O JPMorgan revisou suas recomendações para construtoras do setor residencial no Brasil, elevando a classificação de Cury (CURY3) e Direcional (DIRR3) para overweight, uma indicação equivalente à compra. Em contrapartida, a MRV (MRVE3) teve sua recomendação rebaixada para neutra. Essas movimentações do renomado banco de investimentos global refletem uma análise aprofundada das perspectivas de cada companhia e do cenário macroeconômico atual que impacta o setor de construção.
As decisões do JPMorgan já se refletiram no mercado acionário na terça-feira, 9 de abril. As ações da Direcional (DIRR3) encerraram o dia com um significativo ganho de 4,47%, sendo negociadas a R$ 12,85. Já os papéis da Cury (CURY3) valorizaram 4,17%, atingindo a marca de R$ 30,20. Curiosamente, mesmo com o rebaixamento de sua ação, a MRV (MRVE3) registrou um pequeno avanço de 0,56%, sendo cotada a R$ 5,37 no mesmo período. Essas variações indicam a influência substancial das análises de grandes instituições financeiras na percepção dos investidores sobre o desempenho futuro das empresas listadas na bolsa.
JPMorgan: Cury e Direcional elevadas, MRV rebaixada
A revisão das estimativas para as construtoras brasileiras por parte do JPMorgan incluiu uma redução média de 11% nos preços-alvo estabelecidos para dezembro de 2026. Essa alteração foi impulsionada principalmente por um aumento de 0,5 ponto percentual no custo de capital, além de projeções de lucros menos otimistas para algumas empresas do segmento. O banco mantém uma clara preferência por incorporadoras focadas no segmento de baixa renda, citando a Tenda (TEND3), Direcional (DIRR3) e Cury (CURY3) como exemplos de destaque. Essa estratégia é justificada pelo cenário de juros elevados persistente no Brasil e pelas avaliações consideradas atrativas, com múltiplos de preço sobre lucro (P/L) em torno de 6,5 vezes para 2026 e 5,5 vezes para 2027, o que as torna candidatas a um bom desempenho futuro.
Cury (CURY3): Potencial de Valorização e Consistência em Rentabilidade
Para a Cury, o JPMorgan não apenas elevou a recomendação para overweight, mas também estabeleceu um preço-alvo de R$ 43,50 para suas ações. Essa projeção ambiciosa sugere um potencial de valorização de aproximadamente 50% até dezembro de 2026. A análise detalhada do banco aponta para um valuation atrativo, com as ações da Cury sendo negociadas a 7,2 vezes o lucro estimado para 2026 e 6,1 vezes para 2027. Além disso, a companhia apresenta um dividend yield projetado de 9% para o ano corrente, o que a torna particularmente interessante para investidores em busca de renda passiva e crescimento de capital.
Um dos pontos cruciais destacados pelos analistas do JPMorgan é o impressionante Retorno sobre o Patrimônio Líquido (ROE) da Cury, que se projeta em 82% para 2026, consolidando-se como o maior entre todas as incorporadoras cobertas pelo banco. A empresa tem demonstrado uma consistência notável em sua rentabilidade, mantendo um histórico de ROE entre 50% e 80% nos últimos quatro anos, o que reforça a confiança do banco em seu desempenho financeiro futuro e na sua capacidade de gerar valor aos acionistas.
Direcional (DIRR3): Estratégias de Crescimento e Parcerias Estratégicas
A Direcional também recebeu um impulso significativo, tendo sua recomendação elevada para overweight (compra) pelo JPMorgan, com um potencial de valorização estimado em cerca de 55% e um valuation igualmente atrativo. O banco posiciona a Direcional como sua segunda empresa favorita dentro do setor de construção residencial. Essa preferência é sustentada por diversas iniciativas estratégicas que prometem alavancar o crescimento da companhia nos próximos anos.
Entre os fatores que justificam a elevação, destaca-se a possível valorização do banco de terrenos da Direcional em Belo Horizonte, condicionada à aprovação de uma nova lei de zoneamento na cidade. Adicionalmente, a parceria com a MDNE para o desenvolvimento de projetos habitacionais de baixa renda na região Nordeste é vista como um catalisador importante para a expansão geográfica e de mercado. Os analistas estimam que essas duas frentes podem adicionar cerca de R$ 1 bilhão por ano em Valor Geral de Vendas (PSV). O JPMorgan também prevê uma expansão contínua das margens da companhia e enxerga um potencial adicional na Direto, sua subsidiária de serviços financeiros, desenvolvida em colaboração com a XP. Para entender mais sobre o mercado de construção civil no país, consulte análises especializadas, como as divulgadas pelo Valor Econômico.
