O presidente Luiz Inácio Lula da Silva parte neste domingo, dia 20 de agosto, rumo a Nova York, nos Estados Unidos, com um objetivo central: defender o multilateralismo e a reforma do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU). Sua participação na 81ª Assembleia Geral marca um momento crucial para a diplomacia brasileira, reiterando a posição do país em questões globais urgentes.
No tradicional discurso de abertura da seção de alto nível da assembleia, o chefe de Estado brasileiro deverá sublinhar a relevância do multilateralismo. Essa abordagem é uma das linhas mestras da política externa do Brasil e assume particular importância em um cenário internacional cada vez mais complexo, caracterizado pela proliferação de conflitos e desafios globais que exigem cooperação e diálogo entre as nações.
O presidente Lula também tem a intenção de reiterar a negociação como a via mais eficaz para a resolução de disputas, o respeito irrestrito ao direito internacional humanitário e o princípio da não interferência nos assuntos internos de outros países. Seu pronunciamento tem a expectativa de apresentar a perspectiva do Brasil sobre os principais tópicos da agenda internacional, abordando desde questões geopolíticas até temas sociais e ambientais. A necessidade de uma ação coletiva e coordenada é um pilar da política externa brasileira, conforme defendido pela própria Organização das Nações Unidas em seus princípios.
Lula defende multilateralismo e reforma do CS na ONU
A reforma das Nações Unidas, com ênfase particular em seu Conselho de Segurança, figura entre os tópicos essenciais a serem discutidos. O Brasil, um dos maiores defensores dessa pauta, argumenta há anos pela necessidade de atualização na composição e no funcionamento do órgão, criticando sua percebida ineficácia em responder de maneira ágil e decisiva aos conflitos que emergem no cenário global.
Durante sua estadia em Nova York, o presidente Lula tem programados diversos encontros bilaterais com outros chefes de Estado, cujos nomes ainda serão anunciados. Além disso, uma reunião importante está confirmada com o secretário-geral da ONU, António Guterres, que se encontra na fase final de seu mandato à frente da entidade internacional. Outro compromisso agendado para o presidente é um encontro com o prefeito da cidade, o progressista Zohran Mamdani, do Partido Democrata, que assumiu a gestão de Nova York no início deste ano.
A agenda presidencial em Nova York é intensa. A chegada à cidade está prevista para a noite de domingo, dia 20, reservando a segunda-feira, dia 21, para encontros bilaterais sigilosos e de alto nível. Na manhã de terça-feira, dia 22, o presidente Lula cumprirá sua reunião com António Guterres, antes de proferir seu aguardado discurso na Assembleia Geral da ONU. O retorno ao Brasil está marcado para o mesmo dia, encerrando uma breve, mas estratégica, viagem diplomática.
Esta participação marca a décima primeira vez que Luiz Inácio Lula da Silva discursa na Assembleia Geral das Nações Unidas como presidente da República. Em seus três mandatos anteriores, sua única ausência foi registrada no ano de 2010, consolidando uma tradição de presença e influência do Brasil nas mais importantes discussões globais.
Possível Encontro com Donald Trump
O Palácio Itamaraty não forneceu informações oficiais sobre a possibilidade de um encontro entre o presidente Lula e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, visto que nenhuma das partes confirmou tal reunião. No entanto, o protocolo da Assembleia Geral da ONU coloca o presidente norte-americano como o segundo a discursar, imediatamente após o pronunciamento do líder brasileiro. Essa proximidade pode, eventualmente, gerar um breve encontro nos bastidores do plenário, um cenário que já ocorreu anteriormente.
No ano passado, por exemplo, os dois líderes tiveram um contato rápido quando Lula deixava o palco após sua fala e Trump se preparava para ocupar a tribuna. Aquela interação gerou uma impressão positiva em ambos os presidentes, e Donald Trump chegou a comentar posteriormente sobre uma “excelente química” entre eles. Desde então, este foi o primeiro de três encontros que os dois líderes tiveram, mesmo que informais, demonstrando uma dinâmica interessante entre as duas figuras políticas.
