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Trump Conversa com Delcy sobre Eleições na Venezuela

Economia

O debate sobre as eleições na Venezuela ganhou destaque nesta semana após o ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, confirmar ter discutido o tema com a presidente interina do país sul-americano, Delcy Rodríguez. A revelação foi feita no sábado, quando Trump, em declaração à imprensa na Casa Branca, respondeu afirmativamente a questionamentos sobre o encontro, afirmando ter “falado sobre eleições”.

O breve encontro entre Trump e Rodríguez ocorreu à margem da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), na última terça-feira, em Nova York. Delcy Rodríguez elogiou a retomada do diálogo com a Venezuela, marcando sua primeira visita aos EUA desde a operação realizada em janeiro, que resultou na captura do então presidente Nicolás Maduro.

Segundo o secretário de Estado americano, Marco Rubio, as conversas entre os líderes abordaram não apenas a questão das eleições, mas também a reestruturação dos bilhões de dólares da dívida soberana venezuelana e pressões por reformas políticas. A necessidade de um pleito justo e transparente é um ponto central na busca por uma estabilização duradoura na região.

Trump Conversa com Delcy sobre Eleições na Venezuela

Em seu discurso perante a Assembleia Geral da ONU, Delcy Rodríguez havia sinalizado a realização de eleições como parte essencial de uma transição para uma democracia plena no país. Contudo, apesar do otimismo inicial e das fotografias ao lado de Trump, uma data definitiva para o aguardado pleito não foi anunciada, gerando incertezas sobre o cronograma.

Rodríguez assumiu a presidência interina após a captura de Maduro e, por nove meses, manteve-se reservada quanto a indicações sobre a concretização de eleições. Autoridades americanas, por sua vez, moderaram as expectativas, indicando que o processo demandaria tempo considerável para se materializar.

Desafios e Prazos Incertos para o Pleito Venezuelano

Apesar das promessas e do reinício do diálogo, analistas políticos e fontes ligadas tanto ao governo chavista quanto à oposição venezuelana expressam ceticismo sobre a realização de votações em um futuro próximo. A expectativa é que as eleições possam demorar um ano ou mais para ocorrer, principalmente devido às complexas reformas necessárias nos tribunais e nas autoridades eleitorais.

Para especialistas ouvidos pela Reuters, existem obstáculos significativos que impedem a realização de uma votação imediata. Entre eles, destacam-se reformas institucionais complexas e uma aparente falta de urgência por parte de Washington para que o processo eleitoral avance rapidamente. Duas fontes específicas indicaram que as eleições são prováveis antes do final do próximo ano, mas o caminho ainda é tortuoso.

No epicentro desses atrasos está a previsão de substituição de todos os 32 juízes da Suprema Corte venezuelana, bem como dos cinco diretores do Conselho Nacional Eleitoral (CNE), o órgão máximo responsável pela gestão dos processos eleitorais. Grupos de oposição e observadores internacionais de direitos humanos há muito tempo questionam a independência desses dois órgãos, alegando que as reeleições de Maduro em 2018 e 2024 foram marcadas por fraudes.

Atualmente, a reforma institucional é um dos temas centrais nas negociações aprofundadas mediadas pelos EUA entre o governo interino de Delcy Rodríguez e um grupo representativo da oposição. No entanto, mesmo após a posse de um novo conselho eleitoral, as autoridades venezuelanas ainda precisariam realizar uma série de etapas cruciais. Conforme Oswaldo Martínez, da consultoria ORC, sediada em Caracas, seria necessário atualizar os cadernos eleitorais, assegurar a participação de todos os partidos e definir questões operacionais básicas, como a escolha entre votação manual ou eletrônica. Este processo, segundo duas fontes próximas às negociações, poderia levar até um ano para ser concluído. Adicionalmente, autoridades americanas enfatizam que qualquer política de transição deve vir acompanhada de estabilidade econômica e social, o que adiciona mais camadas de complexidade ao cronograma eleitoral.

Washington, Acordos de Petróleo e a Oposição Sidelined

Alguns críticos argumentam que a administração de Washington tem negligenciado a oposição venezuelana, perdendo a urgência por eleições livres em favor de acordos envolvendo petróleo e investimentos com o governo interino. No mês anterior, o presidente Donald Trump havia anunciado uma iniciativa sem precedentes dos EUA para assumir o controle de um quinto das vastas reservas de petróleo da Venezuela, sinalizando uma mudança nas prioridades.

De acordo com Risa Grais-Targow, diretora para a América Latina da consultoria de risco político Eurasia Group, o governo Trump está priorizando a estabilidade econômica e os acordos relacionados ao petróleo sob a gestão de Delcy Rodríguez, com pouca pressa aparente para avançar em direção a uma nova votação. Essa abordagem, somada às mudanças institucionais permitidas, sugere que novas eleições não seriam realizadas antes do final de 2027, no mínimo, com a possibilidade de um prazo ainda maior. Para entender mais sobre o contexto das sanções e os acordos que moldam a política externa dos EUA em relação ao país, é possível consultar análises recentes sobre a flexibilização de sanções e os acordos de roteiro eleitoral, conforme detalhado pela Reuters.

A líder da oposição mais proeminente da Venezuela e vencedora do Prêmio Nobel da Paz, María Corina Machado, que vive no exílio, tem estado visivelmente ausente das negociações com o governo interino. Suas tentativas de retornar ao país têm enfrentado obstáculos contínuos, consolidando a percepção de que a oposição tradicional foi, em grande parte, colocada à margem do processo.

Paralelamente, alguns parlamentares dos EUA têm clamado por eleições e expressam preocupação de que Washington não tenha obtido concessões democráticas significativas do governo de Delcy Rodríguez. Nicholas Watson, da consultoria Teneo, reitera que a estabilidade e a normalização econômica, fortemente ligadas à participação comercial dos EUA, permanecem como as prioridades. Ele acrescenta que Washington e Caracas tratam a necessidade de transição política como um processo de longo prazo, sem um prazo definido. “Nenhum dos dois está tomando medidas decisivas rumo a um processo eleitoral”, afirmou Watson.

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Em suma, a conversa entre Donald Trump e Delcy Rodríguez trouxe à tona a complexa teia de interesses e desafios que cercam as eleições na Venezuela. Enquanto a comunidade internacional observa, o caminho para um pleito justo e transparente parece longo e repleto de obstáculos institucionais e políticos, com a estabilidade econômica e acordos de petróleo ganhando prioridade em detrimento da urgência eleitoral. Para aprofundar-se em outras notícias sobre o cenário político global e nacional, continue acompanhando nossa editoria de Política.

Foto: John Lamparski/Bloomberg

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Imagem: valor.globo.com

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