Neste domingo, 17 de maio de 2026, uma série de eventos foi realizada em diversas cidades brasileiras, com o objetivo primordial de conscientizar a população e as autoridades sobre a natureza da fibromialgia. As atividades buscaram, principalmente, exigir a garantia de direitos e o acesso a um tratamento adequado no Sistema Único de Saúde (SUS) para os pacientes que convivem com a síndrome crônica.
Em Brasília, a capital federal, o Parque da Cidade foi o palco principal da mobilização. Os participantes tiveram acesso a uma gama de serviços e orientações, incluindo sessões de acupuntura e liberação miofascial. Profissionais da saúde também ofereceram direcionamentos sobre fisioterapia e abordagens psicológicas, além de conduzirem conversas educativas focadas na conscientização e no melhor entendimento da síndrome.
Mobilização Nacional Pede Tratamento e Direitos para Fibromialgia
A fibromialgia é uma síndrome crônica complexa, caracterizada por dores musculares e articulares difusas que se manifestam em diversas partes do corpo. Frequentemente, a condição é acompanhada por fadiga extrema, distúrbios do sono, dificuldades de concentração e alterações significativas de humor. Embora a patologia não provoque inflamações visíveis ou deformações físicas, seu impacto na qualidade de vida dos pacientes é profundo, dificultando a realização de atividades cotidianas e o desenvolvimento profissional, ressaltando a urgência de uma maior visibilidade e tratamento eficaz.
Ana Dantas, servidora pública e uma das coordenadoras da iniciativa, enfatiza a relevância da mobilização em nível nacional. Segundo ela, o principal objetivo é conferir maior visibilidade à enfermidade e reivindicar os direitos dos indivíduos que a enfrentam diariamente. “É uma doença que não é visível, ela existe no nosso corpo, mas ninguém vê”, destaca Ana, sublinhando a barreira invisível que a síndrome representa para o reconhecimento social e médico.
Nos últimos anos, o Brasil registrou avanços no reconhecimento estatal da fibromialgia. Em 2023, uma legislação federal foi sancionada, estabelecendo diretrizes claras para o atendimento a pacientes com a condição no âmbito do SUS. Entre as previsões da lei, estão o atendimento multidisciplinar, o incentivo à disseminação de informações precisas sobre a doença e o estímulo à capacitação contínua de profissionais de saúde. Contudo, apesar do progresso legislativo, o acesso efetivo ao diagnóstico e tratamento especializado ainda permanece um desafio para muitos, conforme apontam os organizadores da campanha.
O enquadramento legal proporciona aos pacientes com fibromialgia o acesso aos mesmos direitos concedidos à Pessoa com Deficiência (PcD). Para tanto, é indispensável a aprovação em uma avaliação biopsicossocial. A lei também prevê a possibilidade de acesso a benefícios como o auxílio por incapacidade temporária (antigo auxílio-doença), aposentadoria por invalidez e o Benefício de Prestação Continuada (BPC), garantindo um suporte essencial para aqueles que enfrentam limitações significativas devido à síndrome.
Ana Dantas reforça que o propósito da mobilização é “buscar políticas públicas, adequar a demanda da comunidade fibromiálgica no SUS”, evidenciando a necessidade de uma adaptação do sistema de saúde para atender às especificidades dos pacientes. A servidora pública, de 45 anos, que descobriu a doença há pouco mais de um ano, compartilha as limitações impostas pela fibromialgia em sua rotina. “Coisas que a gente fazia ali durante 20 minutos se gasta umas três ou quatro horas para poder finalizar. É tudo muito lento, tem a questão do esquecimento, a gente esquece as coisas fácil, além da dor que afeta todo o corpo”, relata, ilustrando a profundidade do impacto na vida diária.
A fibromialgia incide predominantemente em mulheres com idades entre 30 e 60 anos, embora possa afetar indivíduos de qualquer idade e gênero. As causas exatas da síndrome ainda não são completamente elucidadas, mas especialistas sugerem que a condição está associada a alterações no funcionamento do sistema nervoso central, resultando em uma amplificação da percepção da dor. Fatores como estresse prolongado, traumas físicos ou emocionais, quadros de ansiedade e depressão, além de uma predisposição genética, são considerados elementos que podem contribuir para o desenvolvimento da doença.

Imagem: agenciabrasil.ebc.com.br
Sintomas e Abordagens Terapêuticas da Fibromialgia
Os principais sintomas da fibromialgia incluem dores persistentes por mais de três meses, sensibilidade ao toque, uma sensação contínua de cansaço, sono não reparador e rigidez muscular. Muitos pacientes também experimentam episódios de “névoa mental”, que se manifestam como dificuldades de memória e atenção. Outros sinais que podem surgir são dores de cabeça frequentes, síndrome do intestino irritável e uma sensibilidade acentuada a ruídos, luzes e variações de temperatura. O diagnóstico é essencialmente clínico, pautado na avaliação médica detalhada e na exclusão de outras condições com sintomatologia similar.
O tratamento da fibromialgia geralmente envolve uma abordagem combinada e multidisciplinar. Medicamentos específicos são empregados para o controle da dor, melhoria da qualidade do sono e manejo de sintomas associados, como a ansiedade e a depressão. Além da farmacoterapia, a prática regular de exercícios físicos, como caminhadas, hidroginástica e alongamentos, é considerada fundamental para a atenuação dos sintomas. Terapias psicológicas, sessões de fisioterapia, técnicas de relaxamento e ajustes no estilo de vida são componentes cruciais das estratégias terapêuticas mais recomendadas para o manejo da condição. Embora a fibromialgia não possua uma cura definitiva, ela pode ser eficazmente controlada, permitindo que muitos pacientes mantenham uma rotina ativa e uma qualidade de vida satisfatória. É importante buscar informações de fontes confiáveis sobre a síndrome, como o Ministério da Saúde, para um melhor entendimento.
Mariana Avelar, psicóloga que atua com pacientes fibromiálgicos, destaca a importância da psicoeducação nesse processo. “Nesse processo de abordagem da doença, a gente desenvolve a consciência, é o que a gente chama de psicoeducação, sobre tudo o que envolve essa condição, as limitações. Porque afeta a autoestima de muitas mulheres, justamente porque elas ficam muito limitadas, então é muito importante saber como lidar e receber acolhimento”, explica Mariana, reforçando o impacto emocional e a necessidade de suporte psicológico.
A pouca visibilidade da doença também se reflete na carência de dados estatísticos precisos sobre o número de pessoas com fibromialgia no país, dificultando o planejamento de políticas públicas eficazes. A enfermeira Flávia Lacerda, que participou da atividade e já trabalhou com pacientes nessa situação, aponta as lacunas na implementação da lei. “Na prática, apesar da lei, o acesso a benefícios e direitos ainda é muito burocrático. E muitos profissionais ainda não sabem inclusive dessa lei e como abordar o problema. A lei precisa pegar de verdade”, enfatiza Flávia, ressaltando a necessidade de uma aplicação mais efetiva da legislação e a capacitação dos profissionais de saúde para atenderem adequadamente a essa parcela da população.
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Em suma, a mobilização deste domingo (17) reforça a urgência de uma atenção mais abrangente e humanizada para pacientes com fibromialgia. A busca por tratamento adequado e a garantia dos direitos previstos em lei são passos cruciais para que esses indivíduos possam ter uma vida mais digna e com menos sofrimento. Continue acompanhando as notícias sobre saúde e direitos em nossa editoria para se manter informado: Saúde.
Crédito da imagem: Valter Campanato/Agência Brasil







