O cenário de incerteza no mercado de capitais brasileiro, com a trajetória dos juros e a disputa presidencial de outubro no horizonte, tem levado os principais analistas do país a intensificar a busca por **ações para eleições** que ofereçam maior resiliência a choques. Na transição do primeiro para o segundo semestre, bancos e corretoras reforçaram suas carteiras recomendadas de julho, priorizando setores tradicionalmente mais seguros em períodos eleitorais.
Instituições financeiras como bancos se consolidaram como um refúgio para investidores em anos de eleições, marcando presença significativa nas recomendações. Contudo, um destaque inesperado foi a Embraer (EMBJ3). Há apenas um mês, a fabricante de aviões lidava com um desempenho trimestral abaixo do esperado e uma queda em suas ações. Atualmente, a Embraer se posiciona como a segunda ação mais recomendada no mercado, superando até mesmo gigantes e ficando atrás apenas do Itaú Unibanco (ITUB4), que aparece em oito das dez carteiras analisadas pela InfoMoney.
Ações para Eleições: 9 Opções para Navegar a Turbulência
A volatilidade econômica e política exige uma estratégia de investimento cautelosa. Para auxiliar os investidores a atravessar essa fase de turbulência, dez das principais casas de análise do país – Ágora/Bradesco, Ativa Investimentos, Andbank, BB Investimentos, BTG Pactual, Genial Investimentos, Itaú BBA, Terra Investimentos, Santander Brasil e XP Investimentos – compilaram suas melhores indicações. O estudo do InfoMoney consolidou essas recomendações, resultando em um ranking das nove ações mais indicadas para o período.
A seguir, o detalhamento das ações mais recomendadas, incluindo o número de indicações e o retorno no semestre, conforme as análises:
- Itaú Unibanco (ITUB4): 8 recomendações, retorno de +9,66%
- Embraer (EMBJ3): 7 recomendações, retorno de -7,27%
- Vale (VALE3): 7 recomendações, retorno de +8,23%
- Petrobras (PETR4): 6 recomendações, retorno de +26,44%
- Axia Energia (AXIA3): 5 recomendações, retorno de +7,45%
- Bradesco (BBDC4): 5 recomendações, retorno de +1,66%
- Rede D’Or (RDOR3): 4 recomendações, retorno de -13,72%
- Localiza (RENT3): 4 recomendações, retorno de -2,33%
- Sabesp (SBSP3): 4 recomendações, retorno de +11,89%
O cenário de instabilidade no mercado financeiro tem levado à busca por maior previsibilidade. Para entender melhor os fatores que influenciam a tomada de decisão de grandes investidores e a volatilidade do mercado, é fundamental acompanhar as análises de entidades como a B3, a bolsa de valores brasileira, que oferece dados e relatórios sobre o comportamento dos ativos.
Destaques Individuais: Fundamentos das Ações Recomendadas
Itaú Unibanco (ITUB4): A Escolha Unânime para o Cenário Eleitoral
O Itaú Unibanco se destaca como a recomendação mais consensual entre as casas de análise. A Ágora o aponta como a principal escolha no setor bancário, evidenciando seu Retorno sobre o Patrimônio Líquido (ROE) consistentemente acima de 20% e um excedente de capital que abre caminho para dividendos extraordinários. A BB Investimentos ressalta a gestão de risco disciplinada e a diversificação de receitas como pilares que conferem ao papel um caráter defensivo, mesmo em um contexto de juros elevados. No primeiro trimestre, o banco registrou um lucro líquido de R$ 12,3 bilhões e um ROE de 24,8%, com a inadimplência mantida sob controle, conforme apontado pela Andbank.
Embraer (EMBJ3): Da Queda à Relevância no Mercado
A fabricante de aeronaves enfrentou dificuldades no início do ano, impactada por uma combinação de mix de clientes menos favorável, elevação de custos e tarifas de importação nos Estados Unidos, resultando em uma queda de cerca de 16% em suas ações. No entanto, a BB Investimentos interpretou essa desvalorização como desassociada dos sólidos fundamentos de longo prazo da companhia, elevando sua recomendação de Neutra para Compra. A Ativa Investimentos e o Itaú BBA reforçam a tese de investimento, citando o backlog recorde da empresa, que oferece visibilidade plurianual de receita, o avanço das encomendas da plataforma E2 e o potencial de novos contratos na divisão de defesa e segurança.
