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PF combate monopólio de internet de facção criminosa no Rio

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A Polícia Federal (PF) combate o monopólio de internet de facção criminosa no Rio de Janeiro com a deflagração da Operação Backbone nesta segunda-feira, 19 de outubro. A ação coordenada visa desarticular um esquema complexo em que um grupo criminoso impunha seu domínio sobre a oferta de serviços de internet em comunidades cariocas, explorando moradores e lavando dinheiro. As equipes da PF cumprem um total de 23 mandados de prisão preventiva e 24 de busca e apreensão. Até as 9h15 da manhã, 19 indivíduos já haviam sido detidos, marcando um passo significativo no combate a essa modalidade de crime organizado que afeta diretamente a vida e a segurança de milhares de cidadãos.

As investigações detalhadas revelaram que a facção criminosa Comando Vermelho estabeleceu um regime de monopólio sobre a distribuição de internet em áreas estratégicas da Zona Norte do Rio de Janeiro, incluindo os complexos do Alemão, da Penha e do Chapadão. A imposição desse controle se dava por meio de um arsenal de táticas coercitivas, utilizando o poder de fogo de armas de fogo e ameaças diretas contra a população local. Moradores e comerciantes eram obrigados a contratar o serviço de internet controlado pela facção, que se valia da intimidação para consolidar seu domínio no mercado ilícito.

PF combate monopólio de internet de facção criminosa no Rio

Além da exploração direta dos serviços de internet, o grupo criminoso desenvolveu uma sofisticada rede de lavagem de dinheiro para disfarçar a origem de seus lucros ilícitos. Esta estrutura incluía a utilização de produtoras de eventos e empresas de publicidade, que serviam como fachada para movimentar grandes somas. Bens de alto padrão, como imóveis de luxo, eram adquiridos mediante pagamentos em dinheiro vivo, dificultando o rastreamento financeiro. A facção também explorava o uso de criptoativos, uma estratégia cada vez mais comum entre grupos criminosos para realizar transações e ocultar patrimônio, adicionando uma camada extra de complexidade às investigações.

A estratégia utilizada pela facção para consolidar e manter seu monopólio era brutal e bem orquestrada. Os criminosos armados agiam de forma ostensiva, realizando cortes intencionais de cabos e incendiando caixas de distribuição de provedores de internet concorrentes. Essa tática de sabotagem visava eliminar qualquer competição, impedindo que outros provedores operassem ou realizassem reparos em suas infraestruturas. Consequentemente, moradores e comerciantes eram forçados a contratar o serviço oferecido pela facção, que se apresentava como a única opção viável. Essa prática não apenas garantia a hegemonia da facção, mas também gerava uma receita considerável, que alimentava suas atividades criminosas e fortalecia seu poder nas comunidades.

A dimensão financeira da exploração do serviço de internet é alarmante, conforme demonstrado pelas investigações da PF. Em um único mês, a receita obtida com a cobrança do serviço de internet representou mais de 40% de toda a arrecadação do grupo criminoso no Complexo da Penha. Esse dado revela que a imposição do monopólio sobre a internet não é uma atividade secundária, mas sim uma das principais fontes de financiamento da facção. Tal lucratividade impulsiona e fomenta a guerra pelo controle de territórios, uma vez que a posse de áreas estratégicas garante o fluxo contínuo desses rendimentos, intensificando a violência e a disputa entre grupos criminosos na cidade.

Os mandados de prisão e busca e apreensão foram expedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF), evidenciando a gravidade e a abrangência da operação. A ação se estendeu por diversos municípios do estado do Rio de Janeiro, incluindo a capital, Nova Iguaçu, São João de Meriti, Teresópolis, Maricá e Magé. A execução dos mandados de prisão não se restringiu às ruas; parte deles está sendo cumprida em unidades do sistema prisional, inclusive em uma penitenciária federal. Nesses locais, estão detidos alguns dos principais acusados de liderar o grupo criminoso, indicando que a investigação alcançou as cabeças da organização responsável por impor o monopólio e aterrorizar as comunidades.

PF combate monopólio de internet de facção criminosa no Rio - Imagem do artigo original

Imagem: agenciabrasil.ebc.com.br

Como parte das medidas judiciais, a Justiça determinou o bloqueio de bens e valores de 40 pessoas físicas e 42 pessoas jurídicas envolvidas no esquema, totalizando uma quantia impressionante de R$ 558 milhões. Essa ação visa descapitalizar a facção e seus colaboradores, impedindo que os recursos ilícitos continuem a financiar suas operações. Além do bloqueio, foi determinada a suspensão das atividades econômicas das empresas em questão. Entre elas, provedores de internet utilizados para o esquema, produtoras de eventos e empresas de publicidade que serviam à lavagem de dinheiro, empresas de contabilidade que davam suporte financeiro e diversas empresas de fachada, todas peças-chave na rede criminosa. Para mais informações sobre as operações da Polícia Federal no combate ao crime organizado, consulte o site oficial da instituição.

Os investigados na Operação Backbone podem responder por uma série de crimes graves, conforme as apurações da PF. Entre as acusações, destacam-se o domínio social estruturado, que configura a imposição de controle sobre uma comunidade; a extorsão majorada, que envolve ameaças e violência para obter vantagem econômica; e o atentado contra a segurança de serviço de utilidade pública. Também são enquadrados nos crimes de interrupção de serviço telemático, que se refere à sabotagem da infraestrutura de comunicação; o desenvolvimento clandestino de telecomunicações, por operar serviços de internet sem as devidas licenças; e, crucialmente, a lavagem de dinheiro, pelo esforço em legalizar os lucros ilícitos obtidos.

A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) também terá um papel fundamental na continuidade das ações. O órgão será oficialmente comunicado para proceder com a cassação das outorgas e a interdição dos serviços de telecomunicações prestados por todas as empresas envolvidas no esquema. Além de desmantelar a infraestrutura ilegal, a Anatel deverá adotar medidas imediatas e eficazes para assegurar a continuidade do serviço de internet aos moradores das localidades afetadas. Essa providência é crucial para minimizar o impacto sobre a população que, além de vítima da facção, não pode ser privada de um serviço essencial devido à interrupção das atividades criminosas.

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A Operação Backbone da Polícia Federal representa um esforço significativo para desmantelar o crime organizado que explora serviços essenciais e aterroriza comunidades no Rio de Janeiro. A ação não apenas visa prender os envolvidos e bloquear seus bens, mas também restaurar a legalidade e a segurança nas áreas dominadas pela facção. Para continuar acompanhando as notícias sobre segurança pública e o cotidiano das cidades, explore a editoria Cidades em nosso portal e mantenha-se informado.

Conteúdo: PF/Divulgação

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