região dos Lagos
Em suma, a Apple celebra um trimestre de receita recorde impulsionado pelo mercado chinês, mas se prepara para enfrentar desafios crescentes com o custo dos chips de memória e as limitações de sua cadeia de suprimentos. Acompanhe as futuras estratégias da gigante da tecnologia e as análises sobre o impacto dessas questões no mercado global, explorando mais conteúdos na editoria de Economia em nosso site.
Crédito da Imagem: Divulgação/Apple