Tenda (TEND3): Liderança Mantida no Segmento de Baixa Renda
A Tenda permanece como a principal recomendação do JPMorgan no segmento de construção, mantendo sua classificação de compra e um preço-alvo de R$ 48,50. A empresa demonstra um potencial de valorização superior a 60% até dezembro de 2026, reafirmando sua posição de destaque no mercado de moradias populares. O banco ressalta a recuperação consistente da operação principal da Tenda, que registrou um lucro líquido anualizado próximo de R$ 600 milhões no primeiro trimestre, desconsiderando os efeitos das operações de hedge, indicando uma sólida performance operacional.
Além disso, o potencial de geração de valor da Alea, subsidiária da Tenda especializada em casas pré-fabricadas utilizando a inovadora tecnologia wood frame, é um ponto chave para a recomendação. Entre as empresas do setor de baixa renda, a Tenda negocia com o menor múltiplo de preço sobre lucro (P/L) da cobertura do JPMorgan, com 5,4 vezes para 2026, um valor inferior aos múltiplos de Cury e Direcional, o que a torna ainda mais atrativa sob a ótica de valuation para investidores.
Rebaixamento da MRV (MRVE3): Desafios na Subsidiária Americana Resia
O JPMorgan rebaixou a recomendação da MRV para neutra, estabelecendo um preço-alvo de R$ 7. Essa decisão crucial decorre de uma revisão substancialmente negativa das estimativas para a Resia, subsidiária americana da MRV. O banco antecipa que a Resia deverá registrar perdas adicionais consideráveis para conseguir executar seu plano de desinvestimento. Em consequência direta, o JPMorgan reduziu em 70% sua projeção de lucro por ação para 2026 e em 35% para 2027, sinalizando um impacto significativo nas finanças da MRV.
Apesar dos desafios iminentes, o banco observa que as ações da MRV são negociadas a apenas 4,1 vezes o lucro projetado para 2027, um dos menores múltiplos entre as companhias cobertas, o que poderia, em tese, indicar um ponto de entrada atrativo. No entanto, a MRV continua sendo a empresa mais alavancada do setor, com uma dívida líquida que representa aproximadamente 102% do patrimônio líquido ao final do primeiro trimestre de 2026, o que adiciona um fator de risco considerável à sua avaliação e perspectivas futuras.
Cyrela (CYRE3) e Eztec (EZTC3): Perspectivas Neutras em um Cenário Econômico Desafiador
Para a Cyrela, o JPMorgan manteve a recomendação neutra, com um preço-alvo de R$ 29,50. Embora a avaliação da companhia seja considerada barata, negociando abaixo do valor patrimonial, o banco não identifica catalisadores de curto prazo que possam impulsionar suas ações de forma significativa. O cenário macroeconômico atual, caracterizado por taxas de juros elevadas, é apontado como um fator limitante para o desempenho dos papéis da Cyrela no mercado.
A Eztec também permanece com recomendação neutra e preço-alvo de R$ 17. Apesar do forte crescimento nos lançamentos da companhia, o JPMorgan acredita que o ambiente de juros altos continuará a exercer pressão sobre a demanda por imóveis de médio e alto padrão. Além disso, o banco aponta riscos relacionados ao elevado estoque de imóveis prontos e à venda da torre Esther, cujo valor já está contemplado em seu preço-alvo, indicando que grande parte do potencial já foi precificada.
Confira também: Investir em Imóveis na Região dos Lagos
Em resumo, as últimas análises do JPMorgan no setor de construção residencial brasileiro delineiam um cenário complexo e com oportunidades distintas, com foco nas empresas de baixa renda como Cury, Direcional e Tenda, que apresentam sólidos fundamentos e estratégias promissoras. Enquanto isso, construtoras como MRV, Cyrela e Eztec enfrentam desafios específicos e um ambiente macroeconômico adverso que limitam suas perspectivas de curto e médio prazo, exigindo cautela dos investidores. Para acompanhar de perto as tendências e análises do mercado financeiro e imobiliário, continue explorando nossa editoria de Economia, onde você encontrará as informações mais recentes e relevantes para suas decisões.
Crédito da imagem: Divulgação






