A Crise do BRB e as contas públicas do Distrito Federal dominaram as discussões no primeiro debate entre os candidatos ao governo do Distrito Federal. O evento, promovido pela TV Band, ocorreu na noite de domingo, dia 9, e reuniu os principais postulantes ao Palácio do Buriti, colocando em destaque a atuação da atual gestão e as perspectivas para o futuro financeiro da capital. A governadora Celina Leão (PP), que ocupa o cargo após a licença de Ibaneis Rocha (MDB), encontrou-se na posição de defender a administração enquanto buscava estratégias para desvincular sua imagem da gestão anterior, da qual foi vice-governadora.
Participaram do acalorado confronto eleitoral Celina Leão (PP), José Roberto Arruda (PSD), Kiko Caputo (Novo), Leandro Grass (PT), Paula Belmonte (PSDB) e Ricardo Cappelli (PSB). A pauta central refletiu a urgência e a gravidade da situação financeira do Banco de Brasília e o cenário das finanças distritais, temas que têm gerado ampla repercussão e preocupação entre a população e o mercado. Os adversários políticos de Celina Leão aproveitaram a oportunidade para reiterar a associação entre a governadora e o governo de Ibaneis Rocha, intensificando as críticas à administração atual do Distrito Federal e às políticas implementadas.
Crise do BRB e contas do DF marcam debate; Celina se defende
A pauta mais explosiva da noite girou em torno do Banco de Brasília (BRB), que enfrenta uma severa crise de liquidez. José Roberto Arruda (PSD) foi um dos que mais pressionou, questionando veementemente os números apresentados em uma carta enviada pelo BRB ao ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF). Arruda destacou que, embora o documento indicasse inicialmente um prejuízo de R$ 6,6 bilhões, um parágrafo final alertava para a possibilidade de o rombo atingir R$ 20 bilhões caso um aporte financeiro crucial não fosse liberado. O ex-governador exigiu transparência total sobre a real situação do banco, enfatizando a necessidade de clareza para a população do DF.
Atualmente, o governo distrital está empenhado em destravar um empréstimo de R$ 6,6 bilhões, valor considerado essencial para o socorro e a reestruturação do BRB. Em meio a acusações de inércia por parte da União em auxiliar na resolução da crise bancária, o ministro Luiz Fux agendou uma nova audiência pública para o dia 13 de agosto, buscando mediar a situação e encontrar soluções eficazes. A pressão sobre o BRB não se limita apenas aos valores do rombo; a não publicação do balanço da instituição também foi alvo de críticas contundentes por parte dos candidatos, que cobraram a divulgação dos resultados financeiros mais recentes, dado que o último balanço divulgado referia-se ao segundo trimestre de 2025.
Diante das acusações e questionamentos, Celina Leão buscou se defender, afirmando que os problemas herdados da gestão anterior, incluindo a delicada situação do BRB, não foram escolhas suas, mas desafios que se propôs a enfrentar com responsabilidade. A governadora destacou seus esforços para reverter o cenário e apresentou dados que, segundo ela, demonstram a melhora das contas públicas do Distrito Federal. Na sexta-feira anterior ao debate, dia 7, o governo distrital havia divulgado um balanço das contas públicas do primeiro semestre do ano, projetando um superávit de R$ 3 bilhões para o fim de 2026. Essa projeção representa uma reviravolta significativa em relação à previsão anterior, que apontava para um déficit de R$ 6 bilhões.
Ainda sobre a crise bancária, Paula Belmonte (PSDB) questionou a governadora sobre sua posição em relação à aquisição do Banco Master pelo BRB. Celina Leão reiterou sua postura contrária à operação, argumentando que o Banco de Brasília deveria manter seu perfil regional, focado no desenvolvimento do Distrito Federal, em vez de expandir para uma atuação nacional. “Eu sempre tive uma postura muito ética, e vice-governadora não consegue mudar decisão de governador”, afirmou Celina, enfatizando as limitações de sua posição anterior no que diz respeito a decisões estratégicas de grande porte. A governadora reforçou que tem trabalhado ativamente para capitalizar o banco, buscando mitigar os efeitos da crise de liquidez que se agravou após o escândalo envolvendo o Banco Master.

Imagem: Fabio Rodrigues-Pozzebom via valor.globo.com
Celina Leão também aproveitou o espaço para criticar os candidatos que possuem maior proximidade com o governo federal, apontando para a suposta incapacidade deles em mobilizar a União para oferecer o suporte necessário ao BRB. “A responsabilidade agora é minha. Todos os dias, eu levanto com essa certeza: salvar o BRB e reequilibrar as contas públicas”, declarou a governadora, reafirmando seu compromisso com a recuperação econômica do Distrito Federal. Ela concluiu sua defesa categoricamente: “não sou responsável pelos erros do Ibaneis, sou responsável pelo meu governo, que começou há quatro meses”, distanciando-se das falhas da gestão da qual fez parte e focando nas ações de seu atual mandato.
A situação do Banco de Brasília e a gestão das contas públicas continuam sendo temas de grande relevância e acompanhamento. A decisão do ministro Luiz Fux de convocar uma nova audiência pública para tratar do caso do BRB é um indicativo da seriedade com que a questão é tratada no âmbito judicial, buscando soluções para a instituição financeira. Para mais informações sobre a atuação do STF em casos de repercussão nacional, pode-se consultar diretamente o portal oficial da instituição, que frequentemente divulga atualizações sobre audiências e decisões importantes, como as que envolvem a crise do BRB e o papel do estado na economia. O Supremo Tribunal Federal desempenha um papel crucial na mediação de conflitos entre entes federativos e na fiscalização de grandes operações financeiras que afetam o interesse público, como as que envolvem bancos estaduais.
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O debate revelou as tensões e os desafios que envolvem a gestão pública e a economia do Distrito Federal, com a crise do BRB e a saúde financeira das contas estaduais no centro das atenções. A busca por transparência, a necessidade de responsabilização e a urgência em encontrar soluções eficazes para o banco e para o equilíbrio fiscal foram os pontos altos das discussões, moldando o cenário político para as próximas eleições. Acompanhe mais análises e notícias sobre a política e economia do Distrito Federal em nossa editoria de Política.
Crédito da imagem: Agência Brasília







