A proposta que visa ao fim da jornada 6×1 está prestes a ser decidida no Senado Federal. O presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), anunciou a marcação da votação, em primeiro turno, para a próxima quarta-feira, dia 14 de outubro de 2026. A medida, que busca alterar a Constituição, representa um avanço significativo nas discussões sobre direitos trabalhistas no Brasil, buscando um modelo mais justo de descanso remunerado.
Conhecida como PEC 221 de 2019, a matéria em questão estabelece uma mudança substancial nas relações de trabalho. Entre suas principais diretrizes, estão a garantia de dois dias de descanso remunerado por semana para os trabalhadores, sem qualquer tipo de redução salarial. Além disso, a Proposta de Emenda à Constituição propõe a diminuição da jornada de trabalho semanal, passando das atuais 44 horas para 40 horas, com um período de transição estipulado em 14 meses para sua implementação gradual.
Senado marca votação da PEC fim da 6×1 para quarta-feira
Ao agendar a deliberação sobre a PEC, o senador Davi Alcolumbre enfatizou que a medida concretiza um compromisso assumido por ele. O parlamentar ressaltou a condução do processo com responsabilidade, abrindo espaço para o diálogo e garantindo o respeito integral ao rito regimental que baliza a tramitação de propostas dessa natureza no Congresso Nacional. A votação da PEC fim da 6×1 é aguardada com grande expectativa por diversos setores da sociedade.
Tramitação e Aprovação na Câmara dos Deputados
A jornada da PEC pelo fim da escala 6×1 teve um capítulo importante na Câmara dos Deputados. A proposta foi aprovada em dois turnos em maio deste ano (maio de 2026), antes de ser encaminhada para o Senado. Por ser uma Proposta de Emenda à Constituição, seu trâmite exige aprovação em dois turnos em ambas as Casas Legislativas. Caso os senadores proponham modificações no texto original aprovado pelos deputados, a matéria precisará retornar à Câmara para nova apreciação, o que pode prolongar o processo legislativo. Para mais detalhes sobre o funcionamento das Casas legislativas, consulte o Senado Federal.
No decorrer da tramitação no Senado, houve tentativas por parte da base governista de pautar a análise da proposta, que visa o fim da escala 6×1. No entanto, o presidente Davi Alcolumbre optou por manter o texto parado por um período. Foi somente em agosto que a PEC foi encaminhada à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). No início de setembro, a CCJ aprovou a matéria, mas, novamente, Alcolumbre não levou o tema ao plenário, declarando que a votação ocorreria somente após o período eleitoral, garantindo, segundo ele, a serenidade necessária para a deliberação de um tema tão relevante.
Principais Previsões da Proposta para o Fim da Escala 6×1
A PEC 221/2019 estabelece uma série de disposições detalhadas que impactarão diretamente o cotidiano dos trabalhadores brasileiros, representando um marco nas relações de trabalho. É fundamental compreender o escopo dessas mudanças para avaliar seu alcance e os benefícios esperados para os profissionais do país. Abaixo, os principais pontos da proposta:

Imagem: agenciabrasil.ebc.com.br
- **Dois Dias de Descanso:** Torna obrigatória a concessão de dois dias de descanso remunerado por semana a todos os trabalhadores, estabelecendo uma nova referência para a jornada de trabalho e o lazer.
- **Redução da Jornada:** Diminui a jornada de trabalho das atuais 44 horas para 40 horas semanais, mantendo o salário integral. Esta é uma das principais bandeiras da PEC fim da 6×1, alinhando o Brasil a padrões internacionais de trabalho.
- **Jornadas Diferenciadas:** Para trabalhadores com diploma de ensino superior que recebam valores iguais ou superiores a R$ 21.188,87, a proposta permite que a duração do trabalho seja definida por negociação direta entre empregador e empregado, desde que a escala 5×2 seja mantida, reconhecendo a especificidade de certas carreiras.
- **Regra de Transição Geral:** A implementação da nova escala de trabalho, com a PEC fim da 6×1, terá um período de transição de até 14 meses, permitindo que empresas e trabalhadores se adaptem gradualmente.
- **Exceção na Transição:** Trabalhadores terceirizados da administração pública terão uma regra de transição diferenciada, cujos detalhes serão estabelecidos posteriormente, considerando as particularidades do setor público.
- **Primeira Etapa Pós-Promulgação:** Sessenta dias após a promulgação da emenda constitucional, as empresas serão obrigadas a garantir a escala de 5×2, bem como a redução da jornada para 42 horas semanais, marcando o início das mudanças.
- **Segunda Etapa de Redução:** Doze meses após a primeira redução (para 42 horas), a jornada de trabalho cairá definitivamente para 40 horas semanais, consolidando a nova estrutura de trabalho.
As articulações em torno da PEC fim da 6×1 continuam intensas no Congresso, e a votação marcada para a próxima quarta-feira (14 de outubro de 2026) será decisiva para o futuro dos direitos trabalhistas no país. A expectativa é alta, tanto por parte dos defensores da proposta, que vislumbram melhor qualidade de vida para os trabalhadores, quanto daqueles que veem desafios na sua implementação e possíveis impactos econômicos. O desfecho da votação promete movimentar o cenário político e social nas próximas semanas.
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Crédito da imagem: Lula Marques/Agência Brasil.







