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Comunicação Interna ESG: Conectando Estratégia e Colaboradores

DP E RH

A comunicação interna ESG (Ambiental, Social e Governança) emerge como um pilar fundamental para transcender as discussões estratégicas e integrar os princípios de sustentabilidade ao cotidiano das organizações. Longe de ser apenas um tema de diretoria ou de grandes conferências como a COP30, a agenda ESG reside nas práticas diárias de cada colaborador, desde o consumo de energia até a gestão de resíduos e a otimização de processos. A capacidade de traduzir essas metas globais em ações tangíveis para cada indivíduo é onde a comunicação interna se torna indispensável, gerando engajamento e corresponsabilidade.

Para que a mensagem ESG ressoe e inspire a participação genuína, é preciso ir além dos comunicados institucionais. O diálogo eficaz envolve questionar, compartilhar conhecimentos e identificar como as contribuições individuais se alinham aos objetivos maiores da empresa. Essa abordagem proativa foi crucial para as organizações destacadas na categoria ESG do 4º Prêmio Empresas que Melhor se Comunicam com Colaboradores (PEMCC), que demonstraram como a comunicação pode unificar estratégias ambiciosas com as realidades operacionais. A seguir, exploramos exemplos práticos de como empresas como Vale, Transpetro e Manuchar Comércio Exterior implementaram essa visão, partindo do cenário da Amazônia.

Comunicação Interna ESG: Conectando Estratégia e Colaboradores

A Vale, uma das maiores mineradoras do mundo e vencedora na categoria ESG do PEMCC, ilustra a centralidade da comunicação no engajamento dos colaboradores. Com a Amazônia como o epicentro de suas operações – de onde provém cerca de 60% do minério de ferro produzido pela companhia – e a proximidade da COP30 em Belém, a Vale enfrentou o desafio de tornar sua profunda conexão com a região e suas metas de sustentabilidade mais palpáveis. A despeito do papel estratégico da Amazônia e de 40 anos de história na região, as metas ambientais pareciam distantes para parte dos empregados, especialmente aqueles envolvidos nas operações diárias. O objetivo era claro: a comunicação interna precisava evidenciar que o ESG da Vale estava intrinsecamente ligado ao trabalho de cada um, mesmo longe de escritórios ou telas.

Joana Arruti, coordenadora de Comunicação Corporativa da Vale, e Priscilla Luna, analista master da área, explicam que a simples tarefa de informar não seria suficiente. A meta era transformar conceitos como clima, florestas, descarbonização e COP30 de imagens técnicas e institucionais em temas que fizessem parte da rotina, das conversas e do orgulho dos empregados. Dessa necessidade, nasceu a narrativa “Fazer a diferença para a Amazônia, juntos. Tem a ver com a Vale.”, utilizada tanto em campanhas externas quanto internas. Joana Arruti resumiu a lógica: “Para a Vale, a Amazônia não é um tema distante – muito pelo contrário. Ela está no centro da nossa história, da nossa operação e da nossa estratégia de futuro”.

O desafio subsequente foi manter essa conversa em uma corporação com aproximadamente 180 mil empregados, operações diversas no Brasil e no exterior, e variados níveis de acesso a canais digitais. Em vez de focar em ações isoladas, a estratégia da Vale foi conceber o ESG como uma jornada contínua, vibrante e conectada ao cotidiano dos colaboradores. A informação era o ponto de partida, mas a busca era dar significado e propósito à agenda ESG. Entre fevereiro e dezembro de 2025, as ações foram implementadas em ondas, aproveitando marcos como os 40 anos da Vale na Amazônia, a Semana do Meio Ambiente e a própria COP30. Segundo Joana, a campanha teve uma “cauda longa” e não se apoiou em uma única ferramenta, garantindo que cada público recebesse a mesma mensagem central, adaptada ao seu canal de preferência.

Para os empregados com maior conectividade digital, uma das iniciativas inovadoras foi o game “Parceiros da Floresta”, que abordava clima e biodiversidade de forma lúdica. Com desafios, premiações e um álbum de figurinhas virtuais, o jogo promoveu o letramento ambiental e a participação ativa, contando com mais de nove mil jogadores e 45 mil interações, incluindo compartilhamentos e desafios. Essa abordagem permitiu que os colaboradores participassem ativamente da campanha, em vez de serem meros espectadores.

Para a parcela da força de trabalho que opera em minas e tem acesso limitado a telas digitais, a Vale inverteu a abordagem: “Levamos a floresta para o ambiente de trabalho”, conforme descreveu Joana. Ativações presenciais foram realizadas, incluindo óculos de realidade virtual, TVs em operações, painéis interativos e experiências sensoriais como o “Refúgio da Floresta”. Essas ações impactaram cerca de 28 mil empregados operacionais, representando 15,6% da força total, em diversas localidades do país. A adoção de múltiplos formatos foi fundamental para garantir que a mensagem sobre o ESG da Vale chegasse a todos, de maneira compreensível e envolvente, transformando a conscientização em vivência.

