rss featured 23974 1782499064

Inovação no RH: Fórum Discute IA, Liderança e Futuro do Trabalho

DP E RH

A discussão sobre a inovação no RH ganhou destaque no 2º Fórum Melhor RH Innovation, um evento presencial que reuniu especialistas para debater os rumos da área de Recursos Humanos. Realizado no mesmo dia do Prêmio Melhor RH Innovation, em 9 de maio, no Teatro Moise Safra, em São Paulo, o fórum foi estruturado em três painéis temáticos, abordando desde o impacto da inteligência artificial (IA) e da automação até o papel crucial das lideranças na gestão da mudança.

Márcio Cardial, diretor do Cecom (Centro de Estudos da Comunicação e Plataformas Melhor RH e Negócios da Comunicação), ressaltou a crescente complexidade das demandas dirigidas ao setor de RH. Segundo Cardial, tópicos como tecnologia, inteligência artificial, produtividade, desenvolvimento de lideranças, transformação cultural, novas competências e a própria cultura do trabalho deixaram de ser questões secundárias. Atualmente, esses temas são centrais e exercem uma influência decisiva na conformação do presente e do futuro das organizações.

As discussões promovidas pelo evento sublinharam a urgência de uma reavaliação estratégica das funções do RH. A necessidade de integrar tecnologias avançadas e novas metodologias de gestão torna a capacidade de adaptação e a proatividade fatores essenciais para o sucesso organizacional. Em um cenário de constantes transformações, a compreensão e a implementação de práticas que fomentem a flexibilidade e o desenvolvimento contínuo dos colaboradores são cruciais para manter a competitividade das empresas.

Inovação no RH: Fórum Discute IA, Liderança e Futuro do Trabalho

O Mandato Renovado do RH na Era Digital

O primeiro painel do fórum, intitulado “O novo mandato do RH”, explorou como a inteligência artificial e a automação estão redefinindo o conceito de trabalho. Marcelo Murilo da Silva, vice-presidente de Inovação na Benner, alertou sobre a inevitabilidade da IA em reduzir certas posições de trabalho, enfatizando a importância de preparar as equipes para essa transição. Ele destacou que a IA exigirá novas habilidades dos profissionais, como análise de cenários, criatividade e intuição, um conjunto de competências distinto das tradicionalmente valorizadas.

Raquel Cardoso, vice-presidente de pessoas na Motiva, complementou a discussão ao afirmar que o RH está cada vez mais assumindo o papel de “arquiteto das transformações”. Ela sublinhou que esses processos envolvem uma complexa interação entre humanos, tecnologia e comportamento, com a transformação cultural no epicentro de todas as mudanças. A abordagem da Motiva busca a complementaridade com a IA, em vez da competição, e está investindo em um programa interno de treinamento para desenvolver as novas habilidades necessárias. Uma pesquisa interna da empresa revelou que 60% do público impactado pela tecnologia é composto por mulheres, das quais 40% têm dependentes menores de 18 anos, evidenciando uma responsabilidade social intrínseca a esse processo. As lideranças, com o suporte do RH, são ativamente envolvidas para entender os desafios e propor soluções.

Tatiana Romero, diretora de RH e Sustentabilidade da Edenred, abordou a relevância do autoconhecimento, impulsionado pelas provocações da IA. Ela defendeu a necessidade de um “letramento” tecnológico para que as pessoas possam utilizar essa nova ferramenta de forma eficaz. Na Edenred, uma equipe interna multidisciplinar, com profissionais de diversos níveis hierárquicos, lidera a transmissão desse conhecimento. Romero esclareceu que, até o momento, não há planos de demissões por conta da IA, mas sim um processo de readequação e recolocação interna de funções. Como exemplo, citou um caso em uma unidade do Sul do país, onde mecânicos estão sendo capacitados para atuar no suporte remoto a motoristas, demonstrando como a IA pode criar atividades completamente novas.

Perfis e a Reação à Mudança

O segundo painel, “Quem é você no movimento do novo?”, aprofundou-se no impacto das reações individuais e coletivas à mudança. Kiko Campos, executivo de RH, apontou que, embora o tema do painel possa parecer fora do radar da inovação, seus componentes — ceticismo, resistência, evidências, dados, liderança e segurança psicológica — são fundamentais. Ele argumentou que, apesar de aparentemente simples, esses fatores são cruciais para o sucesso de qualquer iniciativa inovadora.

