A seleção brasileira de judô brilhou no tatame e conquistou o título do Desafio Internacional de Judô, superando a Alemanha com um placar expressivo de 5 a 1. O evento, realizado na noite de quinta-feira (30) em Blumenau, Santa Catarina, marcou o retorno da competição ao calendário da Confederação Brasileira de Judô (CBJ) após um hiato de oito anos. A vitória representou não apenas a conquista de um troféu, mas também o fim de um jejum de três anos sem triunfos sobre os alemães em confrontos por equipes mistas, além de ter um sabor especial de revanche.
O reencontro com o tradicional torneio trouxe um sopro de renovação para a modalidade nacional. Em uma performance dominante, a equipe da “Amarelinha” demonstrou força e união. Este triunfo assume um significado ainda maior considerando a recente rivalidade com a Alemanha. No Mundial de Budapeste, Hungria, ocorrido no ano passado, os brasileiros haviam sido eliminados pelos alemães nas quartas de final, finalizando a competição em um quinto lugar. A vitória em Blumenau, portanto, não foi apenas uma superação esportiva, mas também uma resposta estratégica aos resultados anteriores.
Os atletas que se destacaram e garantiram essa memorável vitória foram Shirlen Nascimento, Daniel Cargnin, Rafael Silva, Rafael Macedo e Leonardo Gonçalves, todos com performances decisivas no tatame. A atuação conjunta desses judocas foi fundamental para consolidar o placar favorável e erguer o troféu no cenário nacional.
Brasil Conquista Título no Desafio Internacional de Judô
As Estrelas Brasileiras no Tatame
O caminho para o título começou com a atual campeã mundial, Shirlen Nascimento. Disputando na categoria abaixo dos 57 quilos, Shirlen enfrentou Seja Ballhaus e, em um embate acirrado que se estendeu ao golden score, a brasileira demonstrou sua técnica apurada ao aplicar um ippon decisivo, garantindo o primeiro ponto para o Brasil e impulsionando a confiança da equipe.
Logo em seguida, na categoria -73 kg, o gaúcho Daniel Cargnin ampliou a vantagem para 2 a 0. Cargnin teve um desempenho impecável contra Kevin Abeltshauser, conquistando a vitória com um yuko e um ippon por imobilização, demonstrando a versatilidade de suas habilidades no solo e em projeções. Após sua luta, Cargnin analisou a competitividade do confronto e projetou o futuro. “As disputas contra a Alemanha sempre são decididas nos detalhes, porque são duas equipes muito equilibradas. Agora, o foco é aproveitar o período de preparação para chegar ao Mundial ainda mais forte e buscar essa medalha por equipes que tanto queremos, contando também com a união do grupo, que é um dos nossos maiores diferenciais”, afirmou Cargnin, com os olhos já voltados para o Mundial de Baku, no Azerbaijão, que terá início em 4 de outubro.
A terceira luta trouxe ao tatame a consagrada medalhista olímpica Rafaela Silva. Campeã do Grand Slam de Paris, França, em fevereiro, na categoria 63 kg, Rafaela encarou uma adversária familiar: Mirian Butkereit. A alemã havia derrotado Rafaela duas vezes no Mundial de Budapeste no ano anterior, adicionando um elemento de desforra ao confronto. Apesar de lutar em uma categoria acima da sua habitual, nos 70kg, a carioca demonstrou resiliência e superioridade. Rafaela reverteu uma tentativa de golpe da adversária, marcando um waza-ari, e posteriormente, com um ippon bem executado após uma dividida estratégica, garantiu a terceira vitória consecutiva para o Brasil em Blumenau.
A emoção de competir em casa foi um ponto destacado por Rafaela Silva. Em depoimento ao site da Confederação Brasileira de Judô (CBJ), a judoca expressou sua satisfação: “É sempre um privilégio lutar no Brasil, ainda mais em uma competição internacional com atletas de alto nível e medalhistas mundiais e olímpicos. Poder competir em casa, com o apoio da torcida, é muito especial e nos motiva a dar o nosso melhor para inspirar as novas gerações. Essa vitória também teve um gosto especial porque consegui corrigir os erros da derrota que sofri para essa adversária no ano passado, colocando em prática tudo o que venho treinando. Quando a gente luta no Brasil, quer retribuir o carinho de quem faz esforço para estar na arquibancada, então o nosso compromisso é entregar o melhor judô possível dentro do tatame”.
O paulista Rafael Macedo, natural de São José dos Campos, continuou a sequência de vitórias brasileiras na categoria 90kg. Em um confronto com Paul Friedrichs, Macedo demonstrou sua expertise e finalizou a luta com uma chave de braço, elevando o placar da Amarelinha para 4 a 0, consolidando a vantagem da equipe com uma performance técnica notável.

Imagem: agenciabrasil.ebc.com.br
O Desfecho da Competição e o Reconhecimento
O único ponto da seleção alemã veio na disputa da categoria acima dos 70kg, entre a paulista Beatriz Freitas e Alina Boehm. A judoca alemã conseguiu projetar a brasileira com um waza-ari, diminuindo a desvantagem para 4 a 1. No entanto, a vitória brasileira já estava encaminhada e a comemoração era iminente.
Para selar a conquista do Desafio Internacional de Judô com o placar final de 5 a 1, coube ao paulista Leonardo Gonçalves brilhar na categoria 90 kg. Enfrentando Louis Mai, Gonçalves, especialista em luta de solo, aplicou uma chave de braço precisa, assegurando o quinto e decisivo ponto para o Brasil e garantindo a celebração do título para a delegação nacional.
O Legado da Rivalidade e o Futuro Olímpico
Apesar do êxito retumbante no Desafio Internacional de Judô, a rivalidade entre Brasil e Alemanha no tatame ainda favorece os europeus em termos históricos. Desde 2013, na classe sênior, as duas equipes se enfrentaram 10 vezes, com a Alemanha somando seis vitórias contra quatro da Amarelinha. O resultado em Blumenau, contudo, é um passo importante para equilibrar essa balança e fortalecer a confiança da equipe brasileira em confrontos futuros de grande envergadura.
Os judocas brasileiros não terão muito tempo para descanso. O próximo compromisso da seleção será o Grand Prix de Lima, no Peru. Esta competição é de suma importância, pois concederá pontos para o ranking de classificação olímpica, visando os Jogos de Los Angeles 2028. A performance no Desafio Internacional de Judô serve como um sólido indicativo do potencial da equipe para os desafios futuros e a busca por medalhas em nível mundial e olímpico.
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A conquista do Desafio Internacional de Judô pelo Brasil, com uma vitória expressiva sobre a Alemanha, reafirma a força e a determinação dos nossos atletas. Este triunfo em Blumenau, marcado por performances individuais notáveis e um espírito de equipe inspirador, posiciona o judô brasileiro em um patamar elevado para os próximos desafios, incluindo a busca por vagas nos Jogos Olímpicos de 2028. Continue acompanhando as últimas notícias e análises sobre o mundo dos esportes e outras editorias em nosso portal, clicando aqui para mais notícias de esporte.
Crédito da imagem: Jonas Martins/CBJ/Direitos Reservados