A concretização da conversa ESG foi uma prioridade para a equipe, que sabia que explicar metas não bastava. Era preciso construir uma narrativa onde os empregados se reconhecessem como parte da história. O conceito “Juntos” se tornou um convite à corresponsabilidade, reforçando que cada escolha no trabalho impacta o clima e que o tema pertence a todos. Para humanizar ainda mais a campanha, a Vale foi além dos canais oficiais, abrindo espaço para histórias de empregados que contribuíram para a presença da companhia no Pará e Maranhão, criando a série de vídeos “O que tem a ver com a Vale?” e capacitando gestores e influenciadores internos para disseminar a conversa. Isso permitiu que o ESG ganhasse novos porta-vozes dentro da empresa, tornando a mensagem mais autêntica e próxima.

Os resultados da campanha foram expressivos: 9,5 milhões de impressões internas, um consumo na intranet 29% acima da média histórica e um engajamento por conteúdo 4,8 vezes superior à meta. O índice médio de advocacy, que mede a disposição dos empregados em defender a empresa, atingiu 97,7% ao longo do ano. Eventos de celebração, como uma premiação em Belém e a venda antecipada de ingressos para o The Town, adicionaram um tom de festividade à pauta. O orgulho foi uma das palavras mais associadas à atuação da Vale na Amazônia, destacando, para Priscilla, que “quando o empregado entende a agenda ESG, acredita no papel da empresa e sente orgulho de fazer parte dela, ele se torna um vetor legítimo dessa narrativa dentro e fora da organização”. O aprendizado principal da Vale foi que a comunicação não apenas divulga a estratégia, mas a torna “compreensível, desejável e praticável”.

A Transpetro e a Jornada da Energia Limpa

Dando sequência aos cases de sucesso, a Transpetro, empresa de logística do Sistema Petrobras e também destaque na categoria ESG do PEMCC, demonstrou como a comunicação pode transformar um projeto de infraestrutura em uma jornada de sensibilização sobre sustentabilidade. Em 2025, com a construção da segunda usina solar da companhia no Terminal de Belém (PA) e a capital paraense se preparando para receber a COP30, surgiu a oportunidade de falar sobre energia limpa. No entanto, havia um questionamento: como conectar essa obra ao trabalho diário e à relevância para os colaboradores?

Lilian Rossetto de Carvalho, gerente geral de Comunicação Empresarial da Transpetro, explica que a equipe enxergou a chance de ir além do simples anúncio, buscando sensibilizar os trabalhadores sobre as mudanças futuras. “O desafio foi transformar uma iniciativa de infraestrutura em uma jornada de sensibilização sobre sustentabilidade, conectando a estratégia da companhia ao cotidiano da força de trabalho”, detalhou Lilian. A convergência com a COP30 em Belém foi um fator facilitador, trazendo o debate global sobre o clima para dentro do terminal.

A obra da usina solar e o sistema de reuso de água da chuva serviram como referências concretas para discutir temas do ASG (Ambiental, Social e Governança), como energia, água e clima, que poderiam parecer complexos em apresentações isoladas. A campanha contou com a presença de lideranças e a atuação integrada das áreas de Meio Ambiente e Responsabilidade Social. O objetivo, segundo Lilian, era que os trabalhadores compreendessem não apenas o que estava mudando no Terminal de Belém, mas a razão estratégica dessas mudanças para o futuro da empresa. A manutenção do interesse ao longo do tempo foi assegurada por um calendário de palestras e treinamentos mensais sobre o posicionamento ASG da Transpetro, iniciando com um evento de lançamento que contou com mensagens da alta administração reforçando o valor estratégico da iniciativa.

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Imagem: melhorrh.com.br

A atenção aos pequenos gestos do dia a dia também foi crucial. A iniciativa da gerência da unidade de trocar copos recicláveis por modelos reutilizáveis e orientar sobre o descarte correto de resíduos foi um exemplo prático de como a sustentabilidade pode ser literalmente colocada nas mãos dos trabalhadores. Além disso, a pauta ESG ganhou visibilidade na paisagem da unidade, com outdoors, placas e veículos adesivados, permeando os locais de circulação dos colaboradores. A inauguração da usina em julho, que reuniu toda a força de trabalho e a alta administração, marcou um momento simbólico. Lilian avalia que “A comunicação ajudou a dar significado ao projeto. A usina solar deixou de ser percebida apenas como uma obra técnica e passou a representar um movimento mais amplo da companhia em direção à eficiência energética, à redução da pegada de carbono e à responsabilidade socioambiental”.