Viviane Gaspari, CHRO e head de Recursos Humanos no Grupo Carrefour Brasil, abordou o ceticismo e a resistência às mudanças organizacionais. Segundo ela, a resistência surge da percepção de riscos individuais, especialmente quando a IA e a automação levantam questões sobre o futuro profissional. Viviane enfatizou o papel vital do RH em ajudar a ressignificar o valor do colaborador, demonstrando sua relevância independentemente do novo papel que possa assumir dentro da empresa.

Edna Rocha, diretora de Recursos Humanos na Sonepar, corroborou essa visão, destacando que o ser humano tende a buscar segurança em vez de desafios. A solução, para ela, reside na comunicação transparente, tratando os colaboradores como adultos e fornecendo informações claras sobre o que está acontecendo. Trabalhar a comunicação é essencial para que as pessoas compreendam as mudanças e possam se posicionar ativamente nesse novo contexto.

Inovação no RH: Fórum Discute IA, Liderança e Futuro do Trabalho - Imagem do artigo original

Imagem: fabiomsalles via melhorrh.com.br

Complementando os colegas, Mariana Ceripieri, diretora de Recursos Humanos na Siemens, focou no papel do líder como articulador da transformação e da estratégia organizacional. Ela descreveu a função do líder como intensa, exigindo a capacidade de traduzir o significado das mudanças e como elas impactarão cada função específica. Ceripieri também observou que a competitividade do mercado será um fator determinante para o ritmo das transformações internas.

Desenvolvendo Lideranças com Visão de Futuro

O terceiro e último painel do 2º Fórum Melhor RH Innovation dedicou-se ao tema da liderança. Douglas Almeida, sócio proprietário na Aspyra Mentoria, iniciou a discussão afirmando que “o líder é nosso cliente”. Ele destacou que o grande desafio atual é o excesso da rotina operacional dos líderes, o que pode levar a uma “miopia estratégica”, com o foco restrito ao curto prazo e ao próximo passo.

Vanessa Salles, superintendente de Recursos Humanos na Livelo, recomendou que as lideranças infundam intencionalidade em suas ações. Para ela, é possível almejar qualquer futuro, desde que os resultados de curto prazo sejam consistentemente alcançados. Salles defendeu a importância de acompanhar os resultados e garantir as entregas esperadas.

Mariana Malagutti, diretora de RH da Cia Tradicional de Comércio, trouxe uma perspectiva do segmento de restaurantes. Em sua empresa, as equipes estão fortemente focadas no processo diário. Para Malagutti, a inovação está intrinsecamente ligada à relação com o cliente. Seus treinamentos enfatizam a jornada de atendimento, buscando ir além para surpreender os clientes. Inspirada no “jeito Disney de trabalhar”, a empresa acredita que a inovação não está necessariamente no digital, mas na qualidade da interação humana. Para aprofundar-se sobre a remodelação da força de trabalho no contexto atual, uma análise detalhada pode ser encontrada em estudos sobre o futuro do trabalho.

Carolina Levy, diretora de Remuneração e Projetos na Cogna Educação, abordou a construção de cenários e o planejamento estratégico em sua organização. Ela explicou que o processo envolve uma discussão inicial restrita à alta liderança, seguida pelo desdobramento da estratégia para todos os níveis de liderança. A Cogna Educação engaja seus líderes na elaboração de iniciativas para atingir objetivos de longo prazo, cultivando uma cultura onde a entrega de resultados é vista como um ato de empreender, e empreender, por sua vez, é inovar.

Confira também: Investir em Imóveis na Região dos Lagos

O 2º Fórum Melhor RH Innovation reforçou a importância de o setor de Recursos Humanos se posicionar como um agente central na adaptação e no desenvolvimento das empresas frente aos desafios impostos pela tecnologia e pelas novas dinâmicas de trabalho. As discussões sobre IA, liderança e transformação cultural demonstram que a inovação no RH é um pilar estratégico para a sustentabilidade e o crescimento organizacional. Convidamos você a explorar outras análises e artigos relevantes em nossa seção de Análises, para se manter atualizado sobre as principais tendências do mercado.

Crédito da imagem: Melhor RH

Deixe um comentário