Outras Agendas e Comitiva Brasileira
A comitiva brasileira em Nova York não se restringe ao presidente. De acordo com informações do Itamaraty, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, permanecerá na cidade durante toda a semana para uma extensa agenda diplomática. Ele participará de uma série de reuniões e encontros ministeriais de relevância internacional, incluindo os do Brics, do Fórum de Diálogo Índia-Brasil-África do Sul (IBAS), do G77, do G4, do L69 e da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP). Além disso, estão previstas reuniões da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac) e do Consenso de Brasília, reforçando a atuação multifacetada do Brasil na cena global.

Imagem: agenciabrasil.ebc.com.br
O ministro Vieira também terá a responsabilidade de presidir duas importantes reuniões ministeriais. Em 23 de setembro, será realizado o encontro da Aliança Global contra a Fome e a Pobreza, uma iniciativa lançada pelo Brasil durante sua presidência do G20, que visa combater um dos desafios mais prementes da humanidade. No dia seguinte, 24 de setembro, Mauro Vieira presidirá a reunião ministerial da Zona de Paz e Cooperação do Atlântico Sul (Zopacas), um fórum estratégico para a segurança e o desenvolvimento da região.
Atualmente, o Brasil ocupa a presidência da Zopacas, um posto assumido após a realização da 9ª Reunião Ministerial da organização, ocorrida em abril deste ano. O país exercerá essa liderança por um período de três anos, indicando um papel ativo na promoção da paz e cooperação no Atlântico Sul.
O ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, Wellington Dias, que também é copresidente da Aliança Global contra a Fome e a Pobreza, terá uma agenda ativa em Nova York. Entre os dias 21 e 23 de setembro, Dias participará de diversas atividades focadas em segurança alimentar, proteção social, mecanismos de financiamento para o desenvolvimento e cooperação internacional. Seu compromisso culmina em 23 de setembro, com a participação no encontro da Aliança Global, onde serão discutidas estratégias para erradicar a fome e a pobreza.
A delegação brasileira, em sua totalidade, estará envolvida em discussões cruciais. Além dos encontros presidenciais e ministeriais, haverá participação em reuniões do Conselho de Segurança das Nações Unidas e em debates sobre a delicada situação da Palestina, buscando a solução de dois Estados. Outras pautas incluem o combate à desigualdade, os trabalhos da Comissão de Consolidação da Paz e temas relacionados ao direito internacional humanitário, demonstrando o engajamento do Brasil em múltiplas frentes.
A comitiva presidencial em Nova York será robusta, com a presença de diversos ministros que reforçam a abrangência dos temas abordados pelo Brasil. Além de Mauro Vieira e Wellington Dias, estão confirmadas as participações da ministra da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, Esther Dweck; do ministro dos Povos Indígenas, Luiz Eloy Terena; e da ministra da Igualdade Racial, Rachel Barros. Cada um desses representantes contribuirá em atividades diretamente relacionadas às suas respectivas áreas de atuação, amplificando a voz do Brasil em questões sociais, ambientais e de direitos humanos no âmbito internacional.
Confira também: Investir em Imóveis na Região dos Lagos
A participação do presidente Lula na 81ª Assembleia Geral da ONU sublinha o compromisso contínuo do Brasil com a diplomacia, o multilateralismo e a busca por soluções pacíficas e equitativas para os desafios globais. As discussões sobre a reforma do Conselho de Segurança e a defesa de uma política externa que prioriza o diálogo são essenciais para o futuro das relações internacionais. Para aprofundar-se em como o Brasil se posiciona no cenário político internacional, continue acompanhando as últimas notícias e análises em nossa editoria de Política.
Crédito da imagem: Ricardo Stuckert/PR







