Harmonia Enlouquece, grupo de pacientes, lança novo álbum reafirmando sua importância como ferramenta de cuidado em saúde mental no Brasil. O Centro Psiquiátrico do Rio de Janeiro (CPRJ) foi palco, no último sábado, dia 15 de agosto de 2026, do lançamento oficial de “O Quinto dos Infernos”, o quinto trabalho fonográfico do aclamado coletivo musical, que celebra seus 25 anos de existência.
Composto por pacientes psiquiátricos e profissionais de saúde, o Harmonia Enlouquece consolidou-se ao longo de sua trajetória como uma referência fundamental na aplicação da música como pilar terapêutico dentro do Sistema Único de Saúde (SUS). A iniciativa, que completa um quarto de século em 2026, destaca o potencial transformador da arte no contexto da recuperação e bem-estar de indivíduos em tratamento psiquiátrico.
O CPRJ, unidade da Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro (SES-RJ), distingue-se nacionalmente por sua abordagem humanizada da psiquiatria, valorizando elementos culturais, a escuta ativa e o protagonismo do paciente como componentes essenciais do processo de tratamento. É nesse ambiente inovador que o grupo musical floresceu, e a celebração de seu mais recente trabalho musical sublinha a relevância contínua do projeto.
Harmonia Enlouquece, grupo de pacientes, lança novo álbum
Uma Trajetória de Duas Décadas e Meia
A jornada do grupo Harmonia Enlouquece teve início em 7 de abril de 2001, Dia Mundial da Saúde, uma data simbólica para a sua missão. Desde então, o coletivo acumulou um repertório de 65 músicas gravadas, sendo a vasta maioria delas — 95%, conforme apontado pelo diretor-geral do CPRJ, Francisco Sayão — de autoria de Hamilton de Jesus Assunção, um paciente do centro desde 1998.
“Sem ele, a gente não tem o que cantar”, enfatiza Sayão, que também contribui para a banda tocando violão básico, demonstrando o caráter colaborativo e inclusivo do projeto. Recentemente, o grupo foi agraciado com o Prêmio Asas (Aldir Blanc-RJ), um reconhecimento significativo de sua contribuição cultural e social. Mais de 75 pessoas já participaram do Harmonia Enlouquece ao longo dos anos; atualmente, o grupo é composto por 13 integrantes, sendo nove deles pacientes em tratamento e os demais, colaboradores essenciais.
Hamilton Assunção: A Alma Compositora do Grupo
A história de Hamilton de Jesus Assunção com o Harmonia Enlouquece é intrinsecamente ligada à sua jornada de tratamento. Ele já era paciente no CPRJ quando foi convidado pelo psicólogo Sidney Dantas a integrar a oficina de música que o profissional organizava. Foi nesse contexto que as primeiras notas do Harmonia foram tocadas, e a partir dali, a banda se formou. Das 65 músicas gravadas pelo grupo, 62 são de sua autoria, além de outras composições que ele mantém guardadas.
Hamilton, que iniciou seu tratamento psiquiátrico em 1984 no Posto de Assistência Médica-PAM Venezuela antes de ser transferido para o CPRJ, expressa a força terapêutica da música com clareza: “Música é uma coisa maravilhosa. Ela levanta o nosso astral, mesmo quando ele está em baixa”. No CPRJ, pacientes com condições de participar são incentivados a frequentar oficinas de arte desde o primeiro dia de tratamento, um modelo que tem mostrado sucesso na adesão e envolvimento.
“O Quinto dos Infernos”: O Novo Lançamento
O novo álbum, “O Quinto dos Infernos”, é o quinto trabalho fonográfico do Harmonia Enlouquece, um título que remete à sua posição na discografia do grupo. Com um total de 13 faixas, o disco apresenta 11 canções inéditas, todas compostas por Hamilton Assunção, que continua a ser a principal fonte de criatividade e inspiração para o repertório da banda. Este lançamento consolida ainda mais o legado musical do grupo e a voz única de seus integrantes.

Imagem: Rovena Rosa via agenciabrasil.ebc.com.br
Além da Música: Projetos e Visão de Futuro no CPRJ
A iniciativa do Harmonia Enlouquece é parte de um ecossistema maior de atividades culturais e terapêuticas no CPRJ. Desde 2016, o Ponto de Cultura do Centro Psiquiátrico promove encontros mensais que reúnem integrantes do Instituto de Psiquiatria da UFRJ (Ipub), do Instituto Municipal Philippe Pinel, de Centros de Atenção Psicossocial (CAPs), além de pacientes internados e de hospital/dia. Esses eventos reforçam a integração e o intercâmbio de experiências.
O diretor-geral, Francisco Sayão, planeja expandir ainda mais o alcance do CPRJ. Uma de suas ideias é abrir uma agenda de visitação pública a partir das 16h, um horário que não interfere no funcionamento da unidade, permitindo que o grupo Harmonia Enlouquece receba visitas e fortaleça seus laços com a comunidade externa. Além disso, o CPRJ já opera uma rádio interna que veicula as músicas em suas instalações. Com a finalização da aparelhagem, a meta é criar podcasts e lançar a rádio em formato online, funcionando em tempo integral, com uma equipe quase totalmente formada para essa nova empreitada. Iniciativas como essa ressaltam a importância de revisitar e fortalecer as políticas de saúde mental no Brasil.
Celebrando a Música e a Saúde Mental: O Evento de Lançamento
O lançamento do álbum “O Quinto dos Infernos” foi celebrado com uma programação especial no Museu da História e da Cultura Afro-Brasileira (MuhCab). Os visitantes foram recebidos por uma exposição que narra a linha do tempo do CPRJ, abrangendo o período de 2001 a 2026, destacando marcos e conquistas do centro psiquiátrico.
Um dos pontos altos do evento foi a exibição do documentário “Harmonia Enlouquece – Um mergulho musical pela saúde mental”, dirigido por Flávia Lima. O média-metragem retrata a rica trajetória da banda, que celebra seus 25 anos de existência em 2026, oferecendo um olhar aprofundado sobre o impacto da música no tratamento e na vida dos pacientes. A agenda contou ainda com uma roda de conversa, promovendo um diálogo enriquecedor sobre os temas da música, inclusão social e saúde mental, com a participação de especialistas e membros da comunidade.
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A história do Harmonia Enlouquece e o lançamento de seu novo álbum são um testemunho vibrante do poder da arte e da humanização no cuidado em saúde mental. Essa iniciativa do Centro Psiquiátrico do Rio de Janeiro demonstra que a cultura pode ser uma ponte essencial para a recuperação e a inclusão social. Para mais notícias e análises sobre temas relevantes, explore outras publicações em nosso portal Hora de Começar.
Crédito da imagem: Rovena Rosa/Agência Brasil







