A segunda edição do Melhor RH Innovation reafirmou a evolução da gestão de pessoas no cenário corporativo brasileiro, revelando um RH mais maduro e intrinsecamente estratégico. Se o evento pioneiro já indicava a capacidade do setor de transcender um papel coadjuvante, a edição recente solidificou a necessidade de sustentabilidade na inovação. Não basta apenas lançar um projeto bem-sucedido; o verdadeiro desafio reside em integrar a transformação na rotina, influenciando continuamente decisões, processos e a experiência dos colaboradores. Os grandes destaques desta edição – Transpetro e Companhia de Estágios – personificaram essa transição, evidenciando que a inovação em RH superou a fase de iniciativas pontuais, consolidando-se como um movimento orgânico e contínuo.
Ambas as empresas demonstraram que a consistência, a colaboração e a metodologia são fundamentais para que o aprendizado se converta em evolução contínua. Essa abordagem metódica permite que a inovação se propague, transformando a gestão de pessoas em um pilar central da estratégia organizacional, e não apenas uma resposta a pressões externas do mercado.
A Transpetro, em particular, emergiu como um gigante em uma disputa acirrada no evento. Enquanto nomes como Alelo e Banco do Brasil também conquistaram dois troféus de vencedores e a Afya obteve um primeiro lugar e dois segundos, o diferencial da Transpetro foi o conjunto de sua obra. Com um total de 12 reconhecimentos, abrangendo não apenas os prêmios de vencedores, mas também as menções de destaque, a companhia evidenciou sua força em diversas frentes cruciais para a gestão de pessoas. Esses resultados reforçaram a liderança da empresa no cenário de inovação.
Melhor RH Innovation: Transpetro e Cia de Estágios Lideram
As áreas de destaque da Transpetro incluíram Employee Experience, Tecnologia, Desenvolvimento de Lideranças, KPIs de Efetividade, Serviços de RH, Futuro do Trabalho e, naturalmente, Inovação. Essa presença multifacetada e consistente em variadas dimensões da gestão de pessoas foi o que, mais uma vez, posicionou a Transpetro no topo do placar do Melhor RH Innovation. O que se observa é uma agenda de inovação que, em vez de buscar apenas o novo, foca na sustentação e expansão de práticas já comprovadamente eficazes.
Juliana Horta, gerente executiva de RH da Transpetro, salientou que a maturidade do conjunto de projetos é o que realmente impressiona, mais do que a novidade isolada de cada um. Para Horta, a Transpetro não apenas aprimora o que já funciona ou lança novas iniciativas; a empresa tem solidificado uma cultura de gestão de pessoas onde inovar é uma escolha diária, uma decisão que permeia a cultura e molda a experiência dos indivíduos. Ela enfatiza que a inovação deve estar presente nas grandes estratégias e nas pequenas melhorias cotidianas, mantendo sempre as pessoas no centro das decisões.
Um dos pilares mais inovadores da estratégia da Transpetro é a aposta em um Mindset Digital. Em contrapartida à corrida por ferramentas e plataformas, a companhia priorizou o desenvolvimento de uma mentalidade que cultiva curiosidade, abertura ao novo e disposição para o aprendizado contínuo. Conforme Horta, o objetivo não é transformar cada empregado em um especialista em tecnologia, mas capacitar a todos para aprenderem, evoluírem e contribuírem. Essa abordagem distribui a inovação como uma responsabilidade compartilhada, integrando-a ao modo de operar da organização.
Para que o Mindset Digital fosse mais do que um conceito bem-intencionado, a Transpetro estruturou três frentes interligadas que funcionam como engrenagens de um mesmo mecanismo. O próprio Mindset Digital foca no engajamento e desenvolvimento de competências. O Centro de Excelência Digital (CoE RH) estimula a criação de soluções com tecnologias acessíveis, permitindo prototipagem, testes e ajustes ágeis. Complementarmente, as Esteiras Ágeis de Processos, já reconhecidas na edição anterior do Melhor RH Innovation, mergulham nos fluxos de trabalho para identificar onde simplificar, otimizar e digitalizar.
A governança bem aplicada conecta essas frentes, garantindo que as boas ideias não morram na gaveta e se transformem em entregas concretas. A Transpetro adota um modelo de gestão que alinha estratégia, execução e acompanhamento de resultados em todos os níveis da organização, desde o alto escalão até as equipes que vivenciam as iniciativas no dia a dia. Projetos compartilham objetivos, indicadores e direcionadores estratégicos comuns, permitindo que as soluções deixem de ser experiências pontuais e passem a gerar valor em escala para toda a organização.
Em relação à tecnologia, a Transpetro a enxerga como um meio para potencializar o humano, não como um fim em si. Seu valor reside na capacidade de ampliar o potencial humano, democratizando o acesso ao conhecimento em áreas como ciência de dados, inteligência artificial e novas formas de trabalho para toda a força de trabalho, sem criar dependência de sistemas. O objetivo é desenvolver confiança, autonomia e senso crítico para que cada empregado consiga entender como esses recursos podem facilitar suas atividades, apoiar decisões e gerar valor em seu próprio contexto de atuação. A tecnologia faz sentido quando aproxima pessoas, simplifica experiências e cria mais espaço para o que é essencialmente humano.
A empresa abraça a experimentação responsável, com ciclos curtos, protótipos, entregas menores de alto valor agregado e ajustes contínuos, aceitando que o erro é parte do método. A experimentação responsável deixou de ser exceção para se tornar parte da rotina na Transpetro. O aprendizado mais valioso é que a inovação duradoura não nasce apenas de grandes apostas, mas da capacidade de ouvir, adaptar e evoluir, repetidas vezes, com a paciência de quem sabe que não há atalho para ser consistente. O objetivo final é integrar a inovação na cultura da Transpetro, em todos os níveis da organização, convertendo-a em uma competência organizacional perene e conectada à estratégia da companhia.