Após a entrega da usina, a conversa continuou. Em setembro, a Transpetro participou do lançamento oficial do Dia Mundial da Limpeza em Belém e, em novembro, durante a COP30, a campanha foi destaque na exposição “O Caminho da Energia”. Ao longo dos nove meses de campanha, a articulação entre as diversas áreas da companhia foi essencial para a consistência e propósito das ações. O balanço revelou trabalhadores mobilizados pela agenda ASG, participação em atividades educativas sobre o clima e conteúdos que simplificaram a compreensão da COP30. Para Lilian, o principal ganho reside na capacidade de cada trabalhador de conectar as decisões da companhia ao seu próprio papel. “Quando a força de trabalho entende a razão estratégica de uma mudança, ela tende a se reconhecer como parte da transformação”. O reconhecimento no PEMCC confirmou a escolha de humanizar a temática e inspirar ações semelhantes em outros colegas de comunicação.

Manuchar Comércio Exterior: Inovação que Nasce do Chão de Fábrica

Mudando a escala, o último case de destaque na categoria ESG é o da Manuchar Comércio Exterior, que, através de sua empresa do grupo Cosmoquímica, focou na otimização de um processo aparentemente simples: a montagem de pallets. Observando a rotina, os colaboradores identificaram problemas como tombamento de cargas, danos em embalagens e alto consumo de materiais estabilizadores, como a fita stretch. A busca por melhorias estava em consonância com as práticas ESG já adotadas pela Manuchar.

Dessa observação direta, nasceu o STABULON, folhas antiderrapantes inseridas entre as camadas da carga para aumentar a estabilidade dos pallets. Adriano Dias, técnico de manutenção da Manuchar e um dos idealizadores, ressalta o papel crucial da comunicação interna para que a ideia ganhasse visibilidade e para demonstrar que a inovação pode surgir da rotina operacional. O sucesso do STABULON incentivou outros colaboradores a também propor melhorias. O projeto contou com apoio multifacetado, com o PMO (escritório de gestão de projetos) atuando como mentor e a execução a cargo dos idealizadores. A comunicação interna foi fundamental para aproximar equipes de qualidade, operação e manutenção, valorizando o trabalho colaborativo e reconhecendo o empenho de todos.

O reconhecimento do trabalho operacional foi mais do que um gesto de cortesia; ele fortaleceu a cultura de inovação, estimulando novas iniciativas e aprimorando a colaboração entre as equipes. A comunicação interna desempenhou um papel vital ao apresentar o STABULON como uma conquista coletiva, destacando as contribuições de cada área e reforçando que o ESG na Manuchar começou com a própria operação. As mudanças no dia a dia foram significativas. Primeiramente, a segurança aumentou com a estabilidade das cargas, reduzindo tombamentos e danos a embalagens, e diminuindo o tempo de montagem em até 40% em alguns casos. Adriano Dias enfatiza que a segurança dos colaboradores é o quesito fundamental do projeto.

Em segundo lugar, os impactos ambientais foram evidentes. A maior estabilidade resultou em uma redução de cerca de 50% no consumo de fita stretch por pallet e de até 70% no uso de tabuleiros de papelão em algumas operações. Além disso, as folhas STABULON podem ser reutilizadas após avaliação técnica, prolongando sua vida útil e contribuindo para menos resíduos, menos plástico e um menor impacto ambiental na logística da empresa. A forma como esses resultados foram comunicados também foi essencial. Em vez de apenas apresentar percentuais, a comunicação interna focou nas consequências práticas para o trabalho – menos desperdício, mais segurança e agilidade. Isso tornou o ESG mais próximo da realidade dos colaboradores, permitindo que a equipe reconhecesse as melhorias e entendesse a conexão do ESG com suas tarefas diárias.

Para Adriano, a circulação dessas informações foi a principal contribuição da comunicação, transformando uma boa prática local em inspiração para outras equipes. O reconhecimento no PEMCC, por sua vez, valorizou o trabalho coletivo e demonstrou que a Manuchar está no caminho certo ao investir em inovação, sustentabilidade e segurança, reforçando o compromisso da organização com a melhoria contínua e o desenvolvimento de soluções com impacto positivo.

Em síntese, os cases da Vale, Transpetro e Manuchar Comércio Exterior demonstram que a agenda ESG, embora complexa em sua essência, ganha força e se concretiza quando a comunicação interna atua como uma ponte estratégica. Ao traduzir metas corporativas em ações cotidianas e ao reconhecer a contribuição de cada colaborador, as empresas conseguem gerar um engajamento genuíno que vai além do discurso institucional. A comunicação interna, nesse contexto, não apenas informa, mas inspira, capacita e mobiliza, garantindo que o ESG seja uma conversa contínua e relevante para todos.

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Para aprofundar seu entendimento sobre as práticas de sustentabilidade corporativa e o papel da comunicação, visite o site do Pacto Global da ONU, uma iniciativa fundamental para empresas que buscam alinhar suas estratégias e operações com os princípios universais de direitos humanos, trabalho, meio ambiente e combate à corrupção. Aprofunde-se mais sobre como o engajamento corporativo pode transformar o ambiente de trabalho e os resultados de uma empresa lendo mais artigos em nosso site. Explore as Tendências do Engajamento Corporativo e continue acompanhando as notícias em nossa editoria de Economia para se manter atualizado sobre as inovações e desafios do mercado!

Crédito da imagem: Portal Melhor RH

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