A capital russa, Moscou, foi alvo de uma extensa ofensiva de drones neste domingo (20), descrita pelo prefeito local como a maior já registrada. O ataque de drones em Moscou, atribuído à Ucrânia, ocorreu em meio ao último dia das eleições parlamentares. Este pleito, que o presidente Vladimir Putin apresenta como um referendo de apoio à sua estratégia militar na Ucrânia, tem sido categorizado como uma “pseudoeleição” pelos críticos do Kremlin.
As autoridades divulgaram que os ataques aéreos resultaram na morte de duas pessoas na região de Moscou e de outras duas na porção de Kherson controlada pela Rússia, incluindo um funcionário eleitoral. As informações foram confirmadas pelo prefeito moscovita, Sergei Sobyanin, e por órgãos eleitorais. Além das vítimas, uma instalação vital na refinaria de petróleo da capital, que já havia sido alvo de ofensivas anteriores, sofreu danos significativos.
Ataque de Drones em Moscou Mata Dois Durante Eleições
Sergei Sobyanin, chefe do executivo municipal de Moscou, manifestou-se através do Telegram, afirmando que “o maior ataque de drones inimigos foi repelido”. Ele classificou a ação como um “ataque sem precedentes, claramente planejado com o objetivo de interromper as eleições”, mas garantiu que “o inimigo não conseguiu” seu intento. A eleição para a Duma Estatal, a primeira desde o início da guerra em larga escala da Rússia contra a Ucrânia em fevereiro de 2022, é amplamente esperada para consolidar a predominância do partido Rússia Unida. O Kremlin, por sua vez, deve apresentar os resultados como uma prova cabal do apoio popular às políticas de Putin e ao conflito, que se estende para o seu quinto ano sem perspectivas de um desfecho próximo.
As autoridades eleitorais russas reportaram que o processo de votação, que se estendeu por três dias, transcorreu sem contratempos graves, apesar de incidentes de ataques cibernéticos terem sido registrados no sábado (19). A agência de notícias Interfax, citando a Comissão Eleitoral Central, informou que a taxa de comparecimento às urnas já superava os 50% no início da tarde, horário de Moscou.
É notável que a maioria dos candidatos com posições contrárias à guerra foi impedida de participar do pleito. Aqueles que concorreram sob a bandeira do partido liberal Iabloko expressaram receio pela própria liberdade. Isso ocorre após tribunais condenarem dois dirigentes de alto escalão da sigla a longas penas de prisão, proferidas antes da votação, por declarações relativas ao conflito. Embora o Iabloko tenha apresentado índices de pesquisa de um único dígito nos últimos anos, o partido nutre a esperança de capitalizar sobre o desgaste social e econômico provocado pela guerra.
Na Rússia, desacreditar as Forças Armadas ou difundir o que as autoridades consideram “notícias falsas” pode acarretar longas penas de prisão. Em um ato simbólico de desobediência, o líder do Iabloko, Nikolai Rybakov, anulou sua cédula intencionalmente, escrevendo o nome de seu partido e a frase “Pela paz”.
O Kremlin justifica a necessidade de unidade nacional e de um certo nível de censura durante o que denomina “operação militar especial” na Ucrânia. Moscou enquadra o conflito, o mais letal na Europa desde a Segunda Guerra Mundial, como um componente de uma luta existencial contra um Ocidente hostil. O governo russo alega que serviços de inteligência ucranianos e outros adversários estão intensificando os esforços para fomentar instabilidade no território russo. Para mais informações sobre o conflito na região, acompanhe as últimas notícias da Reuters.
No sábado, as autoridades eleitorais russas divulgaram que o sistema de votação online na capital russa havia sido alvo de um ataque cibernético. Kiev, que suspendeu suas próprias eleições sob lei marcial, rotulou o pleito russo como uma “pseudoeleição”, minando sua legitimidade.
Na sexta-feira (18), o presidente Putin já havia acusado a Ucrânia de tentar interferir no processo eleitoral. Ele citou o que alegou ter sido um ataque ucraniano que resultou na morte de uma funcionária eleitoral em sua residência, na parte da região de Zaporíjia sob controle russo, na terça-feira (15). A Reuters, contudo, não conseguiu verificar de forma independente os detalhes desse ataque, e Kiev não se pronunciou sobre o incidente.

Imagem: www1.folha.uol.com.br
Apesar do desfecho previsível da eleição, analistas do think tank Nest, sediado em Berlim, cofundado por Mikhail Khodorkovsky – crítico do Kremlin e designado pelas autoridades russas como “agente estrangeiro” – apontaram que a votação ainda poderia gerar momentos de desconforto para o governo. Isso se daria em meio a crescentes dificuldades econômicas no país.
“As consequências da guerra são cada vez mais sentidas no país, e a ansiedade e a frustração acumuladas podem se traduzir em votos para os partidos de oposição sistêmica que o Kremlin permitiu que permanecessem na disputa”, afirmou o grupo em uma nota. O think tank sugeriu que o Partido Comunista e o partido Novos Povos poderiam atrair votos que as autoridades prefeririam que fossem destinados ao Rússia Unida. Contudo, ambos os partidos têm votado consistentemente alinhados ao Rússia Unida em questões cruciais.
Anteriormente à eleição, Putin dirigiu-se à população em um discurso televisionado, onde afirmou que a votação demonstraria o apoio inabalável às tropas russas engajadas na Ucrânia. “Sua escolha e sua vontade demonstrarão mais uma vez que milhões de pessoas estão ao lado de nossos soldados, que somos um povo unido por valores compartilhados, pela memória histórica e pelo amor à nossa pátria, e que ninguém conseguirá nos dividir ou intimidar”, declarou Putin, buscando reforçar o sentimento de união nacional.
Os primeiros resultados parciais da eleição devem começar a ser divulgados na noite deste domingo (20), com a expectativa de que resultados mais completos e consolidados estejam disponíveis na segunda-feira (21).
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Em suma, o ataque de drones em Moscou, no último dia das eleições parlamentares russas, marca um ponto crucial no conflito entre Rússia e Ucrânia, expondo tensões e desafios internos no cenário político russo. Este episódio ressalta a complexidade da “operação militar especial” e a reação internacional. Continue acompanhando as últimas notícias e análises sobre o cenário político global em nossa editoria de Política.
Crédito da imagem: Stringer – 20.set.26/Reuters