Vale (VALE3): Recuperação e Valor Subavaliado
A mineradora apresenta uma combinação atrativa de avaliação descontada e expectativa de recuperação no preço do minério de ferro. A Ágora menciona a disciplina operacional da nova gestão, a redução de custos C1 e a opcionalidade em cobre e níquel como fatores que podem impulsionar a reavaliação das ações. Além disso, a redução da incerteza jurídica após os acordos referentes aos desastres de Mariana e Brumadinho contribui para a perspectiva positiva. A Terra Investimentos corrobora a visão, destacando a consistente redução dos custos de produção da companhia, mantendo a relação dívida líquida/Ebitda em patamar saudável.
Petrobras (PETR4): Hedge e Dividendos Atraentes
A estatal continua sendo uma opção de proteção em carteiras com perfil mais defensivo, impulsionada por um dividend yield que oscila entre 9% e 11%, mesmo diante da recente queda do petróleo após o cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã. O BTG Pactual mantém a ação como um hedge contra uma possível piora geopolítica no Oriente Médio. Contudo, a convicção não é unânime: o Itaú BBA optou por retirar a Petrobras de sua carteira Top 5 neste mês, considerando um cenário menos favorável para o petróleo no curto prazo, e substituiu-a por Bradesco.
Axia Energia (AXIA3): Previsibilidade no Setor Elétrico
A Axia Energia (AXIA3) é apresentada como uma alternativa de exposição ao setor de geração e transmissão, considerado mais previsível pelas casas de análise. A Ágora projeta um dividend yield de aproximadamente 6,5% para 2026 e vê a recente fraqueza das ações como uma oportunidade tática de entrada, com fundamentos sólidos no médio prazo. A Ativa Investimentos, por sua vez, incluiu a companhia entre os ajustes de peso do mês, mantendo-a como uma das posições centrais de sua carteira.

Imagem: REUTERS via infomoney.com.br
Bradesco (BBDC4): Uma História de Recuperação Promissora
O Bradesco tem ganhado destaque como uma história de recuperação no setor bancário. O Santander o mantém como Top Pick entre os grandes bancos, projetando um crescimento do lucro líquido entre 12% e 14% em 2026 e um ROE caminhando para 17% até o final do ano, impulsionado pelo avanço de seu Plano de Transformação. O Itaú BBA realizou a troca da Petrobras pelo Bradesco justamente por enxergar uma assimetria mais atrativa, com um valuation descontado e sinais evidentes de melhora na qualidade da carteira de crédito.
Rede D’Or (RDOR3): Liderança e Resiliência na Saúde
A rede hospitalar é a Top Pick do setor de saúde para o Santander, que enfatiza o posicionamento dominante da companhia e sua resiliência operacional em diversos cenários econômicos, além da SulAmérica, que pertence ao grupo, estar conquistando participação de mercado. A XP Investimentos incluiu o papel em sua carteira neste mês, citando a maturação de ativos e a estabilidade proporcionada pelo excesso de provisionamento da seguradora, aspectos que fortalecem a tese de investimento.
Localiza (RENT3): Momento Operacional Favorável no Transporte
A locadora de veículos é a Top Pick de transportes para o Santander, que aponta o momento operacional favorável e a exposição a futuros cortes da taxa Selic como pilares da tese, com um valuation ainda atrativo em comparação à média histórica. A BB Investimentos reforça essa leitura após a recente queda das ações, destacando o controle eficaz da depreciação e o crescimento consistente dos lucros da companhia, fatores que solidificam a confiança no ativo.
Sabesp (SBSP3): Eficiência e Gatilhos de Crescimento Pós-Privatização
A companhia de saneamento está colhendo os frutos do primeiro ano sob nova gestão privada, que superou as expectativas em termos de eficiência operacional e execução tarifária, segundo o Santander. O Itaú BBA substituiu a Equatorial pela Sabesp em sua carteira Top 5, justamente por identificar gatilhos de curto prazo mais robustos, como o programa Universaliza SP 2, que pode se tornar uma alavanca significativa de crescimento e retorno para os acionistas.
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Em suma, a turbulência no mercado financeiro, impulsionada pelo contexto eleitoral, reforça a importância de uma seleção criteriosa de ativos. As nove ações destacadas por bancos e corretoras, abrangendo desde setores defensivos como o bancário até empresas com potenciais de recuperação e crescimento, representam as principais apostas para investidores que buscam navegar com segurança nesse período. Continue acompanhando nossas análises na editoria de Economia para se manter informado e tomar as melhores decisões de investimento em https://horadecomecar.com.br/categoria/economia/.
Crédito da imagem: InfoMoney