Em outro espectro, a Companhia de Estágios se destacou como Fornecedora Parceira do RH – Destaque do Ano, conquistando dois troféus na segunda edição do evento. Este reconhecimento sublinha a importância das parcerias estratégicas na construção da inovação em gestão de pessoas. Fundada em 2006 por Tiago Mavichian, a empresa optou por investir em tecnologia proprietária, relacionamento e diferenciação, em vez de focar apenas em volume ou menor preço. Sua abordagem vai além da simples abertura de vagas, buscando compreender as muitas dores do RH e oferecer uma plataforma robusta para atração, seleção e gestão de aprendizes, estagiários e trainees.
Atualmente, a Companhia de Estágios é referência em tecnologias e inteligência artificial proprietárias, realizando pesquisas de mercado contínuas com rigor metodológico e estatístico para entender as novas gerações e desenvolver programas que realmente gerem valor para marcas exigentes. Com aproximadamente 130 colaboradores e mais de quatro mil vagas anuais, a empresa mantém clientes na carteira há mais de uma década, solidificando relacionamentos duradouros através de sua inteligência de dados a serviço de decisões melhores.
Os cases apresentados no Melhor RH Innovation ilustram a inovação funcionando nos detalhes onde ela mais importa. No projeto com a Sanofi, por exemplo, o desafio era implementar um programa afirmativo especial que custeava 100% da mensalidade universitária dos selecionados, uma proposta significativa que precisava chegar a jovens talentos de baixa renda, que raramente se veem representados em processos seletivos corporativos. A solução incluiu dinâmicas criativas baseadas em Escape Game, leves e projetadas para revelar o potencial das pessoas sem intimidá-las, resultando em um grupo 100% feminino com alto índice de diversidade. Mavichian enfatiza que a inovação em projetos afirmativos continua após a contratação, exigindo uma estrutura de acolhimento e suporte para o crescimento e desempenho do jovem, removendo barreiras de desenvolvimento.
Com a Amazon Web Services (AWS), o foco foi um programa de Jovem Aprendiz totalmente voltado à inclusão de pessoas com deficiência, com critérios rigorosos de elegibilidade, o que tornava a busca ainda mais desafiadora. A Companhia de Estágios acionou sua base por e-mail e WhatsApp, investiu em comunicação personalizada e descobriu que boa parte dos candidatos já estava em seu próprio banco de dados. O resultado superou as expectativas, preenchendo as vagas antes do prazo com uma maioria de mulheres e jovens de baixa renda com deficiência no mercado de tecnologia. Tiago Mavichian reitera que o preenchimento da vaga é apenas o início da jornada em iniciativas como essa, exigindo estratégia e busca ativa de talentos.
A empresa se recusa a entregar fórmulas prontas, mergulhando na cultura e nas dores de cada RH para moldar programas customizados. Sua inteligência artificial oferece escala, velocidade e precisão na triagem, mas o desenho do programa é totalmente adaptado aos objetivos de negócio do cliente. É essa combinação que permite atuar com empresas, culturas e desafios radicalmente diferentes sem perder a precisão. Duas iniciativas exemplificam esse compromisso: a jornada do candidato 100% dentro do WhatsApp, simplificando inscrição e contratação sem exigir que o candidato se adapte a sistemas desconhecidos; e o Lab, um espaço com investimento de R$ 1,5 milhão equipado com realidade virtual, robótica e impressão 3D, criado para transformar a formação de Jovens Aprendizes em algo que realmente os prepare para o mercado de trabalho.
Essa parceria vai além da infraestrutura ou da eficiência operacional. Quando uma organização se aproxima de um parceiro estratégico como a Companhia de Estágios, as duas enviam um recado importante ao mercado: o desenvolvimento dos jovens selecionados é uma responsabilidade compartilhada. Para o RH, o apoio de um parceiro especializado significa tirar o peso operacional, que vai desde a triagem inteligente e o jurídico dos contratos até a atração desse jovem nas universidades. Isso permite que o RH consiga focar no que realmente importa: a estratégia de pessoas e o desenvolvimento desses talentos, construindo um pipeline qualificado, diverso e conectado ao futuro da organização. Uma marca parceira de verdade funciona como uma extensão estratégica da liderança da empresa, assumindo junto não só a entrega, mas também os resultados que vêm depois.
Para entender o panorama completo das transformações e tendências que moldam a gestão de pessoas atualmente, é fundamental consultar análises aprofundadas sobre o setor. Um exemplo disso são as projeções e discussões frequentemente abordadas em portais de notícias especializados, como as que podem ser encontradas sobre tendências de RH para 2024, oferecendo um panorama valioso sobre o futuro do trabalho.
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Em síntese, a segunda edição do Melhor RH Innovation deixou um legado claro: a inovação em gestão de pessoas transcendeu a fase de projetos isolados, consolidando-se como um movimento contínuo e intrínseco à cultura organizacional. Os exemplos da Transpetro e da Companhia de Estágios demonstram que, após o reconhecimento, o que se exige é um trabalho incessante de integração e sustentabilidade da inovação no dia a dia. Para se aprofundar em mais análises e notícias sobre o universo corporativo e as inovações que transformam o mercado, continue acompanhando nossa editoria de Análises.
Crédito da imagem: Juliana Horta, da Transpetro; Tiago Mavichian. Foto por Germano Lüders






